Fez há uns meses 40 anos que a jovem Laurie Verchomin, 22 anos, conheceu e se tornou musa do pianista Bill Evans, 50 anos, um talento do jazz atormentado pelas drogas. O amor entre tournées, entre curas e recaídas, vai durar dois anos até à morte de Evans.
The Big Love - Vie et mort avec Bill Evans, Laurie Verchomin, Jazz&Cie, 140p, €18
A autora, crítica literária e romancista, escreve sobre como foi ser filha de Ingmar Bergman e de Liv Ullmann, a família recomposta que se encontrava no Verão na Suécia, segredos de família, projectos de livros e sobre o envelhecimento.
Le Registre de l' inquiétude, Linn Ullmann, trad. do norueguês por Céline Romand-Monnier, Actes Sud, 448p, €23.
Depois de tantas e tão boas biografias ( Colette, Romain Gary, Berthe Morisot, Stefan Zweig, Gala Dalí ) , a escritora, jornalista e crítica literária fala de si mesma, da infância com o pai historiador, e também obviamente da sua carreira nas letras .
Mes vies secrètes, Dominique Bona, Gallimard, 320p, €20
Uma família criminosa que a banda desenhada ( Lucky Luke ) e o cinema não deixaram esquecer. Esta autobiografia foi escrita por Emmett Dalton, o único sobrevivente do bando dos irmãos Dalton. Condenado a prisão perpétua, é libertado em 1907, com apenas 36 anos. Torna-se agente imobiliário, dá conferências por todo o país sobre o sistema prisional, e escreve dois livros sobre a sua vida e o gangue dos Dalton, e ainda foi actor na nascente Hollywood !
Le Gang des Dalton, notre véritable histoire, Emmett Dalton, Petite Bibliothèque Payot, 208p, €8
Estamos em 1930, e Ella Maillart chega a Moscovo. Tem 26 anos, e um desejo imenso de conhecer esse país que a fascina. Esta autobiografia mostra-nos o seu quotidiano, a sua estada em casa da condessa Tolstoi, mas também o açúcar que é de venda livre num dia e de venda controlada no dia seguinte ...
O mais interessante é o que se vai seguir nos meses seguintes : a travessia do Cáucaso a pé , e todas as peripécias da Rússia de Estaline.
Parmi la jeunesse russe, Petite Biblio Payot Voyageurs, 217p, €7
Não sei se vou experimentar, mas aqui ficam as receitas de salsichas e puré, e da shepherd's pie, segundo Keith Richards:
(p. 539-541)
A propósito de Mick Jagger ter aceitado ser nomeado cavaleiro: «Como houve uma confusão com as datas, não foi a rainha a dar-lhe o toquezinho com a espada nos ombros: creio que isso faz dele um cur [rafeiro] em vez de um Sir. Pelo menos, não insiste em que lhe chamem Sir Mick, ao contrário de muito boa gente. A verdade é que nos fartamos de gozar com a coisa, nas costas dele. Quanto a mim, nunca serei Lorde Richards; não me contentarei com nada abaixo de rei, Rei Ricardo IV [...].» (p. 551)
«Enquanto a Doris [mãe de K.R.] se encontrava às portas da morte, a câmara de Dartford batizava as ruas de uma nova urbanização perto da nossa velha casa de Spielman Road com os nomes de Sympathy Street, Dandelion Row, Ruby Tuesday Drive. Tudo no prazo de uma vida. Poucos anos depois de termos a polícia a empurrar-nos contra a parede, davam às ruas nomes em nossa honra.» (p. 564)
Se não fossem umas críticas que li quando este livro foi publicado, nunca o teria lido. Há poucos dias L'Obs também se referia a Life como uma das únicas grandes autobiografias escritas por um músico de rock.
Foi escrita por Keith Richards como que ele conta na sua Life: «peguei na guitarra e escrevi Angie numa tarde, sentado na cama. Comecei simplesmente a cantar: "Angie, Angie." Sem pensar em ninguém em particular; era só um nome, como "oh, Diana". Ainda nem sabia que a Angela [a filha que nasceu pouco depois] se chamaria Angela.» (p. 329)
O primeiro disco que Keith Richards comprou foi Long Tall Sally, de Little Richard:
«Mas o que me deu mesmo a volta à cabeça, numa noite em que sintonizei o meu radiozinho na Rádio Luxemburgo, quando já há muito devia estar deitado e a dormir, foi Heartbreak Hotel. Uma verdadeira explosão. [...] Nunca tinha ouvido nada assim. Nem sabia quem era o Elvis». (p. 64)
Continuo a ler entusiasticamente a autobiografia de Keith Richards. O guitarrista nasceu em 1943 em plena II Guerra, tendo crescido no pós-Guerra. As pessoas falavam pouco sobre o assunto: «Em Inglaterra, imperava o nevoeiro: não apenas o físico, mas também um outro, um nevoeiro de palavras. As pessoas não manifestavam as suas emoções.» (p. 63). A mãe dele, Doris, ouvia muita música e sabia distinguir a boa e da má.
«A Doris era [...] uma pessoa muito musical, como o Gus [o avô]. No fim da guerra entre os três e os cinco anos, ouvi Ella Fitzgerald, Sarah Vaughan, Big Bill Broonzy, Louis Armstrong. E aquela música falava-me, todos os dias a ouvia porque era o que a minha mãe punha a tocar. [...] a Doris ensinou-me a passear os ouvidos pela zona negra da cidade, sem sequer se dar conta disso. Sabia lá eu de que cor era a pele dos músicos: bem podiam ser brancos, pretos ou verdes. Mas s tiveres um ouvido um nadinha musical, passado algum tempo começas a notar a diferença entre o Aint That a Shame do Pat Boone e o Aint That a Shame do Fats Domino. Não é que a versão do Pat Boone seja particularmente má [..] mas comparada com a naturalidade da do Fats, soa oca e produzida.»
Ouvindo estas duas versões, estou de acordo com Keith Richards.
«A Doris também gostava do que o Gus ouvia. Ele recomendava-lhe Stéphane Grappelli, o Quinteto do Hot Club do Django Reinhardt - ah! o maravilhoso swing daquela guitarra -, Bix Beiderbecke. Ela gostava de um bom swing. Mais tarde, adorou ouvir o grupo de Charlie Watts no Ronnie Scott's.»
Sábado correu um boato, segundo o qual Charlie Watts, o baterista dos Rolling Stones, tinha falecido. Watts é considerado um dos maiores bateristas do mundo e tem gravado discos a solo, na área do jazz.
Uma rockalhada de Bruce Springsteen do seu último disco, Chapter and Verse, que inclui cinco temas inéditos do início da sua carreira. O disco foi feito para acompanhar a leitura da autobiografia, Born to Run, que é hoje publicada mundialmente - em Portugal, pela Elsinore.
A seguir à leitura de Keith Richards, vou continuar no rock. Já perceberam que vão ter de me aturar.
Depois de ler esta crónica de António Prata publicada num livro a que me referi, resolvi abalançar-me a ler as memórias de Keith Richards. Quando saíram, em 2011, foram muito elogiadas e eu fiquei com a pulga atrás da orelha.
Pois estou a lê-las, tal como a mulher do cronista brasileira, com enorme prazer. Um enorme trambolho.
«Das melhores autobiografias de uma estrela rock de sempre.»
Rolling Stone
«Da música a Mick [Jagger], das drogas às mortes: Richards deixa muito pouco por contar no seu imensamente legível livro de memórias.»
Sunday Times
«A biografia de uma estrela rock mais brutalmente honesta e importante desde há muito tempo.» Washington Post
«Como legendário guitarrista dos Rolling Stones, Keith Richards fez mais coisas, foi mais coisas e viu mais coisas do que o leitor ou eu alguma vez sonhámos. Ler Life, a sua autobiografia, deverá despertar (caso tenha um pulso e um QI acima de 100) a estrela de rock que há em si... Acredite que não vai querer perder nem uma palavra. [...] Ler este livro é como fechar-se dentro de um quarto com Keith Richards e perguntar-lhe sobre tudo aquilo que sempre quis saber acerca dos Rolling Stones, e ele responder-lhe de forma completamente honesta.»
Liz Phair, in New York Times Book Review
Já apelidada de Santo Graal das biografias de estrelas de rock, Life foi celebrado como um fenómeno incrível: mais de um milhão de cópias vendidas em menos de um ano. Em Life, Keith revela-nos os seus excessos e fragilidades, mas também todo o seu sentido de humor e coragem. Desde música, sexo, drogas, a lutas de facas, pouco fica por contar neste seu relato entusiástico e vibrante que nos revela os bastidores da maior banda de rock do mundo, os Rolling Stones: o seu nascimento, a passagem de Brian Jones pela banda, as rusgas policiais, os problemas com a lei, a conturbada relação de Keith Richards com Mick Jagger, e a verdade acerca de todos os boatos e mitos que rodeiam uma das mais carismáticas figuras musicais de todos os tempos.
Keith Richards foi o vencedor do prémio Writer of the Year 2011, instituído pela revista britânica GK.
Há cerca de dois anos li um livro que Keith Richards escreveu para os netos sobre o seu avô Gus, que lhe ofereceu a sua primeira guitarra e que o ensinou a tocar Malagueña. Acho que me referi a esse livro, aqui no blogue.
Esta gravação não é famosa, mas foi a que consegui. Deviam ter posto um microfone junto à guitarra, mas provavelmente ele não quis.
O mais famoso casal de caminhantes de França, provavelmente de toda a Europa . Este é o relato da mais recente aventura, 3000km entre Lyon e Istambul , e quando se tem mais de 70 anos é obra ... Mas ajuda a perceber que é um casal especial saber que foram também os fundadores da SEUIL, uma associação que recupera jovens condenados através da marcha, com 80% de sucesso .
Nove anos demorou esta autobiografia da actriz Charlotte Rampling , escrita com a colaboração de Christophe Bataille. A prova de que escrever sobre a vida de uma das mais reservadas actrizes não é fácil ...
É da Grasset .
É hoje posta à venda as " memórias do cárcere " de Isaltino Morais. Relatos do mais elevado ( " Apesar da prisão me puxar para o abismo, a cada momento apelo às minhas energias positivas e penso no futuro " ) ao mais prosaico ( " O almoço hoje foram batatas cozidas com um ovo cozido . De sobremesa : laranja " ).
Uma edição da Esfera dos Livros .
Sobreviver a uma doença grave foi o mais recente desafio da escritora Leonor Xavier, e essa luta saiu agora sob a forma de livro, com um título muito interessante : Passageiro Clandestino ( Círculo de Leitores, 2014 ).
(...) Desde o princípio percebi, a doença é uma iniciação. (...) Sou sobrevivente, serei ressuscitada. (...) o amor à vida, que não é coragem nem bondade, que não é inteligência nem dever, é o dom que tudo explica