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sábado, 16 de setembro de 2017

Polidor



É um dos bistrots literários mais antigos de Paris. Fundado em 1845 como leitaria, vendia (claro!) leite, ovos e queijo. No final do século XIX começou, como outras leitarias, a servir refeições. A relação qualidade-preço atraiu um certo número de poetas e escritores pouco afortunados, que viviam na zona e fizeram a reputação deste restaurante.
O grupo dos patafísicos (Boris Vian, Queneau, Ionesco, René Clair, Jacques Prévert...) reunia numa sala deste restaurante que foi também frequentada por Verlaine e Rimbaud. O Grupo dos Amigos de Verlaine continua a encontrar-se aqui.
A comida é boa e tem o melhor baba au rhum que algum dia provei. Sabia mesmo a rum. Se sabia...






quinta-feira, 20 de outubro de 2016

Os meus franceses - 496


Rimbaud

«En ce moment j'ai une chambre jolie, sur un cour sans fond, mais de trois mètres carrés. - La rue Victor Cousin fait coin sur la place de la Sorbonne par le café du Bas-Rhin, et donne sur la rue Soufflot, à l'autre extrémité» - escreve Rimbaud numa carta ao seu amigo Ernest Delahaye, numa carta datada de «Parmerde, Junphe 72».
Paris, set. 2016

Éternité

Elle est retrouvée.
Quoi ? L'éternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.

Âme sentinelle,
Murmurons l'aveu
De la nuit si nulle
Et du jour en feu.

Des humains suffrages,
Des communs élans,
Donc tu te dégages :
Tu voles selon...

Jamais l'espérance,
Pas d'orietur,
Science avec patience...
Le supplice est sûr.

De votre ardeur seule
Braises de satin,
Le Devoir s'exhale
Sans qu'on dise : enfin.

Elle est retrouvée.
Quoi ? L'éternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.

Rimbaud

sábado, 25 de junho de 2011

Os meus franceses - 145

SENSATION

Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue :
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.

Je ne parlerai pas, je ne penserai rien,
Mais l'amour infini me montera dans l'âme ;
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la Nature, heureux- comme avec une femme.

Arthur RIMBAUD

Oiçam este poema que Rimbaud escreveu aos 16 anos, cantado por Robert Charlebois (que faz hoje 67 anos) aqui: http://youtu.be/fjzlT_x0LaY

domingo, 12 de dezembro de 2010

A minha última aquisição...


xxxxxxParis: Librio, 2010

A minha última aquisição não foi uma compra, foi um presente. Foi a minha leitura, esta madrugada, e dele retirei este poema de Rimbaud, um dos meus poetas.
Gosto desta colecção, de que também tenho 100 héros de la litterature, ofertado pelo mesmo amigo. Os heróis da literatura até poderiam dar uma boa série do Prosimetron, colaborada por todos: cada um escolheria e falaria do seu herói literário. Aqui fica o desafio. A palavra e o arranque ao nosso director!


http://www.clg-silve.ac-aix-marseille.fr/spip/IMG/image/GrandeOurse.jpg

MA BOHÈME

xxxxxxxxxxxxxxxxxxxxx(fantasie)

Je m'en allais, les poings dans mes poches crevées;
Mon paletot aussi devenait idéal;
J'allais sous le ciel, Muse! et j'étais ton féal;
Oh! là! là! que d'amours splendides j'ai rêvées!

Mon unique culotte avait un large trou.
- Petit-Poucet rêveur, j'égrenais dans ma course
Des rimes. Mon auberge était à la Grande-Ourse.
- Mes étoiles au ciel avaient un doux frou-frou

Et je les écoutais, assis au bord des routes,
Ces bons soirs de septembre où je sentais des gouttes
De rosée à mon front, comme un vin de vigueur.

Où, rimant au milieu des ombres fantastiques,
Comme des lyres, je tirais les élastiqes
De mes souliers blessés, un pied près de mon coeur!

Arthur Rimbaud

sábado, 24 de abril de 2010

"Délicatesse", um afecto que aprecio.

Esta crónica foi escrita por João Bénard da Costa a lembrar um amigo, Fernando Azevedo. A palavra délicatesse para recordar o amigo tornou este pedaço de prosa um pensamento a reter.

Fernando Azevedo, Fotografia retirada do livro que está referenciado.

"Ninguém deu mais e melhor a ver (o que eu aprendi com ele, quando orientava as visitas guiadas às exposições da Gulbenkian), ninguém escreveu melhor sobre os melhores e mais novos, ninguém organizou ou promoveu mais exposições individuais de artistas, mais monografias de pintores. Morreu sem que se tenha feito uma grande retrospectiva sobre a sua obra, sem que exista um só volume consagrado a ele. Ninguém fez mais pelos outros. Sobre ninguém, com o tamanho dele, se fez tão pouco. nunca o ouvi queixar-se.
Mas não era modéstia não. Pensando mais, pensando melhor, a única palavra que me ocorre é délicatesse, no sentido de Rimbaud no verso célebre. «Par délicatesse/j'ai perdu ma vie»."

João Bénard da Costa, Crónicas: Imagens Proféticas e Outras, Lisboa: Assírio & Alvim, 2010, p. 53

Chanson de la plus haute tour

Oisive jeunesse
A tout asservie,
Par délicatesse
J'ai perdu ma vie.
Ah ! Que le temps vienne
Où les coeurs s'éprennent.

Je me suis dit : laisse,
Et qu'on ne te voie :
Et sans la promesse
De plus hautes joies.
Que rien ne t'arrête,
Auguste retraite.

J'ai tant fait patience
Qu'à jamais j'oublie ;
Craintes et souffrances
Aux cieux sont parties.
Et la soif malsaine
Obscurcit mes veines.

Ainsi la prairie
A l'oubli livrée,
Grandie, et fleurie
D'encens et d'ivraies
Au bourdon farouche
De cent sales mouches.

Ah ! Mille veuvages
De la si pauvre âme
Qui n'a que l'image
De la Notre-Dame !
Est-ce que l'on prie
La Vierge Marie ?

Oisive jeunesse
A tout asservie,
Par délicatesse
J'ai perdu ma vie.
Ah ! Que le temps vienne
Où les coeurs s'éprennent !

Arthur Rimbaud

Nota - Alterei o post às 19;10h porque dei voltas e voltas e não consegui descobrir, com a certeza absoluta, um quadro de Fernando de Azevedo. Vou ter que arranjar um livro sobre ele.

domingo, 10 de janeiro de 2010

À volta de Rimbaud!

Verlaine e Rimbaud em Londres. Desenho de Félix Régamey.
Henri Fantin-Latour, Um Canto da Mesa, 1872

Óleo sobre tela, 160 × 225 cm, Museu D'Orsay, Paris
x
Sentados, a partir da esquerda, os poetas simbolistas Paul Verlaine, Arthur Rimbaud, Léon Valade, Ernest d'Hervilly e Camille Pelletan ; em pé, em segundo plano: Pierre Elzéar, Emile Blémont et Jean Aicard,
x
L'ETERNITÉ
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Elle est retrouvée.
Quoi? – L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.
x
Âme sentinelle,
Murmurons l'aveu
De la nuit si nulle
Et du jour en feu.
x
Des humains suffrages,
Des communs élans
Là tu te dégages
Et voles selon.
x
Puisque de vous seules,
Braises de satin,
Le Devoir s'exhale
Sans qu'on dise: enfin.
x
Là pas d'espérance,
Nul orietur.
Science avec patience,
Le supplice est sûr.
x
Elle est retrouvée.
Quoi? – L'Eternité.
C'est la mer allée
Avec le soleil.
x
Arthur Rimbaud (Mai 1872)

sexta-feira, 17 de julho de 2009

As Pontes...quando a prosa é poesia!


AS PONTES

Céus de cristal cinzento. Um bizarro traçado de pontes, bombeadas, umas, outras, rectilíneas, outras descendo e obliquando em arco sobre as primeiras, e multiplicando-se todas estas linhas pelos outros circuitos do canal, tão longas todas e aeroladas, que as margens, repletas de cúpulas, se afundam e minimizam. Algumas destas pontes ainda ostentam ruínas. Outras suportam mastros, sinais, frágeis parapeitos. Acordes menores cruzam-se e desaparecem: sobem cordas pelas ribanceiras. Distingue-se um fato vermelho, talvez outras roupas e instrumentos de música. São canções populares, restos de concertos senhoriais, reminiscências de hinos?
A água é cinzenta e azul, larga como um braço de mar.
Um raio branco, tombando do alto do céu, aniquila esta comédia.

Jean –Arthur Rimbaud, Iluminações – Uma Cerveja no Inferno (tradução de Mário Cesariny), Lisboa: Assírio & Alvim, p.45

Será que também tem uma ponte preferida?

A minha é a de Sant'Angelo, Roma.

terça-feira, 23 de junho de 2009

Rimbaud


Frente ao edifício da Biblioteca Nacional de França - site Arsenal.
Escultura de Blanchet Tondeur, 1985.

Sensation

Par les soirs bleus d'été, j'irai dans les sentiers,
Picoté par les blés, fouler l'herbe menue:
Rêveur, j'en sentirai la fraîcheur à mes pieds.
Je laisserai le vent baigner ma tête nue.

Je ne parlerai pas, je ne penserai rien:
Mais l'amour infini me montera dans l'âme,
Et j'irai loin, bien loin, comme un bohémien,
Par la Nature, - heureux comme avec une femme.

Rimbaud

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

Ouvir Rimbaud


Toda a poesia de Rimbaud em 12 cd. Rimbaud. L' intégrale de l' oeuvre poétique, Thélème, 65 euros.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Biografias, autobiografias e afins - 2

Na sequência da lembrança pela nossa MR do aniversário de Arthur Rimbaud, aqui fica a notícia sobre a mais recente biografia escrita por Edmund White que, depois de se ter dedicado brilhantemente a Proust e a Genet, optou por nos dar agora a vida deste poeta-aventureiro, ídolo de sucessivas gerações de poetas e amantes da poesia.
O livro é recente, ainda não o vi em terras lusas, mas com a toda a certeza está já disponível pela net. A editora é a Atlas&Co.

Rimbaud na voz de Léo Ferré

No dia em que se completam 154 anos sobre o nascimento de Rimbaud.

Léo Ferré - Les assis (Bobino 1969)


LES ASSIS

Noirs de loupes, grêlés, les yeux cerclés de bagues
Vertes, leurs doigts boulus crispés à leurs fémurs,
Le sinciput plaqué de hargnosités vagues
Comme les floraisons lépreuses des vieux murs;

Ils ont greffé dans des amours épileptiques
Leur fantasque ossature aux grands squelettes noirs
De leurs chaises ; leurs pieds aux barreaux rachitiques
S'entrelacent pour les matins et pour les soirs!

Ces vieillards ont toujours fait tresse avec leurs sièges,
Sentant les soleils vifs percaliser leur peau
Ou, les yeux à la vitre où se fanent les neiges,
Tremblant du tremblement douloureux du crapaud.

Et les Sièges leur ont des bontés : culottée
De brun, la paille cède aux angles de leurs reins;
L'âme des vieux soleils s'allume emmaillotée
Dans ces tresses d'épis où fermentaient les grains.

Et les Assis, genoux aux dents, verts pianistes,
Les dix doigts sous leur siège aux rumeurs de tambour,
S'écoutent clapoter des barcarolles tristes,
Et leurs caboches vont dans des roulis d'amour.

- Oh ! ne les faites pas lever ! C'est le naufrage...
Ils surgissent, grondant comme des chats giflés,
Ouvrant lentement leurs omoplates, ô rage!
Tout leur pantalon bouffe à leurs reins boursouflés.

Et vous les écoutez, cognant leurs têtes chauves
Aux murs sombres, plaquant et plaquant leurs pieds tors,
Et leurs boutons d'habit sont des prunelles fauves
Qui vous accrochent l'oeil du fond des corridors!

Puis ils ont une main invisible qui tue:
Au retour, leur regard filtre ce venin noir
Qui charge l'oeil souffrant de la chienne battue,
Et vous suez pris dans un atroce entonnoir.

Rassis, les poings noyés dans des manchettes sales,
Ils songent à ceux-là qui les ont fait lever
Et, de l'aurore au soir, des grappes d'amygdales
Sous leurs mentons chétifs s'agitent à crever.

Quand l'austère sommeil a baissé leurs visières,
Ils rêvent sur leur bras de sièges fécondés,
De vrais petits amours de chaises en lisière
Par lesquelles de fiers bureaux seront bordés;

Des fleurs d'encre crachant des pollens en virgule
Les bercent, le long des calices accroupis
Tels qu'au fil des glaïeuls le vol des libellules
- Et leur membre s'agace à des barbes d'épis.

Arthur Rimbaud
In: Poésies 1870-1871