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domingo, 30 de dezembro de 2018

Respondendo ao desafio de MR, livros que o Pai Natal deixou na minha árvore

Respondendo ao desafio de MR, os livros que recebi no Natal foram uma verdadeira surpresa. 

Clube do Autor,  2017
Imagem relacionada

É um policial passado após a 2ª Guerra Mundial com personagens da Guerra. Estou a ler neste momento.

Quetzal, 2018
Resultado de imagem para atlas de jorge luis borges

Este livro não precisa de apresentações, são poemas e apontamentos de viagem de Jorge Luís Borges

Desassossego, 2018
Resultado de imagem para a bailarina de auschwitz

O livro narra a história de uma sobrevivente de Auschwitz, viver após o caos e obter sucesso. Edith Eger acabou por ser uma psicanalista de sucesso.

Portugália, 2006

Resultado de imagem para Histórias da minha rua

Histórias da minha rua teve a magia de relembrar as ilustrações de Maria Keil que povoaram a infância.

domingo, 25 de agosto de 2013

A nossa vinheta

Uma homenagem a um grande poeta da América Latina, que nasceu no fim do século XIX.

O Apaixonado

Luas, marfins, instrumentos e rosas,
Traços de Dúrer, lampiões austeros,
Nove algarismos e o cambiante zero,
Devo fingir que existem essas coisas.
Fingir que no passado aconteceram
Persépolis e Roma e que uma areia
Subtil mediu a sorte dessa ameia
Que os séculos de ferro desfizeram.
Devo fingir as armas e a pira
Da epopeia e os pesados mares
Que corroem da terra os vãos pilares.
Devo fingir que há outros. É mentira.
Só tu existes. Minha desventura,
Minha ventura, inesgotável, pura.

Jorge Luis Borges, in "História da Noite"
Tradução de Fernando Pinto do Amaral

(do Citador)

domingo, 28 de outubro de 2012

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

"a aurora"

Amadeo Modigliani, detalhe de "Cabeça de uma jovem", 1916




No deserto
acontece a aurora.
Alguém o sabe.

Jorge Luis Borges (cortesia do google)

terça-feira, 24 de maio de 2011

O Gato Branco

Pierre Bonnard - O gato branco
Óleo sobre cartão, 1894
Paris, Musée d'Orsay

BEPPO

El gato blanco y célibe se mira
en la lúcida luna del espejo
y no puede saber que esa blancura
y esos ojos de oro que no ha visto
nunca en la casa son su propia imagen.
¿Quién le dirá que el otro que lo observa
es apenas un sueño del espejo?
Me digo que esos gatos armoniosos,
el de cristal y el de caliente sangre,
son simulacros que concede al tiempo
un arquetipo eterno. Así lo afirma,
sombra también, Plotino en las Ennéadas.
¿De qué Adán anterior al paraíso,
de qué divinidad indescifrable
somos los hombres un espejo roto?

Jorge Luis Borges

quarta-feira, 29 de dezembro de 2010

O Paraíso


http://universitas.usal.es/web/fundacion/postgrado/argentina/biblioteca/Biblioteca_Universidad.jpg

«não será o paraíso uma imensa biblioteca?»
Gaston Bachelard

«O Paraíso é uma biblioteca».
Jorge Luís Borges

(Cit. in Jacques Bonnet - Bibliotecas cheias de fantasmas. Lisboa: Quetzal, 2010, p. 20)

Gosto destas definições de paraíso!

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Dos livros e da leitura - 3

( Não consegui descobrir a autoria da imagem, que já era omissa no blogue onde a encontrei )


Permitem-me que repita que a biblioteca do meu pai foi o facto capital da minha vida? A verdade é que nunca cheguei a sair dela.


-
Jorge Luis Borges


No que me diz respeito, a biblioteca paterna também marcou: desde logo, o gosto comum pelas biografias, gosto que me acompanhou o resto da vida, mas também a história militar, em particular a Segunda Guerra Mundial, com a abundância de livros e revistas sobre esse negro período. Felizmente, o entusiasmo por Rommel, os Panzers e os Stukas foram equilibrados com Patton, Ike e os erros (felizes...) de Estalinegrado...

sábado, 18 de setembro de 2010

Sobre a escrita.

Encontrei este trecho que gostei por causa do sentido da escrita em Borges. Um quase monólogo, tão pertinente que o ouso trazer com a luz do ocaso. Retirado daqui.

Ocaso em Aldeia das Açoteias, Albufeira


Para quem faz crítica literária e gosta de garatujar encómios em vez de panegíricas palavras na averiguação aturada de sinónimos e epítetos. Livreiro anónimo. (acrescentado 8:55h)

"Quando comecei a escrever, pensei que tudo devia ser definido pelo escritor. Dizer, por exemplo, «a lua» era estritamente proibido; era necessário encontrar um adjectivo, um epíteto para a lua. (Claro que eu estou a simplificar as coisas. Sei disso porque escrevi por diversas vezes La luna, mas isto é uma espécie de símbolo que eu fazia.) Bem, eu pensava que tudo tinha de ser definido e que não podiam ser usadas frases com fórmulas comuns. Eu nunca teria dito; fulano de tal entrou e sentou-se, porque isso era demasiado simples e demasiado fácil. Pensei que tinha de encontrar uma forma interessante de o dizer. Agora, descobri que esse tipo de coisas, em geral, é um aborrecimento para o leitor. Mas julgo que a raiz da questão reside no facto de que quando um escritor é jovem sente, de certa forma, que aquilo que vai dizer é bastante tolo ou óbvio, um lugar-comum, e por isso tenta escondê-lo sob uma ornamentação barroca; ou, se não for isso, caso ele se mostre moderno, faz o contrário: põe-se permanentemente a inventar palavras ou a referir-se a aviões, a comboios ou ao telégrafo e ao telefone porque está a fazer tudo o que pode para ser moderno. Depois, à medida que o tempo passa, sentimos que as nossas ideias, boas ou más, devem tentar passar essa ideia ou esse sentimento ou esse estado de espírito para o leitor. Se, ao mesmo tempo, estamos a tentar ser, digamos, um Sir Thomas Browne ou um Ezra Pound, então é impossível. Por isso acho que um escritor começa sempre por ser demasiado complicado – está a jogar diversas partidas em simultâneo. Quer proporcionar um determinado estado de espírito; ao mesmo tempo tem de ser contemporâneo, e se não for contemporâneo, então é um reaccionário e um clássico. Quanto ao vocabulário, a primeira coisa que um jovem escritor decide fazer, pelo menos neste país, é mostrar aos seus leitores que possui um dicionário, que conhece todos os sinónimos de uma palavra […] "
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Jorge Luis Borges em Entrevistas da Paris Review, tinta-da-china 2009

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Em memória de Jorge Luís Borges!

Em memória de Jorge Luís Borges que nasceu a 24 de Agosto de 1899 em Buenos Aires, poeta argentino que muito aprecio.

Jan Van der Heyden, "Room Corner with Curiosities", 1712**
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Museu de Belas Artes, Budpeste, Hungria
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"Al recorrer las pruebas de este libro, advierto con algún desagrado que la ceguera ocupa un lugar plañidero que no ocupa en mi vida. La ceguera es una clausura, pero también es una liberación, una soledad propicia a las invenciones, una llave y un álgebra."
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J.L.B. La Rosa Profunda, Prólogo, Buenos Aires, junio de 1975. * (retirado da net. No livro indicado está no Prólogo p. 79. Gostei mais do excerto em espanhol).
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Do que Nada se Sabe

A lua ignora que é tranquila e clara
E não pode sequer saber que é lua;
A areia, que é a areia. Não há uma
Coisa que saiba que sua forma é rara.
As peças de marfim são tão alheias
Ao abstracto xadrez como essa mão
Que as rege. Talvez o destino humano,
Breve alegria e longas odisseias,
Seja instrumento de Outro. Ignoramos;
Dar-lhe o nome de Deus não nos conforta.
Em vão também o medo, a angústia, a absorta
E truncada oração que iniciamos.
Que arco terá então lançado a seta
Que eu sou? Que cume pode ser a meta?

*Jorge Luis Borges, in "A Rosa Profunda" (1981) Obras Completas III, 1975-1985, Lisboa: Teorema, 1989 (Tradução de Fernando Pinto do Amaral), p.103.

Jan Van der Heyden pintou outras telas com o mesmo tema e com pequenas variações. Achei graça a este canto da sala e julgo que seria um bom ambiente para Jorge Luís Borges que, apesar de cego, viveu rodeado de livros.

segunda-feira, 5 de julho de 2010

Poemas - 11

Ferdinando Scianna(1943-), Jorge Luís Borges em Selinunte, Sicília, 1984.




A UM VELHO POETA

Caminhas pelo campo de Castela

E quase o não vês. Um intrincado

Versículo de João é teu cuidado

E apenas reparaste na amarela



Luz do ocaso. A vaga luz delira

E no confim do leste se dilata

Essa lua de escárnio e de escarlata

Que é porventura o espelho da Ira.



Ergues os olhos para ela. Uma

Memória de algo que foi teu começa

E se apaga. A pálida cabeça



Baixas e segues caminhando triste,

Sem recordar o verso que escreveste:

Seu epitáfio a sangrenta lua.



Jorge Luís Borges,
O Fazedor, 2ªed, trad. de Miguel Tamen, Difel, 1984, p.85.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

In Memoriam de Jorge Luís Borges - "Elegia".

Já faz 24 anos que morreu Jorge Luís Borges, poeta, ensaísta que admiro! Presto a minha homenagem com o poema Elegia, onde o poeta faz uma viagem partindo de Tróia até sua casa.

Elegia

Sem que nnguém saiba, nem o espelho,
ele chorou umas lágrimas humanas.
Não pode suspeitar que comemoram
todas as coisas que merecem lágrimas:
a beleza de Helena, que não viu,
o sempre irreparável rio dos anos,
a mão de jesus Cristo no madeiro
de Roma, as velhas cinzas de Cartago,
o rouxinol dos húngaros e persas,
a ansiedade que aguarda, a breve sorte,
de marfim e de música, Virgílio,
que cantou os trabalhos das espadas,
as configurações de tantas nuvens
de cada novo e singular ocaso
e a manhã que depois será tarde.
Do outro lado de uma porta um homem
feito de solidão, de amor, de tempo,
acaba de chorar em Buenos Aires
todas as coisas.


Jorge Luís Borge, Obras Completas 1975-1985 in "Cifra" (1981), Lisboa, 1998, p.323.

sexta-feira, 23 de abril de 2010

Dia Mundial do Livro - 5


Mestre holandês desconhecido - Natureza morta com livros
Óleo sobre madeira, ca 1628

OS MEUS LIVROS
Os meus livros (que não sabem que existo)
São uma parte de mim, como este rosto
De têmporas e olhos já cinzentos
Que em vão vou procurando nos espelhos
E que percorro com a minha mão côncava.
Não sem alguma lógica amargura
Entendo que as palavras essenciais,
As que me exprimem, estarão nessas folhas
Que não sabem quem sou, não nas que escrevo.
Mais vale assim. As vozes desses mortos
Dir-me-ão para sempre.

Jorge Luis Borges
In: Obras completas. Lisboa: Teorema, 1998, vol. 3, p. 113

Não pude deixar de pensar em duas pessoas que me são muito queridas.

Borges e os livros


Nestes dias que celebram o livro e, consequentemente, a leitura, lembro-me sempre de Jorge Luís Borges. O homem dos livros, das bibliotecas, da leitura até quando já não se pode ler e têm de ler para nós. E neste seu livro, O Fazedor, um dos meus preferidos do grande argentino, há um poema, Limites, que tem estes versos:
Há um espelho que me viu pela última vez.
Há uma porta que fechei até ao fim do mundo.
Entre os livros da minha biblioteca ( estou a vê-los )
Há alguns que nunca abrirei.
São versos que me marcaram e me marcam profundamente. Sobre a brevidade da vida humana e a derivada impossibilidade de lermos tudo o que temos, já para não falar de tudo o que queremos (ler).

segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Evangelhos Apócrifos

No jantar do Prosimetron, em conversa com o Luís, falou-se nos Evangelhos Apócrifos. Lembrei-me de revisitar Jorge Luís Borges e de consultar a sua Biblioteca Pessoal. Nunca li os Evangelhos Apócrifos porque sentia algumas reservas. O cepticismo é por vezes um mau sentimento. O Luís despertou-me o interesse vou ter que procurar estes Evangelhos...

( Não consegui encontrar o autor da fotografia).

"Evangelhos Apócrifos

Ler este livro é regressar de um modo quase mágico aos primeiros séculos da nossa era quando a religião era uma paixão. Os dogmas da Igreja e os raciocínios do teólogo aconteceriam muito depois; o que importou a princípio foi a Nova de que o Filho de Deus fora, durante trinta e três anos, um homem, um homem flagelado e sacrificado cuja morte havia redimido todas as gerações de Adão. Entre os livros que anunciavam essa verdade estavam os Evangelhos Apócrifos. A palavra apócrifo agora quer dizer falsificado ou falso; o seu primeiro sentido era oculto. Os textos apócrifos eram vedados ao vulgo, os de leitura só permitida a uns poucos. (…) Este livro não contradiz os evangelhos do cânone. Narra com estranhas variações a mesma biografia."

Jorge Luís Borge, Obras Completas Vol IV 1975-1985 , “Biblioteca Pessoal, Prólogos”" (1977), Lisboa, 1998, p. 458

domingo, 8 de novembro de 2009

O Tigre

O Tigre
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Ia e vinha, delicado e fatal, carregado de infinita energia, do outro lado dos firmes barrotes, e todos o olhávamos. Era o tigre dessa manhã, em Palermo, e o tigrre do Oriente e o tigre de Blake e de Hugo e Shere Khan, e os tigres que existiram e que existirão e igualmente o tigre arquétipo. já que o indivíduo, no seu caso, é toda a espécie. Pensamos que era sanguinário e belo. Norah, uma menina, disse: «Está feito para o amor».
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Jorge Luís Borge, Obras Completas 1975-1985 "História da Noite" (1977), Lisboa, 1998, p. 177
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O Tigre de Jorge Luís Borges levou-me até Blake. Já coloquei este poema com tradução portuguesa, no dia 17 de Fevereiro. Hoje, decidi juntar a imagem e o poema na língua original.
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TIGER, tiger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?

In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?

And what shoulder and what art
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand and what dread feet?

What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? What dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?

When the stars threw down their spears,
And water'd heaven with their tears,
Did He smile His work to see?
Did He who made the lamb make thee?

Tiger, tiger, burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?

DayPoems Poem No. 441

terça-feira, 28 de abril de 2009

Um Sonho. Jorge Luís Borges.

Irão

Um sonho
"Num lugar do Irão há uma não muito alta torre de pedra, sem portas nem janelas. No único compartimento (cujo chão é de terra e tem forma de um círculo) há uma mesa de madeira e um banco. Nessa cela circular, um homem parecido comigo escreve em caracteres que não compreendo um longo poema sobre um homem que noutra cela circular escreve um poema sobre um homem que noutra cela circular… O processo não tem fim e ninguém poderá ler o que os prisioneiros escrevem."

Jorge Luís Borges, A Cifra (1981) in Obras Completas III, 1975-1985, Lisboa: Editorial Teorema, p. 336.

quarta-feira, 18 de março de 2009

Edgar Allan Poe, Jorge Luís Borges.

O post de MR lembrou-me de ir buscar este poema.


Edgar Allan Poe

Pompas de mármore, negra anatomia
Ultrajada plos sepulcrais,
Do triunfo da morte os glaciais
Símbolos reuniu. Não os temia.
Temia a outra sombra, a amorosa,
As banais alegrias de outra gente;
Não o cegou o metal resplandecente
Nem pedra sepulcral, mas sim a rosa.
Do outro lado do espelho e do reflexo
Entregou-se sozinho ao seu complexo
Destino de inventor de pesadelos.
Talvez do outro lado dessa morte
Ainda construa, solitário e forte,
Prodígios mais atrozes e mais belos.

Jorge Luís Borges, “O Outro, o Mesmo” in Obras Completas II, 1952-1972, Lisboa: Editorial Teorema, p. 290

terça-feira, 17 de março de 2009

Um Rosa e Milton, Jorge Luís Borges!

Uma Rosa e Milton

De tantas gerações de inúmeras rosas
Que se perderam no fundo do tempo
Quero roubar só uma ao esquecimento,
Uma sem marca ou sinal entre as coisas
Que existiram. Oferece-me o destino
O dom de nomear pla vez primeira
Essa flor silenciosa, a derradeira
Rosa que Milton do rosto aproxima
Sem ver. Ó amarela ou tu, vermelha,
Branca rosa de um jardim apagado,
Deixa magicamente o teu passado
Imemorial, e neste verso brilha,
Oiro, sangue ou marfim ou tenebrosa
Como nas suas mãos, oculta rosa.

Jorge Luís Borges, “O Outro, o Mesmo” in Obras Completas II, 1952-1972, Lisboa: Editorial Teorema, p. 269


Bette Midler - The Rose