Prosimetron

Prosimetron

domingo, 18 de outubro de 2026

Leituras no Metro - 3006

«Estou instalado no Flore en l'Île, no lugar que ele [meu pai] costumava ocupar. É de manhã. Pedi um café e um sumo de toranja. As pessoas agitam-se à minha volta. Não tenho pressa.»
Éric Fottorino - Beijos de Luz. Cruz Quebrada: Teorema, 2008, p. 21.

Gilles Hector frequenta este café na Île Saint Louis e vive na casa que era de seu pai, na rue Budé. Também já tomei vários café neste café e um dia fui lá comer um gelado Bertillon. Gosto muito desta zona de Paris e, em setembro, também andei por lá.
Este livro vai aqui voltar porque o protagonista frequenta muitos sítios meus conhecidos.


3 comentários:

Anónimo disse...

É tão bom ler livros que descrevem sítios onde já estivemos e fomos felizes, (como diria o outro...)
Adoro quando isso me acontece😊
Bom domingo!
Maria

MR disse...

Deste modo, visualizamos. Sítios que não conhecemos, imaginamos.
Bom domingo!

Fernando FIRMINO disse...

Numa curiosa coincidência, no momento em que releio a deliciosa citação de Éric FOTTORINO ["Beijos de Luz", edição portuguesa da Teorema, de 2008 (versão original publicada, no ano anterior, pela Gallimard, com o título "Baisers de Cinéma")], uma agradável sugestão literária que, para além de tudo o mais, nos convida para alguns característicos "menus" da "cuisine" Parisiense, volto ao "testemunho", particularmente elucidativo, do ilustre Cidadão do Alto Minho, ANTÓNIO Pereira de Vasconcelos da Rocha LACERDA e Melo, intitulado "Um Barquense na EXPOSIÇÃO UNIVERSAL de Paris DE 1900: Apontamentos de Viagem", com Introdução, Notas e Transcrição de António GUIMARÃES (ed. da Câmara M. de Ponte da Barca e AL - Publicações, 2013, págs. 110 e 111]:

"Um dos factos que mais importância tem para o estrangeiro em Paris é a questão da comida. É difícil nesta cidade (...) ter um poiso fixo aonde vá satisfazer as necessidades do estômago. (...) A comida em França (...) paga-se por alto preço, sendo em pequena quantidade. Os Franceses comem umas poucas de vezes ao dia e pouco de cada vez. Exemplifico com umas senhoritas que ficaram, numa ocasião, ao nosso lado a jantar. Dois caldos, uma [pediu] omelette, outra um linguado e queijo. Como o meu estômago de Minhoto ficou estarrecido e admirado! (...) Numa [outra] ocasião (...), tirei uns peixinhos e rabanetes. Pareciam-me grande preciosidade, mas mastiguei e deixei. Afiguraram-se-me crus. Eram mais dois pratos à escolha: uma ração de carne e espinafres. Comemos e olhámos uns para os outros. (...) Pareceu-nos escassa, mas o segundo prato completará. Eram borrachos, um por cabeça. Uma sobremesa qualquer, por último. Mas havia café e cognac, servido na sala de fumo! (...) O almoço era próprio para crianças. Todavia, a vista descansou nessas elegâncias (...), já que não podia olhar para os manjares."

Era, efectivamente, um tempo novo (tudo muito "moderno", tudo muito "cosmopolita"); mas, ao mesmo tempo, "muito penoso para o 'touriste' " gastrónomo Lusitano, durante a sua contraditória "vivência na extraordinária Cidade-Luz", naquele que foi, na verdade, "um acontecimento marcante da viragem do século"!!!...

Muito Boa Noite!