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sexta-feira, 24 de março de 2017

Marcadores de livros - 659

De uma exposição do Rinoceronte em Arraiolos, que eu gostava de ter visto.

http://atiazita.blogspot.pt/2016/03/sinto-hoje-alma-cheia-de-tristeza.html



O Pessoa não é o mesmo do marcador, mas o Rinoceronte tem poetas aos montes. :)

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Crisântemos

Katie Pertiet

Sombrios mensageiros das violetas,
De longas e revoltas cabeleiras;
Brancos, sois o casto olhar das virgens
Pálidas que ao luar, sonham nas eiras.

Vermelhos, gargalhadas triunfantes,
Lábios quentes de sonhos e desejos,
Carícias sensuais d´amor e gozo;
Crisântemos de sangue, vós sois beijos!

Os amarelos riem amarguras,
Os roxos dizem prantos e torturas,
Há-os também cor de fogo, sensuais…

Eu amo os crisântemos misteriosos
Por serem lindos, tristes e mimosos,
Por ser a flor de que tu gostas mais!

Florbela Espanca

quinta-feira, 8 de março de 2012

Florbela vai hoje de elétrico


Dalila do Carmo, a protagonista do filme Florbela, recita hoje poesia da autora de «Amar perdidamente», no elétrico 28, a partir do Martim Moniz, às 14h30.

Tarde de mais...

Quando chegaste enfim, para te ver
Abriu-se a noite em mágico luar;
E para o som de teus passos conhecer
Pôs-se o silêncio, em volta, a escutar...

Chegaste, enfim! Milagre de endoidar!
Viu-se nessa hora o que não pode ser:
Em plena noite, a noite iluminar
E as pedras do caminho florescer!

Beijando a areia de oiro dos desertos
Procurara-te em vão! Braços abertos,
Pés nus, olhos a rir, a boca em flor!

E há cem anos que eu era nova e linda!...
E a minha boca morta grita ainda:
Porque chegaste tarde, ó meu Amor?!...

                         Florbela Espanca

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Florbela

Não tivesse ido há uns dias ao Palácio Galveias e não teria sabido da" existência" deste filme.

Florbela estreia a 8 de Março, fora do circuito comercial, sendo exibido pelo país em pelo menos 54 cidades pelo realizador Vivente Alves do Ó, que também assina uma minissérie homónima para televisão, dividida em três episódios e que se centrará especialmente na infância de Florbela Espanca, funcionando como complemento ao filme. A minissérie, que será exibida na RTP, ainda não tem data de estreia prevista.
O filme, também escrito por Vicente Alves do Ó, centra-se num período específico da vida  da poetisa e explora o seu mundo interior, num misto entre fantasia e realidade, tendo como protagonista a actriz Dalila do Carmo. Participam também Ivo Canelas (no papel do irmão Apeles) e Albano Jerónimo como Mário Lage, terceiro marido de Florbela Espanca.

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

«Beije-me ele com os beijos da sua boca; porque melhor é o seu amor do que o vinho.»

(In: Cântico dos cânticos)


Quem melhor do que um escritor para descrever a emoção, a sensualidade e a embriaguez que nos invade quando beijamos? Ovídio, Shakespeare, Goethe, Almeida Garrett, Victor Hugo, Rousseau, Antero de Quental, Kierkegaard, Zola, Flaubert, Eça de Queirós, Camilo Pessanha, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, António Patrício, Fernando Pessoa e outros, convidam-nos a redescobrir todos os encantos da arte de beijar, através de poemas e excertos de prosa.


Uma antologia de cartas apaixonadas de grandes vultos da literatura portuguesa e estrangeira, como Fernando Pessoa, Mariana Alcoforado, Charles Baudelaire, Almeida Garrett, Katherine Mansfield, Edgar Allan Poe, John Keats e Victor Hugo.
Os amores dos escritores, os seus encontros e desencontros, as suas paixões e as suas mágoas inspiraram arrebatadas páginas que podem ser lidas neste livro.


Reunem-se neste livro as mais belas declarações de amor dos mais famosos amantes da literatura universal. Desde o autor da Arte de Amar, Ovídio, aos grandes poetas do amor como Luís de Camões, Shakespeare, Byron, Keats, Puchkin, Almeida Garrett, António Nobre, Verlaine, Cesário Verde, Fernando Pessoa, Florbela Espanca ou António Ramos Rosa, passando pelos grandes romancistas tais como Eça de Queirós, Camilo Castelo Branco, Balzac, Tolstoi, Dostoievski, Zola.

«Amo-te tanto! E nunca te beijei...
E nesse beijo, Amor, que eu te não dei
Guardo os versos mais lindos que te fiz!
»
Florbela Espanca

Textos retirados da folha publicitária de 101 noites.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Reflexões sobre um possível diálogo

Num banco de jardim, junto à torre sineira de Santa Maria do Olival, recordei-me de dois apontamentos:

As ideias perturbam o equilíbrio da vida (13/04/48)
Susan Sontag*
xx
Viver não é parar: é continuamente renascer. (12 de Janeiro de 1930)
Florbela Espanca**
x
Paisagem da Torre sineira da igreja de Santa Maria do Olival, Tomar
x
A energia deste local é muito edificante. Deixo as duas afirmações e as fotografias com os votos para que o próximo ano, apesar do que se lê pelos media, se torne positivo.


*Susan Sontag, Renascer Diários e Apontamentos, 1947-1963, Lisboa: Quetzal, 2010, (trad. Nuno Guerreiro Josué) p.17.

**Florbela Espanca, dário do último ano, Lisboa: Bertrand Editora, 1998, (edição fac-similada com prefácio de Natália Correia), p. 35.


Noa, Avé Maria

terça-feira, 7 de dezembro de 2010

Fevereiro, 22 - Diário

Às vezes os animais compreendem-nos melhor que as pessoas, e nós?
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Carlos Bottelho(1964-), Florbela Espanca


22 [Fevereiro] - O olhar de um bicho comove-me mais profundamente que um olhar humano. Há lá dentro uma alma que quer falar e não pode, princesa encantada por qualquer fada má. Num grande esforço de compreensão, debruço-me, mergulho os meus olhos nos olhos do meu cão: tu que queres? E os olhos respondem-me e eu não entendo... Ah, ter quatro patas e compreender a súplica humilde, a angustiosa ansiedade daquele olhar! Afinal... de que tendes vós orgulho, ó gentes?...


Florbela Espanca, Diário do último ano, Lisboa: Bertrand editora, 1998, p.49 (edição fac-similada com prefácio de Natália Correia)

terça-feira, 30 de novembro de 2010

Évora


Dordio Gomes (1890-1976) - Évora
Óleo sobre tela, 1938
Lisboa, CAM
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Évora! Ruas ermas sob os céus
Cor de violetas roxas ... Ruas frades
Pedindo em triste penitência a Deus
Que nos perdoe as míseras vaidades!

Tenho corrido em vão tantas cidades!
E só aqui recordo os beijos teus,
E só aqui eu sinto que são meus
Os sonhos que sonhei noutras idades!

Évora! ... O teu olhar ... o teu perfil ...
Tua boca sinuosa, um mês de Abril,
Que o coração no peito me alvoroça!

... Em cada viela o vulto dum fantasma ...
E a minh'alma soturna escuta e pasma ...
E sente-se passar menina e moça ...
X
Florbela Espanca

segunda-feira, 16 de novembro de 2009

Peças que se vão conhecendo ou reencontrando

Florbela Espanca

Apeles Espanca (1897-1927), desenho, s.d.


Vantagens e desvantagens de se venderem as peças... também esta vai ser vendida no leilão do dia 25 de Novembro! Um desenho pelo "Mano Peles", como Florbela o tratava!

domingo, 27 de setembro de 2009

Florbela Espanca / Virgínia Vitorino

Face a Face



Dois ângulos da exposição, na parte referente a Virgínia Vitorino.

Berço de Florbela Espanca.

Galeria de Exposições Temporárias do Mosteiro de Alcobaça
até 20 Nov. 2009

sexta-feira, 25 de setembro de 2009

Junquilhos

Nessa tarde mimosa de saudade
Em que eu te vi partir, ó meu amor,
Levaste-me a minh'alma apaixonada
Nas folhas perfumadas duma flor.

E como a alma, dessa florzita,
Que é minha, por ti palpita amante!
Oh alma doce, pequenina e branca,
Conserva o teu perfume estonteante!

Quando fores velha, emurchecida e triste,
Recorda ao meu amor, com teu perfume
A paixão que deixou e qu'inda existe...

Ai, dize-lhe que se lembre dessa tarde,
Que venha aquecer-se ao brando lume
Dos meus olhos que morrem de saudade!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

quinta-feira, 24 de setembro de 2009

Fragmento de um conto de Florbela Espanca

Florbela Espanca no Parque dos Poetas , em Oeiras.
No seguimento do post do Luís coloco este excerto de Florbela Espanca.
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O Inventor

"(...) Das folhas arrancadas aos cadernos de contas e aos livros, faz espectaculosos chapéus armados de almirante, constrói frotas poderosíssimas, que põe a navegar no mar largo duma grande barrica, onde a professora guarda a sua provisão de água com que, ao cair da ardente tarde alentejana. mata a sede às violetas e aos lírios do seu pequeno jardim de padre-cura.
Adormece, abraçado a um barco de cortiça e velas de pano-cru, que o pai lhe deu num dia de anos. Os presentes de Ataxerxes fá-lo-iam sorrir de desdém perante a dádiva principesca.
Já homenzinho, nas noites longas de Inverno, acocorado à chaminé onde o madeiro crepita, lê embevecido, horas a fio, todo o Júlio Verne, histórias de piratas e corsários; o navio-fantasma enfeitiça-o; os naufrágios heróicos entusiasmam-no; foi durante anos todos os capitães de navios naufragados, morrendo no seu posto, aos vivas a Portugal!"

Florbela Espanca, as máscaras do destino, Lisboa: Bertrand, 1979, p. 125



«Tenho pela mentira um horror quase físico. Sinto-a à distância e agora... neste mesmo momento... sinto-a vaguear, asquerosa e suja, em volta da minha alma que vibra no orgulho de ser pura. Se os outros me não conhecem, eu conheço-me, e tenho orgulho, um incomensurável orgulho em mim!» (6 Set. 1930)
Florbela Espanca - Diário do último ano / pref. Natália Correia. Lisboa: Bertrand, 1981

Sábado é em Alcobaça


Este sábado, pelas 17h, no Mosteiro de Alcobaça, é inaugurada a exposição Face a Face- Florbela Espanca/Virgínia Vitorino. Duas mulheres que fizeram a diferença nas primeiras décadas do séc.XX.

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Cegueira Bendita

Um amigo escreveu-me e enviou esta imagem de uma andorinha-das-chaminés. Disse-me que ficaria muito bem com este poema. Gostei da ideia por isso junto o voo da andorinha. Obrigada!
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O Voo

Ando perdida nestes sonhos verdes
De ter nascido e não saber quem sou,
Ando ceguinha a tatear paredes
E nem ao menos sei quem me cegou!

Não vejo nada, tudo é morto e vago...
E a minha alma cega, ao abandono
Faz-me lembrar o nenúfar dum lago
´Stendendo as asas brancas cor do sonho...

Ter dentro d´alma na luz de todo o mundo
E não ver nada nesse mar sem fundo,
Poetas meus irmãos, que triste sorte!...

E chamam-nos a nós Iluminados!
Pobres cegos sem culpas, sem pecados,
A sofrer pelos outros té à morte!

Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Florbela Espanca



Foi com pena que hoje vi que a casa onde viveu a Florbela Espanca estava a degradar-se. Já lhe faltam vidros na janela do 2.º Andar ... pronta a ficar como a do lado abandonada e a cair. Isto em pleno centro da vila (ou já será cidade) de Vila Viçosa