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segunda-feira, 13 de agosto de 2018

Mar

Marcia Burtt - Maré baixa

I
De todos os cantos do mundo
Amo com um amor mais forte e mais profundo
Aquela praia extasiada e nua,
Onde me uni ao mar, ao vento e à lua.

II
Cheiro a terra as árvores e o vento
Que a Primavera enche de perfumes
Mas neles só quero e só procuro
A selvagem exaltação das ondas
Subindo para os astros como um grito puro.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 9 de agosto de 2016

Liberdade

Andrei Kushnir - Na praia

Aqui nesta praia onde
Não há nenhum vestígio de impureza,
Aqui onde há somente
Ondas tombando ininterruptamente,
Puro espaço e lúcida unidade,
Aqui o tempo apaixonadamente
Encontra a própria liberdade.

Sophia de Mello Breyner Andresen

domingo, 8 de maio de 2016

"There is a sea"

«Eu estava sentada na frente dele, do outro lado da pequena mesa. Ele esteve um longo tempo calado. Depois debruçou-se sobre a mesa e disse:
-Ouve:

There is a sea
A far and distant sea
Beyond the farthest line,
Where all my ships that went astray,
Where all my dreams of yesterday
Are mine.
»

Sophia de Mello Breyner Andresen, Contos Exemplares
(Ilustrações de João Catarino) Porto: Porto Editora, 2013, (36ª edição).p. 118. 

Contém um prefácio belíssimo de D. António Ferreira Gomes, intitulado Pórtico que enfoca os poetas religiosos, crentes ou não crentes.

Bom Domingo!

sábado, 26 de julho de 2014

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Frutos

Frutos (século XVIII), Igreja do Colégio de Santo António da Pedreira,  
Casa de Infância Doutor Elysio de Moura

Tapeçaria proveniente da Sé de Coimbra, detalhe, 1525-1550, Bruxelas
MNMC

Cada dia

Cada dia é mais evidente que partimos
Sem nenhum possível regresso no que fomos,
Cada dia as horas se despem mais do alimento:
Não há saudades nem terror que baste.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Coral

sábado, 17 de maio de 2014

A Paz Sem Vencedores Nem Vencidos

A Paz Sem Vencedores Nem Vencidos

Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos  A paz sem vencedor e sem vencidos 
Que o tempo que nos deste seja um novo 
Recomeço de esperança e de justiça. 
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos
Erguei o nosso ser à transparência 
Para podermos ler melhor a vida 
Para entendermos vosso mandamento 
Para que venha a nós o vosso reino 
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Fazei Senhor que a paz seja de todos 
Dai-nos a paz que nasce da verdade 
Dai-nos a paz que nasce da justiça 
Dai-nos a paz chamada liberdade 
Dai-nos Senhor a paz que vos pedimos

A paz sem vencedor e sem vencidos

Sphia de Mello Breyner Andresen, in Dual


Bom dia!

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Túlipa - Como uma flor vermelha

A túlipa veio de Amesterdão


Jan Baptist van Fornenburgh (1585-1650, s/título

Como uma flor vermelha.

À sua passagem a noite é vermelha,
E a vida que temos parece
Exausta, inútil, alheia.

Ninguém sabe onde vai nem donde vem,
Mas o eco dos seus passos
Enche o ar de caminhos e de espaços
E acorda as ruas mortas.

Então o mistério das coisas estremece
E o desconhecido cresce
Como uma flor vermelha.

Sophia de Mello Breyner Andresen, in Poesia (Casa Fernando Pessoa, Banco de Poesia)

sexta-feira, 5 de julho de 2013

Camões e a tença


Irás ao paço. Irás pedir que a tença
Seja paga na data combinada.
Este país te mata lentamente
País que tu chamaste e não responde
País que tu nomeias e não nasce.

Em tua perdição se conjuraram
Calúnias desamor inveja ardente
E sempre os inimigos sobejaram
A quem ousou ser mais que a outra gente.

E aqueles que invocaste não te viram
Porque estavam curvados e dobrados
Pela paciência cuja mão de cinza
Tinha apagado os olhos no seu rosto.

Irás ao paço irás pacientemente
Pois não te pedem canto mas paciência.

Este país te mata lentamente.

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, 2 de julho de 2013

quinta-feira, 25 de abril de 2013

25 de Abril


Esta é a madrugada que eu esperava 
o dia inicial inteiro e limpo 
Onde emergimos da noite e do silêncio 
E livres habitamos a substância do tempo 

Sophia de Mello Breyner Andresen
in O nome das coisas, 1977

domingo, 23 de dezembro de 2012

Advento

Maria Keil [do Amaral]
ilustração para A Noite de Natal (1959) de Sofia de Melo Breyner Andresen

(republicada no calendário da APCC de 2008)
[APCC = Associação para a Promoção Cultural da Criança]

domingo, 19 de agosto de 2012

Cascais: Praia dos Pescadores

Milly Possoz - Praia dos Pescadores, Cascais
Guache sobre papel, 1919
Lisboa, Museu do Chiado

Praia

Na luz oscilam os múltiplos navios 
Caminho ao longo dos oceanos frios 

As ondas desenrolam os seus braços 
E brancas tombam de bruços 

A praia é lis e longa sob o vento 
Saturada de espaços e maresia 

E para trás fica o murmúrio 
Das ondas enroladas como búzios. 

Sophia de Mello Breyner Andresen