A nossa vinheta refere-se à exposição de Joaquín Sorolla que está no MNAA até final do mês. Vão vê-la que é muito boa, pelo menos eu achei, mas sou fã deste pintor.
Esta exposição organizada pelo MNAA em parceria com o Museo Sorolla, Madrid, e comissariada por Carmen Pena, apresenta 118 pinturas de Joaquín Sorolla pertencentes à coleção daquele Museu e outras provenientes de coleções particulares.
Trata-se de uma versão aumentada da exposição de 2016, Sorolla Tierra Adentro, que, em Madrid, mostrou como Sorolla deu a conhecer novas versões das diversas paisagens espanholas, dotando-as de um novo sentido e significado.
Predominam na mostra as paisagens que o mestre espanhol do ar livre e da luz intensa executou nas suas viagens pela Espanha da viragem do século XIX para o século XX, desde a sua Valência natal até ao País Basco e à Andaluzia, participando num movimento cultural que procurava dar uma outra imagem do país, alheada da representação historicista de glórias passadas e encontrando-a na pura paisagem, tanto das regiões da periferia peninsular como dos campos da Mancha ou de Castela e seus monumentos.
A seleção de peças contempla também algumas pinturas fundamentais da sua “imagem de marca”: as cenas de beira-mar em praias do Levante, com as brincadeiras estivais de crianças e jovens veraneantes e a faina dos pescadores das costas de Valência.
Uma oportunidade para conhecer (melhor) Sorolla, um dos grandes vultos da moderna pintura europeia. Até 31 de março de 2019 no MNAA.
O Museo Thyssen-Bornemisza organizou em colaboração com o Museo Sorolla, uma exposição que analisa a influência da moda na obra de Joaquín Sorolla. A exposição desenrola-se nos dois museus madrilenos. Comisariada por Eloy Martínez de la Pera, a mostra reúne cerca de 70 pinturas, procedentes de museus e coleções particulares, algumas das quais nunca tinham sido expostas publicamente, assim como acessórios e vestidos da época.
Grande apaixonado pela moda, Sorolla é o cronista perfeito das mudanças na tendência e no estilo da indumentaria de finais do século XIX a princípios do século XX.
La exposição que pode ser vista até 27 de maio dedica especial atenção aos retratos femininos que o pintor realizou entre 1890 e 1920.
Joaquín Sorolla e D. Alfonso XIII, Casa Museu Joaquín Sorolla
Legenda: 1.D. Afonso XIII conversando com o grande pintor Sorolla no seu estúdio, acompanhado pelos marqueses de Viana y de la Vega-Inclán; 2. Os Reis visitando a exposição Beruete, instalada no estúdio de Sorolla; 3. SS. MM. o Rei e a Rainha Victória surpreendidos pela máquina fotográfica, num momento da visita que fizeram ao estúdio de Sorolla.
El Greco - Jesus é despojado das suas vestes (pormenor), ca 1577-1579
Projeto especificamente concebido para o MNAA, Colección Masaveu. Grandes Mestres da Pintura Espanhola Greco, Zurbarán, Goya, Sorolla traz a Portugal uma seleção do extraordinário espólio reunido no decurso de três gerações por uma família referencial do tecido económico do país vizinho, distinta também pela sua relevante ação cultural.
O conjunto das 60 obras aqui expostas identifica aspetos fundamentais da história da pintura espanhola, do século XV ao século XX, por intermédio dos seus protagonistas de referência. Greco, Zurbarán, Goya e Sorolla são apenas quatro nomes incontornáveis num percurso que, de Gallego a Ribera ou de Murillo a Fortuny, entre muitos outros, se desdobra de forma fascinante por quase cinco séculos.
Dando especial destaque ao chamado Siglo de Oro, a Coleção Masaveu congrega peças provenientes das mais notáveis pinacotecas de Espanha, como a coleção real, ou a coleção do Infante Sebastião Gabriel de Bourbon e Bragança, neto de D. João VI de Portugal. O núcleo dedicado a Joaquín Sorolla, com obras de todas as temáticas tratadas pelo grande pintor da luz, é outro dos pontos fortes desta coleção. Por essa razão, também Sorolla ocupa nesta mostra um especial destaque.
(Do site do MNAA)
El Greco - Santa Maria Madalena, 1597
Goya - Espetar as bandarilhas
Sorolla - O regresso da pesca, 1895
Sorolla - O regresso da pesca, 1908
Foi ontem ver a exposição que encerra amanhã. Gostei dos Greco, Goya e Sorolla. e de mais alguns. :) Até gostei de um Zurbarán, pintor que não é mito do meu agrado.
Fiquei com vontade de visitar a Fundación Masaveu, em Oviedo.
Não há postais nem marcadores de livros e não se podem tirar fotos.
Este vídeo é de uma exposição diferente que esteve no Centro Centro, na Praça Cibeles, em Madrid.
O Museu de Belas Artes Gravina (MUBAG), em Alicante, acolhe até outubro a exposição Sorolla, fiesta y color. Una mirada etnográfica.
A exposição pretende chamar a atenção sobre uma faceta de Sorolla como pintor e como colecionista, mostrando pela primeira vez pinturas e peças que Sorolla colecionou e que se conservam nol Museu Sorolla ou que foram recentemente doadas pela família.
Esta exposição esteve anteriormente no Museu Sorolla de Madrid.
Estas férias não vi uma exposição que me acalentaria muito, era de Sorolla.
O horário da exposição era um pouco absurdo (18 horas). Não pude ficar para o dia seguinte. Deixo, no entanto, uma tela com uma das fainas que ele retratou.
Joaquín Sorolla (1863-1923) é considerado um dos nomes mais importantes do impressionismo espanhol.Começou a sua carreira como um pintor académico, tendo depois experimentado a pintura de muitas escolas modernistas do seu tempo. Dono de uma técnica notável, foi também um excelente retratista, e ficou conhecido pelo Pintor da Luz, pela luz que é patente nos seus quadros, nomeadamente os que retratam as praias e o mar.
Aqui ficam três quadros que bem o caracterizam.
O Museu do Prado dedicou-lhe em 2009 uma grande exposição.
Joaquin Sorrolla y Bastida - Court of the Dances, Alcázar, Sevilla Col. particular
Joaquin Sorrolla y Bastida - Corner of the Garden, Alcázar, Sevilla Col. particular
Magnifico es el Alcázar Con que se ilustra Sevilla, Deliciosos sus jardines, Su excelsa portada rica. [...] Las adelfas y naranjos Forman calles extendidas, Y un oscuro laberinto Que a los hurtos de amor brinda. [...] En las tardes del estío, Cuando al ocaso declina El sol entre leves nubes, Que de oro y grana matiza;
Aquel trasparente cielo Con ráfagas purpurinas, Cortado por un celaje Que el céfiro manso riza;
Aquella atmósfera ardiente En que fuego se respira, ¡Qué languidez dan al cuerpo! ¡Qué temple al alma divina! [...]
Duque de Rivas (1791-1865) De «El Alcázar de Sevilla: Romance primero»
quinta-feira, 12 de agosto de 2010
«Algunos escritores aumentan el número de lectores; otros sólo aumentan el número de libros.»
O que talvez melhor sintetize a poesia de Juan Ramón Jimenez (1881-1958) é a sua constante evolução e aperfeiçoamento, ao longo da vida do poeta. Ou uma ascese até “Dios Deseado y Deseante”- seu último conjunto de poemas. Mas desenganemo-nos, porque Jimenez não é um poeta religioso. Das suas “…três vocações declaradas – a mulher, a obra, a morte” – como ele referiu, Deus está arredado. Ou é apenas um símbolo e um motivo irradiante. Muito mais despojado e imaterial do que o foi na poesia de S. Juan de la Cruz e Sta. Teresa de Ávila. O misticismo de Juan Ramón Jimenez é um misticismo laico ( um pouco à maneira de José Régio) e descarnado (“Raízes e asas. Mas que as asas ganhem raízes / e as raízes voem.”). De um rigor e austeridade extremos, o sentido crítico do Poeta exerce-se implacavelmente em tudo aquilo que escreveu e, incessantemente, corrigiu em sucessivas antologias que foi publicando. A sua preocupação sempre foi atingir o “essencial” ( evitando os “borradores silvestres” juvenis) ou, para usar ainda palavras dele: “Bendito el llamado defecto, que no lo es, y que nos salva de la odiosa perfección” e “Ningún dia sin romper un papel…Mi mejor obra es mi constante arrependimiento de mi Obra”. Não se pense, no entanto, que a sua obra é seca e árida: estão aí “Platero y yo” (1914) e “Diário de un Poeta Reciencasado” de 1916 para provar o contrário e mostrar a capacidade do seu humor e ironia nos comentários, bem dispostos, que faz aos Estados Unidos da América – no último dos livros referidos. Porque os seus derradeiros livros são mais complexos e interagem no seu todo, através duma longa respiração de leitura – a exemplo das obras de Saint-John Perse, ou algum Eliot – privilegiei a tradução de poemas mais curtos do início da maturidade de Juan Ramón Jimenez, onde o lirismo tem um papel preponderante.
TU
Passam todas verdes, rubras…
Tu estás mais além, branca.
Todas barulhentas, ácidas…
Tu estás mais além, plácida.
Passam manhosas, levianas…
Tu estás mais além, casta.
Quadro de Picasso
A sua musa principal identificou-se, a partir do casamento (1916), com a mulher Zenobia Camprubi (1887-1956) que, quando J. R. Jimenez recebeu a notícia do Nobel, em 1956, já se encontrava moribunda e viria a falecer poucos dias depois. O Poeta na altura disse: “…el Premio Nobel me apena profundamente. Yo cuanto a mí, no tengo nada que decir”. Seguem-se dois anos de viuvez e recolhimento em Porto Rico, onde habitava havia tempo, num estado depressivo acentuado que estava já longe da plenitude e beleza lírica que produziram, por exemplo:
LUA CHEIA
A porta está aberta;
O grilo cantando.
Andarás tu nua
Pelo campo?
Como que água eterna
Por tudo entra e sai.
Andarás tu nua
Pelo ar?
A segurelha não dorme,
A formiga trabalha.
Andarás tu nua
Pela casa?
Era a altura de acabar a obra. Ou como ele disse, e para sempre, em “O Poema”: “Não lhe toques mais / porque é assim a rosa!”.
P. S. : A JAD, pela atenção e gentileza. Com amizade.