Marcador do livro feito a partir do novo filme da Disney.
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terça-feira, 27 de agosto de 2019
terça-feira, 25 de fevereiro de 2014
"Os poetas extácticos"
Desenho de José Júlio para o conto: Desilusão.
Os Melhores Contos de Thomas Mann. (Selecção de Manuel de Seara, prefácio de Domingos Monteiro e desenhos de Júlio Gil). Lisboa: Arcádia, 1958, p. 119.
sexta-feira, 3 de maio de 2013
Novidades
Trinta escritores, trinta capitais, trinta contos. Algumas capitais são reais ( Oslo, Paris, Roma ou Washington ), outras imaginárias e umas que o foram em tempos como Palenque, capital do Império Maia e cenário do conto escrito por Antonio Sarabia. A editora é nova : Parsifal.
quarta-feira, 24 de abril de 2013
Livros de ontem
Apesar dos muitos que tenho para ler, faço questão de comprar sempre um livro no Dia Mundial do Livro. Ontem até foram dois. O mais recente de uma norte-americana de que gosto muito, Joyce Carol Oates, que volta ao género american gothic neste tomo de 660 páginas passado na Princeton do início do século XX, e mais um volume da série O prazer da leitura da Fnac, com 5 contos inéditos de outros tantos autores nacionais. Este último comprei-o tanto por gostar de contos como pelo facto de que a totalidade da receita reverte a favor da AMI - Assistência Médica Internacional.
quarta-feira, 23 de maio de 2012
Viagem à infância
Os irmãos Grimm na Biblioteca Joanina da Universidade de Coimbra
Catálogo da exposição - Os irmãos Grimm, Vida e Obra
Segundo Ludwig Emil Grimm (1790-1863): Ilustrações dos contos A Gata Borralheira, Rainha dos Espinhos, O Capuchinho Vermelho, Branca de Neve, Hansel e Gretel e Filha de Virgem Maria. Águas -fortes coloridas à mão pertencentes à primeira edição pirata, Stuttgart, 1826*
«O Homem e o seu espírito são maiores e mais valiosos do que qualquer outra matéria viva ou morta» Jacob Grimm, 1852, (prefácio).
«Quem deixa arder a sua luz na solidão não a conseguirá reacender na casa do vizinho quando o vento a tiver apagado.»
Wilhelm Grimm, 1843 (prefácio).
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
O livro das mil e uma noites
Em fascículos.
O livro das mil e uma noites (Lisboa: Estúdios Cor, imp. 1958-1962, 6 vols.), tem uma introdução de Aquilino Ribeiro e foi traduzido por este, Branquinho da Fonseca, Carlos de Oliveira, Celeste Andrade, David Mourão-Ferreira, Domingos Monteiro, Irene Lisboa, João Gaspar Simões, José Gomes Ferreira, José Rodrigues Miguéis, José Saramago, Jorge de Sena e Urbano Tavares Rodrigues; e ilustrado por António Charrua, Bartolomeu Cid, Bernardo Marques, Cândido Costa Pinto, Carlos Botelho, Cipriano Dourado, Fernando Azevedo, Jorge Martins, Júlio Gil, Júlio Pomar, Lima de Freitas, Manuel Lapa, Maria Keil, Sá Nogueira e Vaz Pereira.
O livro estava à venda, há um ano, na Livraria Lumière, por €350,00 e na Avelar Machado por €277,72.
Ilustração de Maria Keil para O livro das mil e uma noites.
Em geminação com o ARPOSE e para APS. E também para Margarida Elias.
quinta-feira, 3 de fevereiro de 2011
"A Biblioteca"
A Bilblioteca é um livro de contos de Zoran Zivkovic´, escritor sérvio que nasceu em 1948, em Belgrado (antiga Jugoslávia). Com este livro venceu, em 2003, o World Fantasy Award. É o livro que ando agora a ler e estou a gostar.
A Biblioteca Nocturna
Não devia ter ido ao cinema primeiro. Se soubesse que a duração do filme era de quase duas horas, teria passado pela biblioteca primeiro. (...)
Quando o filme finalmente terminou às dez para as oito, apressei-me para abandonar a sala o mais rapidamente possível. (...) Se agora acelerasse o passo, talvez ainda chegasse a tempo. A biblioteca não era longe do cinema. Fechava às oito, mas não era desejável chegar no último minuto. No entanto, como cliente habitual, contava com alguma benevolência do pessoal.
Obviamente tudo seria diferente se hoje não fosse uma sexta-feira. Assim, se agora não conseguisse os livros, só teria uma próxima oportunidade na segunda, o que significava que durante o fim-de-semana não teria nada para ler, hipótese essa que não me agradava nada. Como vivo sozinho, estou inevitavelmente confrontado com uma abundância de tempo livre que precisa de ser preenchido com alguma coisa. Já muito antes tinha verificado que leitura era a actividade satisfatória com que o podia matar. Era de certeza mais útil e mais agradável que a estupidificante assistência à televisão. (...)
«Está a ver», comecei «estou um pouco atrasado...»
«Não está nada atrasado», interrompeu-me o homem atrás do balcão. «Nós trabalhamos de noite. Isto é uma biblioteca nocturna.»
Observei-o perplexo. «Uma biblioteca nocturna? Não sabia que também existiam.»
«Existem, sim. E já há muito tempo. Embora pouca gente saiba de nós. Deseja algum livro?»
«Sim, se for possível. O que mais gostava de fazer durante o fim-de-semana é ler. Já estava com medo que desta vez fosse ficar de mãos vazias. É muito agradável poder levar livros emprestados de noite.»
«É, sim. Talvez a escolha seja diferente da de dia. Nós temos apenas livros de vida.»
Pensei que não o tivesse percebido bem. «Desculpe?»
«Os livros de vida. Nunca ouviu falar deles?»
Abanei a cabeça. «Acho que não.»
«É pena recomendo-lhes certamente. Uma leitura particularmente interessante. ao contrário do preconceito, muito difundido, as vidas reais muitas vezes são mais excitantes do que as inventadas.»
«Que vidas reais?»
«Todas.»
«Como assim - todas?»
«Literalmente. As vidas de todas as pessoas que alguma vez tenham existido.» (...)
«Trata-se mesmo de uma biblioteca gigantesca!» (...)
«Trata, sim.» Na cara do desconhecido apareceu um sorriso orgulhoso. « E está sempre a crescer. Antes de mais, todos os dias se actualizam os livros sobre pessoas que estão vivas neste momento. (...)»
(...)«Qual é que queria?»
Fiquei pensativo. «Não sei dizer. Não é fácil decidir quando se tem à disposição uma escolha dessas. O que me aconselharia?»
«Quase todos optam primeiro pelo livro de si próprio. Isto é um pouco estranho porque, num certo sentido, esse livro já leram. Mas mesmo assim, para muitos ele está cheio de surpresas e de revelações. As pessoas têm principalmente tendência para esquecer ou reprimir.»
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Zoran Zivkovic´, A Biblioteca, Cavalo de Ferro Editores, 2010, p. 37-47. (Trad. Arijana Medvedec)
terça-feira, 14 de dezembro de 2010
O que estou a ler - 2. a)
Para não estragar o prazer da descoberta a uns, e para que outros não pensem que tenho alguma comissão da Quetzal, decidi "mudar as agulhas" e mostrar outro livro que também estou a ler. É o segundo volume da notável antologia Contes Philosophiques du Monde Entier, organizada pelo romancista e ensaísta Jean-Claude Carrière. Trarei aqui alguns dos contos, a começar por um iraniano.Le dernier vol du faucon
Un écrivain iranien du XXe siècle, Khanlari, a raconté le dernier vol d'un faucon. L'oiseau survole un paysage en cherchant une proie. Il se sent fort et menaçant, il voit et domine toutes choses.
Tirée par un chasseur dissimulé, une fléche vient alors le frapper. Il est blessé à mort, il le sent, il ne peut plus faire bouger ses ailes, qui se ferment.
En tombant, il regarde la fléche qui le transperce et voit que l'empennage est fait de plumes de faucon.
Il dit alors, juste avant de mourir:
- À quoi bon me lamenter? Ce qui vient à nous vient de nous. (1)
(1) Ké az mast ké bar mast. Cette phrase, en Iran, est devenue proverbiale.
quarta-feira, 7 de abril de 2010
O Rouxinol e a Rosa, Wilde para lá da história...
Passei pelo Arpose e encontrei umas palavras de Wilde e não só, palavras sábias sobre mulheres. Desde tempos longínquos que a mulher é tema da arte e dos artistas. Quão caprichosas são as mulheres? - Veja-se no trecho desta hitória.
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O Rouxinol e a Rosa
- Ela disse que dançaria comigo se eu lhe levasse rosas encarnadas - declarou o moço estudante -; mas no meu quintal não há uma única rosa encarnada.
O rouxinol, que estava no seu ninho da azinheira, ouviu o que o rapaz dizia e olhou, admirado, entre a folhagem.
- Não há uma única rosa encarnada no meu quintal! - repetiu ele, já com os olhos rasos de lágrimas. - De quantas ninharias depende a felicidade! Li tudo o que os sábios escreveram, possuo todos os segredos da Filosofia. No entanto, por causa de uma rosa rubra, a minha vida torna-se calamitosa. (...)
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Oscar Wilde, Contos, Lisboa: Relógio d' Água, 2001, p. 123. (trad. Cabral do Nascimento)
Obrigada APS.
domingo, 6 de setembro de 2009
Contos de Orkény - 9
MAL- ENTENDIDO HISTÓRICO- Allô! Moloko?
- Como?
- Moloko?
- Vu paruszki gavaritye? (1)
- Não percebo o que está a dizer.
- E a senhora o que está a dizer?
- Pergunto pelo meu genro.
- Então porque é que disse «moloko» ?
- Por que não devia ter dito?
- Porque isso em russo significa «leite».
- Mas é assim que eu chamo ao meu genro.
- Não sou eu.
- Mas eu marquei o número correcto.
- Então há aqui alguma coisa que não bate certo, minha senhora.
(1) Em russo : « Fala russo? »
- István Orkény, Histórias de 1 minuto, vol.1, Introd., selec. e trad. do húngaro de Piroska Felkai, Cavalo de Ferro Editores, 2004.
sábado, 5 de setembro de 2009
Contos de Orkény - 8
- Fotografia de Euromedbeer.INFORMAÇÃO
Há já catorze anos que está sentado à entrada de um postigo. As pessoas só lhe dirigem dois tipos de perguntas.
- Onde ficam os escritórios da Montex?
Ele responde:
- Primeiro andar, à esquerda.
A segunda pergunta é:
- Onde fica a Empresa Transformadora dos Desperdícios de Resinas?
A esta ele responde:
- Segundo andar, segunda porta à direita.
Há catorze anos que nunca se engana, toda a gente tem recebido a informação correcta. Uma vez, porém, aconteceu que uma senhora se dirigiu ao seu postigo e lhe fez uma das perguntas habituais:
-Pode fazer o favor de me dizer onde é a Montex?
E ele, nessa única vez, alongou os olhos e disse assim:
- Todos nós vimos do nada e à merda do nada vamos voltar.
A senhora apresentou queixa. A queixa foi examinada, discutida e depois arquivada.
E de facto, não era assim tão grave.
- István Orkény, Histórias de 1 minuto, vol.1, Introd., selec. e trad. do húngaro de Piroska Felkai, Cavalo de Ferro, 2004.
sexta-feira, 4 de setembro de 2009
Contos de Orkény - 7
QUEM É O ASSASSINO?O juiz que costumava julgar os processos-crime, disparou contra um corço no território grande da reserva. Depois de ter dado o tiro de misericórdia, disse assim:
- A caça é a paixão mais nobre.
O procurador fazia colecção de borboletas. Furava com um alfinete os seus abdómens e, quando já estavam mortas de asas abertas, pensava:
- Assim é a sede de saber.
Quem escreve estas linhas e também a reportagem sobre um assunto de crime, é um adepto entusiástico do pólo aquático. Se algum jogador da sua equipa dá um pontapé no estômago do adversário, ainda o encoraja da tribuna.
- O pólo aquático é um desporto duro- costuma dizer-se.
E o que é que disse o assassino?
Não esteve com rodeios. Confessou, compungidamente, ter morto a mulher que o tinha traído com toda a gente, impelido a sua filha à desmoralização, arruinado a família inteira. Disse desanimado:
- Sou um assassino.
Foi enforcado.
- István Orkény, Histórias de 1 minuto, vol.1, Introdução, selecção e tradução do húngaro de Piroska Felkai, Cavalo de Ferro, 2004.
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
Contos de Orkény - 6
7. TUDO É PERMITIDO"Uma senhora com cerca de quarenta anos, bem vestida e penteada, está sentada com as pernas cruzadas no lado esquerdo da entrada do hotel de luxo, que se chama Plaza.
Tem uma mala enorme com fecho éclair à sua frente, donde começa sair lenta e majestosamente uma anaconda. A anaconda é bem comportada, o seu comprimento pode atingir os cinco ou seis metros. Serpenteia de um lado para o outro, no passeio, não incomoda os peões na circulação. Ninguém olha para ela.
Só eu páro à sua frente, com a minha atitude cartesiana, procurando sempre a ordem e a lógica nas coisas, com um disciplinado olhar europeu. Reflicto: ela está a pedir dinheiro ou não? Passo por cima da anaconda e dou uma moeda de dez cêntimos à mulher. Ela recusa o dinheiro.
-Lá em casa fica tão aborrecida- explica a mulher. - Aqui pelo menos há um pouco de circulação."
- Istvan Orkény, in Notas dos Estados Unidos, Histórias de 1 minuto, vol.1, Introdução, selecção e tradução de Piroska Felkai, Cavalo de Ferro, 2004.
quinta-feira, 23 de abril de 2009
No Hotel do Bairro Alto
segunda-feira, 15 de setembro de 2008
Contos de Orkény - 5
DIGNIDADE PROFISSIONAL
Eu sou um carácter forte!
Sei dominar-me.
Não o deixava transparecer, mas estavam em jogo o trabalho de longos anos, o reconhecimento do meu talento, todo o meu futuro.
- Sou um artista imitador- disse.
- O que é que sabe? - perguntou o director.
- Imito os cantos dos pássaros.
- Infelizmente- fez um gesto de renúncia com a mão- isso já passou de moda-
- Como? O arrulhar da rola? O chilrear do milheiro nos caniçais? O gorjeio da codorniz? O grito da gaivota?O cantarolar da cotovia?
- Passou- disse o director aborrecido.
Aquilo magoou-me . Mas penso que não o mostrei.
- Adeus- disse eu com cortesia, e saí a voar pela janela aberta.
-István Orkény, Histórias de 1 minuto, vol.1, Introdução, selecção e tradução do húngaro de Piroska Felkai, Cavalo de Ferro Editores, 2004.
Eu sou um carácter forte!
Sei dominar-me.
Não o deixava transparecer, mas estavam em jogo o trabalho de longos anos, o reconhecimento do meu talento, todo o meu futuro.
- Sou um artista imitador- disse.
- O que é que sabe? - perguntou o director.
- Imito os cantos dos pássaros.
- Infelizmente- fez um gesto de renúncia com a mão- isso já passou de moda-
- Como? O arrulhar da rola? O chilrear do milheiro nos caniçais? O gorjeio da codorniz? O grito da gaivota?O cantarolar da cotovia?
- Passou- disse o director aborrecido.
Aquilo magoou-me . Mas penso que não o mostrei.
- Adeus- disse eu com cortesia, e saí a voar pela janela aberta.
-István Orkény, Histórias de 1 minuto, vol.1, Introdução, selecção e tradução do húngaro de Piroska Felkai, Cavalo de Ferro Editores, 2004.
quarta-feira, 10 de setembro de 2008
Contos de Orkény - 4
IN MEMORIAM DR. K.H.G.
- Holderlin ist ihnen unbekannt ? - perguntou o Dr. K.H.G. enquanto estava a fazer a cova para o cadáver de um cavalo.
- Quem era? - perguntou o guarda alemão.
- O autor do Hyperion - explicou o Dr. K.H.G. , que gostava muito de explicar as coisas. - A figura mais significativa do romantismo alemão. E Heine, por exemplo ?
- Quem são eles ? - perguntou o guarda.
- São poetas- disse o Dr.K.H.G. - E o nome de Schiller, também não lhe diz nada?
- Conheço, sim- disse o guarda alemão.
- E Rilke ?
- Esse também- disse o guarda alemão, que ficou vermelho como um pimento quando abateu a tiro o Dr.K.H.G. .
- Istvan Orkény, Histórias de um minuto, vol.1 , Cavalo de Ferro Editores, 2004.
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