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sábado, 18 de outubro de 2025

Sou barco


Sou barco abandonado 
Na praia ao pé do mar 
E os pensamentos são 
Meninos a brincar. 

Ei-lo que salta bravo 
E a onda verde-escura 
Desfaz-se em trigo 
De raiva e amargura. 

Ouço o fragor da vaga 
Sempre a bater no fundo, 
Escrevo, leio, penso, 
Passeio neste mundo 
De seis passos 
E o mar a bater ao fundo. 

Agora é todo azul, 
Com barras de cinzento, 
E logo é verde, verde, 
Seu brando chamamento. 

Ó mar, venha a onde forte 
Por cima do areal 
E os barcos abandonados 
Voltarão a Portugal.

António Borges Coelho

sábado, 12 de agosto de 2023

sexta-feira, 13 de dezembro de 2019

quinta-feira, 25 de abril de 2019

«Foram-te longe encerrar»



Abre hoje, finalmente, a primeira parte do Museu Nacional da Resistência e da Liberdade na Fortaleza de Peniche. Às 18h00 será descerrado, na entrada interior da antiga prisão, um grande memorial onde estão inscritos os nomes dos 2510 presos políticos que, entre 1934 e 1974, estiveram aqui encarcerados. 



quinta-feira, 20 de novembro de 2008

«Carta a Ângela»

Quando oiço «Palabras para Julia», lembro-me sempre de «Carta a Ângela», de Carlos de Oliveira. E a primeira vez que ouvi este poema foi na voz de Luís Cília.

CARTA A ÂNGELA

Para ti, meu amor, é cada sonho
de todas as palavras que escrever,
cada imagem de luz e de futuro,
cada dia dos dias que viver.

Os abismos das coisas quem os nega,
se em nós abertos inda em nós persistem?
Quantas vezes os versos que te dou
na água dos teus olhos é que existem!

Quantas vezes chorando te alcancei
e em lágrimas de sombra nos perdemos!
As mesmas que contigo regressei
ao ritmo da vida que escolhemos!

Mais humana da terra dos caminhos
e mais certa, dos erros cometidos,
foste de novo, e sempre, a mão da esperança
nos meus versos errantes e perdidos.

Transpondo os versos vieste à minha vida
e um rio abriu-se onde era areia e dor.
Porque chegaste à hora prometida
aqui te deixo tudo, meu amor!

Carlos de Oliveira

Luís Cília - «Carta a Ângela» (1967)


www.luiscilia.com