Florbela nasceu e faleceu a 8 de dezembro.
Obrigada, Cláudia!
Tarde de mais...
Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...
Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!
Beijando a areia de oiro dos desertos
Procurara-te em vão! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!
E há cem anos que eu era nova e linda!...
E a minha boca morta grita ainda:
Porque chegaste tarde, ó meu Amor?!...
Florbela Espanca



*Susan Sontag, Renascer Diários e Apontamentos, 1947-1963, Lisboa: Quetzal, 2010, (trad. Nuno Guerreiro Josué) p.17.
**Florbela Espanca, dário do último ano, Lisboa: Bertrand Editora, 1998, (edição fac-similada com prefácio de Natália Correia), p. 35.
Noa, Avé Maria



