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quinta-feira, 10 de outubro de 2019

Leituras no Metro - 1039

Lisboa: Tinta da China, 2019

«Em 1958, em plena ditadura, as eleições preparavam-se para ser mais uma encenação para manter aparências. Mas, ao contrário do que Salazar desejaria, a corrida para a presidência da República foi um agitar sem precedentes das águas paradas do Estado Novo: Humberto Delgado, um homem do regime e militar no ativo, juntou-se à oposição e candidatou-se, apesar da censura, das intimidações da PIDE e do desfecho previsível e condicionado nas mesas de voto.
«Influenciado pelos anos que viveu nos EUA, o "General sem Medo" lançou-se numa campanha com um profissionalismo comunicacional inédito no país, de aproximação às pessoas, com slogans e soundbites que perduraram muito além do período eleitoral – como "Obviamente, demito-o" ou "o medo acabou" –, e encheu praças e auditórios pelo país numa onda de entusiasmo democrático há muito apagado. Como este livro reconstitui, a campanha de Humberto Delgado foi um verdadeiro 'terramoto político', e a maior ameaça que o Estado Novo enfrentou nos seus 40 anos de existência.» (Da contracapa)
Um bom livro, baseado numa boa investigação. Acho dispensável o capítulo inicial, «O contexto político do Estado Novo», que me parece fraco e chato, não adiantando nada ao livro. Até pode levar algum leitor a não continuar a leitura.

quarta-feira, 11 de abril de 2018

A arte do retrato - 239


Não conhecia este retrato de Augusto de Beauharnais, duque de Leuchtenberg, duque de Santa Cruz ( Brasil ), primeiro príncipe consorte de Portugal e cuja morte precoce e inesperada foi a primeira tragédia familiar dos últimos Braganças.
A tela é do pintor bávaro George Dury, cuja vida passou também da Velha Europa para a jovem América, datada de 1825 e que se encontra na Pinacoteca do Estado de São Paulo, Brasil . Um belo retrato do primeiro marido da nossa D.Maria II.

quinta-feira, 17 de agosto de 2017

Um símbolo trágico



Inaugurado em 1863, o Colégio de São Fiel, em Louriçal do Campo, foi um dos florões da Companhia de Jesus até 1910 quando foi confiscado pela República. Veio depois o uso estatal, como " reformatório para jovens corrigíveis " , até aos anos 70, e mais tarde o abandono e a degradação. Ia agora integrar o programa REVIVE, se não tivesse ardido completamente há 2 dias. Um símbolo trágico deste país desgraçado, descoordenado, ardido, desprotegido.

segunda-feira, 11 de abril de 2016

Novidades


É a versão portuguesa da obra mais recente do britânico Roger Crowley sobre os Descobrimentos portugueses, e é apresentada amanhã , no Padrão dos Descobrimentos, por Guilherme d' Oliveira Martins .

(...) Vasco da Gama conseguiu ligar o Atlântico ao Índico. E os portugueses foram construindo um império que se estendia da Europa à China, ao Japão, ao Brasil... Passou a poder fazer-se comércio entre todas essas paragens. Foi mesmo o início de um mundo global.

- Excerto da entrevista do autor na revista Visão .

quarta-feira, 9 de março de 2016

Segunda de Março


 Um dos momentos mais simbólicos de hoje será aquele em que o presidente cessante transmite ao seu sucessor a Banda das Três Ordens, condecoração privativa do Presidente da República Portuguesa desde os anos 60 do século passado . Mas convém esclarecer que nisto, como em tantas outras coisas, a República foi muito " copiona ", tendo recriado em 1918 como insígnia do Chefe de Estado a dita Banda das Três Ordens ( Cristo, Avis e Santiago da Espada ) criada em 1789 por D.Maria I para que os reis de Portugal pudessem usar simultaneamente as insígnias das três velhas ordens sem privilegiar ou esquecer nenhuma. Esta é a insígnia original, e está na colecção do Palácio Nacional da Ajuda :

quarta-feira, 2 de dezembro de 2015

Novidades

Uma obra que faltava , pelo que é de saudar esta edição do Círculo de Leitores coordenada pelo casal de historiadores Isabel e Paulo Drumond Braga. São 600 páginas onde se fala de animais de caça, de trabalho, de companhia, de touradas e rebanhos, bem como da presença de todas estas categorias na arte portuguesa.

sábado, 21 de novembro de 2015

HOJE


Não tenho por hábito divulgar aqui eventos que organizo, mas abro uma excepção pelo carácter mais abrangente deste . É que quarenta anos passados sobre a consagração do semipresidencialismo pela Assembleia Constituinte de 1975, e a escassos dois meses sobre mais uma eleição presidencial, não pode ser mais oportuno discutir o modelo que temos e quais as alternativas eventualmente mais adequadas .
A minha preferida já sabem qual é ... :)

quinta-feira, 19 de novembro de 2015

quinta-feira, 12 de novembro de 2015

Novembro Quente - 3



12 de Novembro de 1975 - Os trabalhadores da construção civil e outros adeptos da " democracia popular " cercam a Assembleia da República, sequestrando o Governo e os deputados. Só no dia seguinte, com a intervenção do Regimento de Comandos , é levantado o cerco . Dois pormenores curiosos que mostram bem a dinâmica daqueles dias : só os deputados do PCP e do MDP/CDE são alimentados durante as longas horas do cerco , e o " milagre " de ver alguns supostos " deficientes das Forças Armadas " levantarem-se das cadeiras de rodas e correrem rua abaixo quando os comandos carregaram ...

sábado, 7 de novembro de 2015

terça-feira, 28 de abril de 2015

Citações


(...) após o 11 de Março as anunciadas eleições para a Constituinte estiveram em perigo efetivo, pois sobretudo um setor de militares de extrema-esquerda, ou assim ditos, então com muita força, a elas se opunha. E para a sua realização, sem prejuízo de outros importantes contributos, mormente do que viria a constituir o " Grupo dos Nove ", em particular Vasco Lourenço, foi decisiva a intervenção do Presidente da República, Costa Gomes . Isto mesmo e - entre reais ou aparentes flutuações para manter os equilíbrios possíveis - o papel essencial que teve ainda para ser evitada uma guerra civil, no Verão Quente de 1975, foi reconhecido nas suas Memórias por Freitas do Amaral, líder do partido então mais à direita, e também membro do Conselho de Estado. (...)

- José Carlos de Vasconcelos, na Visão .

Não tenho especial apreço por Costa Gomes, mas ainda assim reconheço que a sua inteligência política era muito superior à de Spínola, para o bem e para o mal ...

sábado, 25 de abril de 2015

Números


A bem escolhida vinheta do nosso JP sugeriu-me estes números : os resultados da histórica eleição de há precisamente 40 anos, a eleição da Assembleia Constituinte . A primeira eleição verdadeiramente livre, com cadernos eleitorais actualizados, e uma afluência massiva ( quase 92 % ) até porque partidos para escolher não faltavam ...
Números que foram também uma grande surpresa, provando que as ruas e as urnas não são a mesma coisa ...

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Leituras no Metro - 208

Lisboa: Bertrand, 2014

Estive a ler este livro de Cecília Honório, atualmente deputada do BE, sobre algumas das raparigas que integraram o MUDJuvenil e a sua luta contra a Ditadura. Mulheres como Maria Barroso e Margarida Tengarrinha, as únicas que chegaram a deputadas depois do 25 de Abril; ou Isaura Silva, enfermeira, que protagonizou a luta pelo direito das enfermeiras a poderem casar. Uma coisa insólita numa sociedade moralista: não era permitido às enfermeiras casar; o mesmo se passava com as telefonistas, hospedeiras da TAP e funcionárias do MNE. 
Este livro lê-se bem.

terça-feira, 11 de novembro de 2014

Novidades

 Dois livros lançados recentemente : - o primeiro é um romance histórico ( " uma viagem no tempo que tem como ponto de partida a Sociedade de Geografia de Lisboa e a casa em ruínas do explorador Serpa Pinto em Cinfães do Douro. Um romance repleto de aventura, mistérios e conspirações, que nos leva à África do século XIX " - diz a nota editorial )
- o segundo abarca os seis séculos da expansão portuguesa, da conquista de Ceuta, em 1415, até 1999 e à entrega de Macau à China. Uma obra colectiva, com coordenação de João Paulo Oliveira e Costa.

segunda-feira, 20 de outubro de 2014

D.Amélia - Amanhã na Ferin


Não tenho por hábito falar nestas páginas de eventos em que colaboro, mas abro uma excepção desta vez dando a conhecer este evento de amanhã ao final à tarde. A greve de 24 horas ( !!! ) do Metro não ajuda, mas penso que valerá a pena a deslocação. Há rainhas e rainhas, mas esta foi uma grande mulher e uma grande rainha, pela fundação determinada da Assistência Nacional aos Tuberculosos, do Instituto de Socorros a Náufragos, do Dispensário de Alcântara e de tantas outras obras em Portugal e no estrangeiro ( ainda conseguiu ser enfermeira durante a Primeira Guerra Mundial, acabando condecorada pelo Rei de Inglaterra ). Deu sempre mais do que recebeu, e mesmo em 1945 quando voltou a Portugal não se foi embora sem deixar 500 contos a Salazar que logo os fez depositar no Banco de Portugal.
 Esta biografia da autoria do José Alberto Ribeiro  lê-se dum fôlego e vale muito a pena.

sábado, 23 de agosto de 2014

Cavaquismo...



Comparável, em tantos aspectos, ao Fontismo oitocentista, o Cavaquismo caracterizou-se sobretudo por uma política de fomento económico e de saneamento financeiro, visando a modernização do País e a sua integração numa Europa comunitária em que Portugal não ocupasse o último lugar. 
Para esse efeito, empenhou-se no desenvolvimento das infra-estruturas de comunicação e transportes [...].
Cavaquismo tocou ainda aspectos da vida nacional, nomeadamente nas áreas do turismo, do saneamento básico, da concertação social, da construção de novos fogos e estabelecimentos de ensino, etc. A política de liberalização esteve na base de todo o sistema com sucessivas e sistemáticas desprivatizações, hostilizando-se por princípio toda e qualquer estatização. 
Cavaquismo não foi, todavia, acompanhado por um sentido humanista de governo nem por uma política cultural digna do nome. Tentou-se uma ampla reforma do ensino com premissas reaccionárias e resultados dúbios, onde o tecnicismo e cientismo predominaram, clara e excessivamente, sobre as disciplinas de carácter social e humano.
A tentação do autoritarismo despótico e a tendência para o clientelismo e para a confusão entre Estado e partido governante caracterizaram também o período de 1985-95, nomeadamente o seu último mandato. Voltaram à tona, abertamente protegidos e defendidos ou simplesmente tolerados pelo poder, valores muito típico do «Estado Novo» e do reaccionarismo católico, esquecendo-se ou omitindo-se muitos dos princípios da revolução de 25 de Abril e, de uma maneira geral, do esquerdismo socialista e socializante. Nesta medida, o Cavaquismo representou bem a síntese entre Marcelismo pré-1974 e o revolucionarismo dos primeiros anos posteriores ao 25 de Abril.
Breve História de Portugal, 8.ª ed, Lisboa, Presença, 2012, p. 721-722

A. H. de Oliveira Marques nasceu a 23 de agosto de 1933, morreu aos 73 anos.

O Historiador tem de estar atento ao seu dia a dia, tem de participar no colectivo, mas tem de ser rigoroso e isento. 

terça-feira, 20 de maio de 2014

D. Pedro, o das Sete Partidas

Túmulo do Infante D. Pedro, o das Sete Partidas (Capela do Fundador, Mosteiro da Batalha).
No dia aniversário da sua morte ocorrida no campo da Batalha de Alfarrobeira, a 20 de Maio de 1449
Nasceu em Lisboa, no dia 9 de Dezembro de 1392. Faleceu com 57 anos de idade.
Muitos tornaram-se grandes de Portugal justamente pela obra volumosa que legaram. Ao Infante das Sete Partidas, todavia, de superior formação cultural e inteligência, bastaria a sua magnífica Carta de Bruges, redigida em 1426, e verdadeiro testamento político para um Portugal de futuro, para se configurar no pórtico da glória dos imortais da pátria portuguesa.


Saúl António Gomes em Facebook


Meditação do Infante Dom Pedro

A grandeza da pátria que procuram
nos mares nas descobertas nas conquistas
tudo há-de perecer. Do passado farão
única força se o presente a não tem.
Do futuro dirão que desconhecem.
Por ele hei-de morrer. Por outra
tal grandeza que reviva na alma
mais que no corpo e fundamente
que o meu sonho não morra inutilmente.


João Mattos e Silva, Memória(s), 1986