Barcarena: Manuscrito, 2024.
«No seu discurso de tomada de posse [como ministro das Finanças], no qual revelou que só aceitou o cargo com grande relutância e sacrifício, [Salazar] sublinhou: "Sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, o País estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando chegar à altura de mandar." Estava forjada a imagem do humilde professor universitário que não gostava de política, e que só aceitava o cargo por dever e á custa de todos os sacrifícios pessoais. No entanto, a realidade seria bem diferente e Salazar já tinha todo um projeto político e preparava-se para tomar o poder e o implantar.» (p. 22)
«Sob a égide do corporativismo, o Estado Novo irá acabar com o sindicalismo livre e o direito á greve, reprimindo as lutas operárias e perseguindo os seus dirigentes. São criados os Sindicatos Nacionais, de inscrição obrigatória e quase sempre de base regional e profissional, controlados pelo governo e sob tutela do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência (INTP), pertencente ao Subsecretariado de Estado das Corporações. As direções destes sindicatos estavam sujeitas a homologação governamental, que as podiam demitir. Estava esvaziada toda e qualquer capacidade reivindicativa do movimento operário. Além disso foram criados os grémios patronais da indústria, do comércio e da lavoura, uma forma de organização corporativa por parte dos patrões; e as Casas do Povo e dos Pescadores, dirigidas pelos grandes proprietários ou pelas autoridades portuárias, sob controlo do INTP, acabaram por servir como formas de enquadramento político-ideológico da população rural e piscatória.» (p. 25)
Ainda a procissão vai no adro...

















































