Júlio Pomar, Fernando Pessoa
“Por mentalidade de qualquer país entende-se sem dúvida, a mentalidade das três camadas, organicamente distintas, que constituem a sua vida mental – a camada baixa, a que é uso chamar povo; a camada média, a que não é uso chamar nada, excepto, neste caso por engano, burguesia; e a camada alta , que vulgarmente se designa por escol (no sentido de elite), ou, traduzindo para estrangeiro, para melhor compreensão, por elite.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não ler,é incapaz de criticar o que lê ou o que lhe dizem (…) O que caracteriza a segunda, é a capacidade de reflectir, porém sem ideias próprias; de criticar, porém com ideias de outrem. Na classe média mental, o indivíduo, que mentalmente já existe, sabe já escolher (…); não sabe, porém, contrapor a ambas uma terceira, que seja própria. (…).
O que caracteriza a terceira camada, o escol, é, como é de ver por contraste com as outras duas, a capacidade de criticar com ideias próprias.
Importa, porém, notar que essas ideias próprias podem não ser fundamentais.”
(Continua)
O caso mental português de Fernando Pessoa seguido de A loucura universal de Raul Leal, Lisboa: Padrões Culturais Editora, 2007, p.19-22.
O que caracteriza a primeira camada mental é, aqui e em toda a parte, a incapacidade de reflectir. O povo, saiba ou não ler,é incapaz de criticar o que lê ou o que lhe dizem (…) O que caracteriza a segunda, é a capacidade de reflectir, porém sem ideias próprias; de criticar, porém com ideias de outrem. Na classe média mental, o indivíduo, que mentalmente já existe, sabe já escolher (…); não sabe, porém, contrapor a ambas uma terceira, que seja própria. (…).
O que caracteriza a terceira camada, o escol, é, como é de ver por contraste com as outras duas, a capacidade de criticar com ideias próprias.
Importa, porém, notar que essas ideias próprias podem não ser fundamentais.”
(Continua)
O caso mental português de Fernando Pessoa seguido de A loucura universal de Raul Leal, Lisboa: Padrões Culturais Editora, 2007, p.19-22.
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