Ontem comprei esta pequena agenda para 2014 com citações de António Lobo Antunes, extraídas dos seus Livros de crónicas. Escolhi a do dia 20 de novembro: «E havia Bach, parecido com a estátua do Marquês de Pombal nos caracóis postiços e nos duplos queixos, a fitar-me um pouco de lado numa severidade de estadista.»
Foi recentemente lançado o novo disco "Spheres" de Daniel Hope, violinista inglês nascido em Durban, em 1973. Toca composições de Lera Auerbach., Johann Sebastian Bach,Alex Baranowski, Ludovico Einaudi, Gabriel Fauré,· Philip Glass, Karsten Gundermann, · Aleksey Igudesman, Karl Jenkins, Elena Kats-Chernin, Michael Nyman, Arvo Pärt, Gabriel Prokofiev, Max Richter e Johann Paul von Westhoff.
Em meados de 1723, J. S. Bach assumira a posição de director musical de Leipzig e o cargo de “Kantor” na igreja de S. Tomás (na imagem) desta cidade. Como última de seis cantatas, compostas durante o primeiro Natal em que Bach exerceu estas funções, figura a magnífica cantata 65 (BWV 65) “Sie werden aus Saba alle kommen”, o que, na tradução litúrgica portuguesa, significa “Virão todos os de Sabá”. Estreada no dia 6 de Janeiro de 1724, esta obra inspirou-se na liturgia da Epifania, designadamente, na profecia de Isaías (Isaías, 60, 1 – 6): “Levanta-te, acende as luzes, Jerusalém, porque chegou a tua luz, apareceu sobre ti a glória do Senhor. …. Será uma inundação de camelos e dromedários de Madiã e Efa a cobrir-te; virão todos os de Sabá, trazendo ouro e incenso e proclamando a glória do Senhor”.
Ainda antes de G. F. Händel imortalizar o seu fascínio pela Rainha e pelo Reino de Sabá, situado hoje no Iémen, na oratória Salomão em 1749 e criar com The Queen of Sheba um “bestseller” barroco, Bach converteu este reino num ponto de partida para uma peregrinação de todos os povos: daí todos provêm, não apenas os magos com os seus presentes de ouro (símbolo de fé), incenso (símbolo de oração) e mirra (símbolo de paciência ou perseverança), mas sim todos os reis e todos os anónimos, constituindo um cortejo infindável a caminho de Belém. A composição em compasso 12/8 e numa escala musical em ordem crescente convida o ouvinte a aderir ao cortejo. Ao prelúdio orquestral, introduzido por Corni da Caccia, sucedem as vozes do coro com o mesmo dinamismo e entusiasmo. O cortejo parece aumentar gradualmente.
Para iniciar este dia da Epifania (Manifestação do Senhor), segue um registo do primeiro andamento desta cantata, interpretado pelo Coro e a Orquestra Bach de Munique sob a direcção de Karl Richter e gravado na capital bávara em Fevereiro de 1967.
Achei curiosa a referência recente da nossa M.R. a Versalhes, porque eu também "programei" uma visita ao glorioso palácio francês mas para hoje, mais propriamente à chapelle royale para ouvir a Missa em si de Bach pelo ensemble do checo Vaclav Luks. Na falta destes, ouçamos os Musiciens du Louvre dirigidos por Minkowski.
Inicia-se hoje o período pascal que durará durante cinquenta dias, terminando com a solenidade do Pentecostes. Da menos representada Oratória da Páscoa (BWV 249) de Johann Sebastian Bach segue a Sinfonia, num registo lamentavelmente não identificado.
Da Paixão segundo São João (BWV 245) de Johann Sebastian Bach, ouçamos a bela ária Eilt, ihr angefochtnen Seelen (Apressai-vos, almas atormentadas). O solista (baixo) e o coro interagem no seguinte diálogo:
Baixo: Apressai-vos, almas atormentadas, saí do vosso martírio. Apressai-vos... Coro: Para onde? Baixo: Para o Gólgota! Tomai as asas da fé, correi... Coro: Para onde? Baixo: Para a colina da cruz. Lá está a vossa salvação. (Trad. Ofélia Ribeiro)
Nikolaus Harnoncourt dirige o Concentus Musicus, o coro Tölzer Knabenchor e Anton Scharinger (baixo).
Imagem: detalhe do painel "A deposição" de Rogier van der Weyden (1400 - 1464), Museu do Prado, Madrid
O coro da igreja de São Tomás de Leipzig celebra 800 anos de vida. Os primeiros registos da existência da igreja, de um coro e de uma escola de canto datam precisamente de 1212.
Os Thomaner nasceram numa Idade Média profundamente católica, insurgiram-se na Reforma Protestante, viveram a flor da idade com o seu mais célebre Kantor, Johann Sebastian Bach, e amadureceram num século XX, assolado por guerras e um enquadramento político pouco compatível com as raízes cristãs. Continuam vivos e jovens, como nos mostra este excerto do motete BWV 225 "Singet dem Herrn ein neues Lied" (Cantai ao Senhor um cântico novo) da autoria de Bach, cuja obra é inseparável deste magnífico conjunto coral.
Ontem assisti a um recital de harpa na Biblioteca Joanina. O som que ecoava na biblioteca era divinal!
Beatrix Schmidt e Salomé Matos
O programa contava com peças musicais de Bach : Siciliano; de Handel/John Thomas: Gigue; de Armando Leça: Minuete; de Erik Satie: Gymnopedie; de H. René: Les Pins de Charlannes; de M. Tournier: La Valse de la Source; de Debussy: 1º Arabesco; de Liszt: Liebestraum; de Salzedo: Milonga; Tradicional Bolivien: Cueca; Tradicional Argentine: Tutu Maramba; de Pearl Chertók: Half past Two e de Scott Joplin: The Entertainer. [Retirado do programa]
Beatrix Scmidt é húngara e é atualmente professora no Conservatório de Coimbra. Salomé Matos é professora da classe de harpa na Fundação dos Amigos das Crianças.
Um serão magnífico. Lembrei-me do Filipe que nos oferece sempre excelentes postagens musicais.
Retirado do Youtube porque o concerto na Biblioteca Joanina não está gravado.
O coral introdutório da cantata BWV 8 Liebster Gott, wann werd ich sterben (Deus amado, quando irei morrer) de Johann Sebastian Bach representa uma das mais belas inspirações musicais e poéticas do compositor de Eisenach. O domínio do oboé, o acompanhamento discreto das cordas e a presença repetitiva da flauta, testemunham a genialidade e originalidade de Bach. O conjunto instrumental que pretende recriar o som de sinos fúnebres, intercala com passagens vocais em que ouvimos a letra de uma canção do século XVII da autoria de Caspar Neumann com a melodia expressiva de Daniel Vetter que dão origem a esta obra. As duas árias da cantata contrastam, quer musicalmente, quer no seu texto: a primeira, composta para tenor, convida a uma meditação sobre a morte: o espírito não deverá assustar-se, ao aproximar-se a última hora, pois a terra terá de ser o repouso do corpo, para onde milhares seguirão. A segunda ária (para baixo) recorda o andamento final do sexto concerto bradenburguês. Seu movimento alegre reafirma a fé cristã na ressurreição. Da cantata, estreada em Leipzig em Setembro de 1724, segue o coral inicial, interpretado pelo King’s College Choir - um pequeno contributo de reflexão por ocasião do feriado de hoje e do dia de amanhã (Fiéis Defuntos).
Final da Cantata Café, que noutra parte faz o elogio do café do seguinte modo:
Mm, quão doce é o gosto do café,
mais delicioso do que mil beijos,
melhor do que vinho moscatel.
Café, café, devo ter,
e se alguém me quiser dar um tratamento,
dê-me então um café.
(Trad. libérrima)
A 15 de Fevereiro de 1981 falecia Karl Richter aos 54 anos. Com o desaparecimento do grande maestro, terminava uma era única do pós-guerra em que a cidade de Munique detinha o estatuto inquestionável de capital mundial da obra de Bach.
Dirigente do Coro e da Orquestra Bach de Munique e professor catedrático na Faculdade de Música e Teatro, Richter foi um dos maiores intérpretes da História da música clássica, no que se refere ao espólio musical do compositor de Eisenach. Alguns registos continuam referência universal, entre eles, a gravação da Missa em Si Menor num concerto realizado em Tóquio em 1969.
Grandes nomes do canto lírico alemão acompanharam Richter, tais como Fritz Wunderlich, Hermann Prey, Gundula Janowitz e Elisabeth Grümmer.