Lisboa: Tinta da China, 2013.
Ryszard Kapuściński (1932–2007) foi um jornalista e repórter polaco. Conhecido pelo seu «jornalismo mágico», foi correspondente internacional da Agência Polaca de Imprensa (PAP) e foi neste papel que esteve em Angola em 1975, depois da saída dos portugueses e antes de ser proclamada a independência do país.
Há muito que eu queria ler este livro. Proporcionou-se agora quando uma amiga o estava a devolvê-lo a outra. Emprestou-mo e comecei a lê-lo, quase compulsivamente.
Dá-nos um retrato da ponte aérea que Portugal criou para retirar os portugueses de Angola e da «cidade de madeira» (como ele chama aos caixotes com os pertences dos evacuados), transportada por mar e que ele mais tarde vê ao longo do cais do Tejo.
Quando a «cidade de pedra», Luanda, ficou inabitável, Kapuściński foi para a frente de guerra, juntando -se a um batalhão do MPLA, do comandante Ndozi.
«Ju-Ju é um angolano branco, o que significa que a sua família é de Portugal, mas que ele nasceu em angola, a sua terra natal. Há centenas como ele no MPLA. Lutam nas linhas da frente ou trabalham no estado-maior ou na administração. Todos usam barba. Aqui, é um sinal distintivo: um branco de barba é de Angola e ninguém lhe pede documentos ou o detém para interrogatório.» (p. 58)
«Os prisioneiros [FNLA] e os guardas [MPLA] estavam embrenhados numa conversa animada, a discutir os resultados do desafio de futebol do dia anterior. Ontem, o Benfica tinha derrotado o Ferroviário por 2-1 no estádio em Luanda. O Ferroviário, que já não perdia há dois anos, saiu de campo vaiado pelos seus próprios adeptos. A equipa perdeu porque o seu principal goleador, Chico Gordo, deixara o seu clube para ir jogar para o Sporting de Braga, em Portugal.» (p. 62)