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sexta-feira, 8 de setembro de 2017

Leituras no Metro - 286


Lisboa, 22 ago. 2017
Estas boas-noites já estão no fim.

«16 de novembro [de 1969] «Ontem ao reler o velho romance brasileiro de Bernardo Guimarães A Escrava Isaura (para o que havia de me dar!) encontrei uma referência às boninas vermelhas
«Vermelhas? Então as boninas (que na minha infância tanto rimavam com colinas e campinas) não são sempre brancas? 
«Não – explica o bom do Moraes que consultei agora com mão matutina – as boninas tanto podem ser brancas como avermelhadas e, afinal, não passam daquilo que, nuns casos, chamamos margaridas-dos-prados, e noutros boas-noites. Um mistério que levei meio-século a decifrar.»
José Gomes Ferreira – Dias comuns VIII: Livro das insónias sem mestre. Alfragide: Dom Quixote, 2017, p. 96


terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Flores para Mário Soares

http://www.viaflores.com.br/floriculturainternacional/floresparraespanha/cravosvermelhosESP
http://docevidadeana.blogspot.pt/2010/07/rosa-amarela-cravo-vermelho-e.html



terça-feira, 4 de outubro de 2016

Marcadores de livros - 477

«Seis folhas caídas de Lisboa lidas nas suas árvores» por Miguel Torga, Almeida Garrett, Almada Negreiros, Fernando Pessoa, José Gomes Ferreira e Eça de Queirós.

No Dia da Natureza.

terça-feira, 10 de março de 2015

Dias comuns VII

Lisboa: Dom Quixote, 2015

O diário Dias comuns, de José Gomes Ferreira, começou a ser publicado em 1990, cinco anos após a sua morte. O sétimo volume, Rasto cinzento, que é hoje posto à venda, debruça-se sobre o período entre 1 de janeiro e 17 de agosto de 1969, revelando muitas histórias e momentos do panorama literário e político português desses meses. 

domingo, 29 de dezembro de 2013

Hoje as mulheres...

José Malhoa, 
Museu Municipal de Coimbra/Edifício Chiado
Hoje as mulheres são diferentes
Vieram de outro planeta
nos raios do sol
E esconderam-se por dentro das flores
No gozo depravado do pólen.

José Gomes Ferreira 


sexta-feira, 27 de setembro de 2013

Chove (I)



Van Gogh, Ponte à Chuva depois de Hiroshige, 1887,
Museu Van Gogh
I

Chove...

Mas isso que importa!,
se estou aqui abrigado nesta porta
a ouvir na chuva que cai do céu
uma melodia de silêncio
que ninguém mais ouve
senão eu?

Chove...

Mas é do destino
de quem ama
ouvir um violino
até na lama.

José Gomes Ferreira, "Sonâmbulo" in Poesia-II. Lisboa: Portugália,  p. 141.

domingo, 19 de maio de 2013

"Espantado de Existir"

Após MR ter colocado vários livros de José Gomes Ferreira houve um que me despertou o interesse e a curiosidade: João Sem Medo. Dele retirei das páginas iniciais este trecho:

Cortesia do Google

(...) Mas juro que não hei-de ser infeliz PORQUE NÃO QUERO.

José  Gomes Ferreira, Aventuras de João Sem Medo, Panfleto Mágico em forma de Romance. Lisboa: Dom Quixote, 1991, pp. 13 e 20.

Obrigada MR.

quinta-feira, 16 de maio de 2013

"Leva-me os olhos, gaivota"

Roman garden painting, detail, first century A.D. Casa del Bracciale d’Oro, Pompeii

XXX

Leva-me os olhos, gaivota,
e deixa-os cair lá longe naquela ilha sem rota...

Lá...
      onde os cravos e os jasmins
nunca se repetem nos jardins...

Lá...
      onde nunca a mesma aranha tece a mesma teia
na mesma escuridão das mesmas casas...

Lá...
      onde toda a noite canta uma sereia
... e a lua tem asas...

Lá...

José Gomes Ferreira, "Areia" (1938) in Poesia II. Lisboa: Portugália, 1972, p. 42.

quarta-feira, 15 de maio de 2013

Aventuras (maravilhosas) de João Sem Medo

A Assembleia da República vai amanhã evocar José Gomes Ferreira, por ocasião dos 50 anos da publicação das Aventuras de João Sem Medo em livro. E já agora pelos 80 anos da publicação em folhetim, em O Senhor Doutor. Saiu nesta revista infantil entre abril e setembro de 1933, com ilustrações de Ofélia Marques e sob o título de «As maravilhosas aventuras de João Sem Medo». Na primeira edição , em livro, chamou-se Aventuras maravilhosas de João Sem Medo e, posteriormente, apenas Aventuras de João Sem Medo.
N.º 1 d'O Senhor Doutor, dirigido por Carlos Ribeiro.
As quatro primeiras ilustrações de Ofélia Marques, de um total de 25, publicadas em O Senhor Doutor, entre 8 e 29 de abril de 1933. Não entendo por que nunca se fez uma edição em livro com estas ilustrações.
Lisboa: Portugália, 1963
Capa de João da Câmara Leme 
4.ª ed. Lisboa: Diabril, 1975
10.ª ed. Lisboa: Moraes, 1979
17.ª ed. Lisboa: Dom Quixote, 1991
19.ª ed. Lisboa: Dom Quixote, 1999
1.ª ed. Lisboa: Dom Quixote, 2008. (Booket)

terça-feira, 29 de janeiro de 2013

Memória possível

E hoje posto à venda o vol. 6 de Dias comuns, o diário de José Gomes Ferreira. Este volume abarca o período de setembro a dezembro de 1968 e é um retrato da vida quotidiana e da sociedade intelectual e política portuguesa na saída de Salazar como presidente do conselho e na entrada de Marcelo Caetano. 

quarta-feira, 25 de abril de 2012

Boa noite!

Música de Fernando Lopes Graça para dois poemas de João José Cochofel e de José Gomes Ferreira.

BOM DIA!

segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Boas-noites, árvore

Boas-noites, Árvore


(Um pequenino passeio antes de me deitar)

Boas-noites, árvore

E toquei-lhe com as mãos
- folhas de sol cansado
na Primavera arrefecida.

Boas-noites, árvore.

Mas a árore não respondeu
no seu atavio
do luar fosco.

Senti apenas o arrepio
do vento com mãos de carne no meu rosto.


Quinta das Lágrimas


José Gomes Ferreira, "Encruzilhada, 1949/50", Felizmente as Palavras, p. 43, poema declamado por Sofia Sá da Bandeira.


Obrigada MR!

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Boa noite!


Um dos concertos de que mais gosto, e tocado por este violinista.
Mendelssohn faleceu há 164 anos.

xxxxxxxxxxxxx (Enquanto ouvia o David Oistrakh.)
Não, não deixes secar
Este fio de água de violino
Que nas manhãs de ouro
Completa as nossas sombras com flores
- enquanto os pássaros de sementes nos olhos
Procuram na espiral dos voos
Outro cárcere de recomeço
José Gomes Ferreira
In: Poeta militante. Lisboa: Círculo de Leitores, 2004, vol. 2, p. 325

«O incomparável violinista soviético David Oistrakh está em Lisboa. E ontem, depois de um concerto triunfal no Império, foi convidado para uma recepção em casa da Marquesa do Cadaval.
«O russo porém recusou e preferiu ir assistir a um desafio de futebol em que jogava o Eusébio – hoje o português mais conhecido em todo o mundo pela maneira como joga à bola.
«- O Choskatovich ainda gosta mais de futebol do que eu – confidenciou o genial violinista não sei a quem.»
José Gomes Ferreira
In: Dias comuns. Lisboa: Dom Quixote, 2004, vol. 4

terça-feira, 4 de outubro de 2011

Elegâncias - 71

Já viram bem esta palhaçada? Nem os sapatos se safam. E ainda não chegámos ao Carnaval.




Lisboa, Praça dos Restauradores, 47

E pensar que o Lourenço & Santos, quando estava por baixo do Avenida Palace, na esquina dos Restauradores, já foi uma das casas mais chiques de Lisboa. Do tempo em que o José Gomes Ferreira escrevia no seu diário:
«Então o Nikias, do alto da sua preocupação de não pôr nódoas no casaco do Almeida & Santos [sic], observa [...].» (Dias comuns. Alfragide: Dom Quixote, 2010, vol. 5, p. 57)
O Zé Gomes (como o tratavam os amigos) devia querer dizer Lourenço & Santos.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

«Sou a Natureza»



21 de Junho [de 1968]

«Constou ao Carlos de Oliveira que o Luiz Pacheco, no corolário do enredo de muitos processos confusos, está preso...
«- É um tipo incrível!... - continuou, divertido, para destruir não sei que amargura inexistente: - Ainda não há muito tempo entrou todo flamante no Gelo e declarou aos surrealistas em redor: "Sou a Natureza."
«E ante o assombro silencioso da assembleia, principiou a tirar dos bolsos e dos sovacos um ovo, um pedaço de bife, uma sardinha, um frasco com água do mar, couves, alfaces...
«- Sou a Natureza.»
José Gomes Ferreira
In: Dias comuns. Alfragide: Dom Quixote, 2010, vol. 5, p. 59

terça-feira, 21 de junho de 2011

Ainda o Pedro Hestnes

José Gomes Ferreira com o neto Pedro [Hestnes], em Albarraque, 1969.
Foto Raúl Hestnes Ferreira

«O meu neto Pedro José, hoje aqui em Albarraque, travou conhecimento de chutar à bola com um miúdo da quinta ao lado, queimado do sol dos campos.
«- Eh! pá! - perguntou-lhe o petiz, com superioridade de conhecer bichos - Já viste um caga-lume?
«- Isso não se diz... Diz-se "faz-cocó-lume!"»
José Gomes Ferreira
In: Dias comuns. Lisboa: Dom Quixote, 1990, vol. 1, p. 75 (23 Jul. 1966)