Prosimetron

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terça-feira, 22 de maio de 2018

In memoriam António Arnaut



«Quem não conhecer mais do que pela rama António Arnaut dirá que ele era o ‘pai’ do Serviço Nacional de Saúde, homem íntegro e probo, que há 82 anos nascera em Penela, perto de Coimbra onde se licenciou em Direito e exerceu advocacia. Saberá ainda que foi deputado da Assembleia Constituinte e de outras legislaturas, além de [fundador e] dirigente do PS até 1983, tendo, já em 2016, sido nomeado presidente honorário do seu partido de sempre.
«Quem não recordar tudo, esquecerá que aprovou o SNS num Governo de coligação do PS com o CDS e que foi é e será uma referência para a Maçonaria, tendo pertencido ao Grande Oriente Lusitano, de que foi Grão-Mestre por três anos (e não mais porque não quis). E quem quiser fazer política esquecerá o seu sentimento de fraternidade e a sua crença numa transcendência que vai para além de Igrejas e religiões, da sua tolerância, que vai para além de partidos e ideologias, e da sua liberdade interior que lhe permitiu ser dos homens mais alegres e livres que conheci.»
(Início do artigo de Henrique Monteiro no Expresso online, ontem.)

Pensamento ( s )


Lá fora - 336






Uma exposição patente no Palácio de Kensington, precisamente o local onde nasceu e viveu a sua infância solitária a futura rainha Vitória, preparando já o bicentenário do nascimento da soberana britânica ( 2019 ).

Victoria Revealed, Palácio de Kensington, até 16 de Janeiro de 2020.

Um quadro por dia - 415


Mais um recorde na venda da Colecção Rockefeller : para uma obra de Henri Matisse, cuja Odalisque couchée aux magnolias, 1923, onde vemos o seu modelo preferido Henriette Darricarrère, atingiu os 80 milhões de dólares.

Da vinheta







20 anos ! Uma renovação notável do território é para mim o legado mais importante, até por contraste com outras exposições internacionais ( Sevilha, por exemplo ... ) que deixaram destroços e ruínas. Ao contrário de alguns prognósticos, abriu no dia marcado e sem sobressaltos, correu sem incidentes, e se financeiramente não foi exactamente um sucesso , tudo acabou por se resolver graças à própria dinâmica do mercado imobiliário.
Hoje, e apesar de alguns problemas de manutenção, continua a ser aprazível de visitar e até viver.

Humor pela manhã


Um verdadeiro trono ! :)

Bom dia !

Parabéns, Germano Almeida!


Gosto imenso da escrita de Germano Almeida, este ano vencedor do Prémio Camões. O júri «Deliberou conceder por unanimidade o Prémio Camões ao autor cabo-verdiano Germano Almeida pela riqueza de uma obra onde se equilibram a memória, o testemunho e a imaginação; a inventividade narrativa alia-se ao virtuosismo da ironia no exercício da liberdade, de ética e de crítica, conjugando a experiência insular e da diáspora cabo-verdiana. A obra atinge uma universalidade exemplar no respeito à plasticidade da língua portuguesa», como se lê na ata da reunião.

O filme de Francisco Manso baseado numa das primeiras obras de Germano Almeida, O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo (1989).

Maio 68 - 19


Paris, 22 de maio de 1968, à hora de almoço, um belo rapaz de 22 anos, com dois metros de altura, entra no Hotel Meurice. Ele atravessou Paris paralisada pela greve geral e agitada pela insurreição estudantil que lhe lembra Paris da Libertação. Ele acabou de publicar na Gallimard o seu primeiro romance, cuja ação decorre na Ocupação, assombrada pelo anti-semitismo.
O Hotel Meurice foi durante a Ocupação a sede da Kommandantur e serviu de habitação ao general von Choltitz. O rapaz é Patrick Modiano, que o júri do prémio Roger-Nimier, em que participam escritores colaboracionistas como Jacques Chardonne, Marcel Jouhandeau e Paul Morand, se apressa a consagrar com um cheque de 5000 francos.


Maio 68 - 18


No dia 22 de maio de 1968, um grupo de jogadores desembarcou no 60 da Avenue d'Iena, em Paris, com a firme intenção de ocupar a sede da Federação Francesa de Futebol. Na rua, são distribuídos folhetos aos transeuntes, enquanto que na sede os funcionários estão reunidos numa sala, e o secretário-geral, Pierre Delaunay, e Georges Boulogne, selecionador nacional, foram instalados noutra sala. Ninguém entra no prédio, enquanto uma bandeira vermelha e dois panos são colocados  na fachada: O futebol para os futebolistas!

Marcadores de livros - 1059

Nunca li, mas quem leu gostou.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

Boa noite!


Trailer do filme de Michel Dominici.


Novidades




Uma novidade editorial que aqui trago em " complemento " às belas séries que a nossa M.R. nos tem apresentado em evocação do Maio de 68.

Le Trait 68, Insubordination graphique et contestations politiques, 1966-1977, Vincent Chambarlhac, Julien Hage e Bertrand Tillier, éditions Citadelles&Mazenod.

Pensamento ( s )







Só a arte é útil. Crenças, exércitos, impérios, atitudes - tudo isso passa. Só a arte fica, por isso só a arte se vê, porque dura.

- Fernando Pessoa ( 1888-1935 )

Onde me apetecia estar - 155





Últimos dias do Parsifal dirigido por Philippe Jordan na Opéra-Bastille ( 27 de Abril / 23 de Maio ), que conta com Peter Mattei como Amfortas, Anja Kampe como Kundry e Andreas Schager como Parsifal.

operadeparis.fr

Cinenovidades





Um quarteto de actores notáveis ( Daniel Auteil, que também realiza, Sandrine Kiberlain, Depardieu e Adriana Ugarte ) na adaptação da peça de Florian Zeller .

Emocionante

Não costumo escrever muito sobre futebol, até porque vejo poucos jogos inteiros, mas ontem foi emocionante ver até ao apito final o jogo derradeiro da Taça de Portugal, em que saiu vitorioso um astuto David contra um enfraquecido Golias . Parabéns ao Desportivo das Aves, justo vencedor !

Números

1717 / 900

Bem sei que nisto todos os governos são iguais, mas seguindo a velha máxima, há uns mais iguais que outros ...

Um quadro por dia - 414



Ainda a colecção David e Peggy Rockefeller :  Cape Ann Granite, 1928, uma das raras paisagens de Edward Hopper.

Da vinheta



(...) Os jacarandás de Lisboa florescem em maio, a meio da primavera, como manda a sua natureza. Mas têm também uma falsa, quase imperceptível, floração em outubro, que é exactamente quando ocorre a floração na América do Sul, de onde é proveniente. É a recordação da estação primaveril que está a ocorrer no outro hemisfério. (...)

- Luís Filipe Castro Mendes, em entrevista ao Jornal de Letras


Humor pela manhã


Bom dia !





Boa semana !

Luz Obscura


Um documentário excelente de Susana de Sousa Dias sobre a vida dos filhos dos clandestinos e dos presos do PCP, aqui testemunhada pelos três filhos de Octávio Pato, que chegaram a ter ambos os pais presos. Na sessão a que foi, houve uma conversa posterior à exibição do filme com Domingos Abrantes e Conceição Matos.
O filme está no Ideal só até 4.ª feira.

Maio 68 - 17



Les Années 68 é um filme inglês de Don Kent, escrito pelo realizador e por François-Xavier Destors que passa amanhã, 22 de maio, na Arte, às 19h50 (hora de Portugal continental).
Quais as origens da vaga de greves e manifestações que assolou o mundo em 1968. Na verdade, essa vaga começou a formar-se em 1965 nos Estados Unidos com as lutas pelos direitos civis e os primeiros movimentos contra a guerra do Vietname. 
Em 1968, levantamentos tiveram lugar em Roma, São Francisco, Paris, Tóquio, Berlim, São Paulo, Argel, Londres. 
Na vi este filme e não sei se o movimento estudantil de Coimbra de 1969, é referido no filme. Mas devia sê-lo.


Marcadores de livros - 1058

Três marcadores da Seix Barral (verso e reverso) que vieram de Lugo. Estou com vontade de ler mais um livro de Donna Leon. Veremos...

domingo, 20 de maio de 2018

Os meus franceses - 622

Eu não conhecia este filme de Jean Vigo que é referido por François Truffaut em Os filmes da minha vida. Estive a rever L'Atalante e encontrei este pequeno filme sobre Nice no YouTube.Espero que gostem!

Marcadores de livros - 1057



Verso e reverso de um marcador recortado, com um agradecimento à Justa.

A cozinha e a adega...

Jean-Baptiste Siméon Chardin - A criada de cozinha, 1738
Washington, National Gallery of Art

Jean-Baptiste Siméon Chardin - O rapaz da adega, 1738
Glasgow, Hunterian Museum and Art Gallery

A cozinha e a adega exercem uma larga influência sobre as sociedades.
Eça de Queirós

sábado, 19 de maio de 2018

Os meus franceses - 621



Maio 68 - 16



Daqui a pouco Charles Diaz, comissário geral da polícia nacional francesa, vai fazer uma conferência sobre o Maio 68, assim como uma visita guiada ao Musée de la Préfecture de police (Paris). Charles Diaz é autor do livro Mémoires de police. Dans la tourmente de Mai 68.
Já visitei este museu que é bastante interessante. Imagino que deve ter materiais muito variados (desde comunicados, cartazes, fotografias...) até outros materiais que tenham sido apanhados na rua nas manifestações do Maio 68. E gostaria de ouvir a perspetiva do conferencista.

Paris: Textuel, 2017

«Qui étaient-ils, ces policiers face aux manifestants en mai 68 ? Comment étaient-ils organisés ? Ce livre retrace les deux mois historiques de cette année mythique. Il offre un point de vue différent, de l'autre côté des barricades : témoignages, notes de service, "blancs" des RG, ordres et contre-ordres, saisies à l'Ecole des beaux-arts ou à la Sorbonne, poursuite de Daniel Cohn-Bendit, jamais là où on l'attend... Au fil des pages, l'auteur dévoile les archives photographiques et documentaires - pour la plupart inédites - de la préfecture de police de Paris. On y lit les consignes strictes du préfet Maurice Grimaud contre les violences policières, la demande d'intervention du recteur de la Sorbonne qui a mis le feu aux poudres, ou les directives de Raymond Marcellin, ministre de l'Intérieur favorable à un retour à l'ordre musclé. Les notes internes montrent la gestion des très nombreux agents mobilisés, leur difficile coordination, les questionnements des policiers, leur sidération aussi. Sous l'uniforme, souvent très jeunes, ils se trouvent confrontés à l'une des plus violentes guérillas urbaines de l'après-guerre. Une expérience collective qui aura de nombreuses conséquences sur l'organisation des forces de l'ordre après "les événements" et qui interpellera la population sur le rôle de l'institution policière.» (Transcrito do site da Amazon.)

Frantz

Sou fã do cinema de François Ozon. Ontem fui ver Frantz, que recomendo vivamente.


«Alemanha, 1919. O pesadelo da Primeira Grande Guerra chegou finalmente ao fim. Após a morte em combate do seu noivo, Frantz, Anna vive com os sogros numa pequena aldeia. Incapaz de lidar com a perda, todos os dias visita a campa do seu amado. Um dia, dá-se conta da presença de Adrien, um ex-soldado francês que afirma ser amigo de Frantz.» (Retirado do cinecartaz.) Com Paula Beer e Pierre Niney. Este foi o protagonista de Yves Saint-Laurent.


Marcadores de livros - 1056



sexta-feira, 18 de maio de 2018

Os meus franceses - 620


Elizabeth Vigée Le Brun no MNAA

Elizabeth Vigée Le Brun - Retrato da condessa de Verdun, 1782

O Museu Nacional de Arte Antiga recebeu hoje o retrato da Condessa de Verdun, pintado por Elisabeth Louise Vigée Le Brun. O quadro pertence à coleção de 97 obras de arte do antigo BES, que vão integrar museus portugueses. Os protocolos de cedência entre o Novo Banco e os museus é de cinco anos, renovados automaticamente. 
Não entendo porque é que há de ser uma cedência e não entrarem definitivamente na posse do Estado, como contrapartida (que enriqueça o nosso património cultural) dos milhões de euros que o Estado tem enterrado naquele banco. 
Este quadro terá sido pintado em 1782 por Elisabeth Vigée Le Brun e retrata a sua melhor amiga, numa altura em que esta teria cerca de 22 anos.
Ao que parece este quadro não era conhecido, pelo que não deve ter constado da grande exposição que foi dedicada à artista há três anos no Grand Palais.
Pode aceder ao acervo de pintura, numismática, fotografia e livros do ex-BES em
https://nbcultura.pt/

Marcadores de livros - 1055


Agradeço quem me trouxe este marcador de Marrocos.

Maio 68 - 15

Greve em maio 68 diante da fábrica A.E.P., em Pierrefitte-sur-Seine

Quando começou a contestação estudantil em 1968, a mobilização operária já tinha começado em Pierrefitte. As faíscas desencadeadas pelo movimento estudantil deram uma amplitude impensável ao movimento operário. Pierrefitte tinha então cerca de 19 000 habitantes e duas fábricas importantes: ARMCO que fabrica tubos de aço e a fábrica de cartão Lincrusta-Nuyts. Os habitantes de Pierrefitte trabalham na fábrica Hotchkiss (veículos civis e militares), e nos Ateliers électriques pierrefittois (AEP), na tinturaria Fontanis, etc. 
A questão do emprego era então central nos arredores de Paris, havendo naquela época 200 desempregados na terra, número que nos aprece hoje irrisório. O governo promovia uma política de descentralização industrial e encorajava financeiramente a deslocalização de fábricas para zonas menos industrializadas. Foi o caso de ARMCO em Pierrefitte que anunciou em 14 de março de 1968 que se ira estabelecer na região de Tours dentro de dois anos. Este clima levou a uma primeira manifestação pelo direito ao trabalho em Saint-Denis a 29 de março e depois no desfile do 1.º de Maio.
Em 13 de maio a greve geral levou a uma manifestação de um milhão de pessoas em Paris e 10 000 em Saint-Denis. Mais de 100 empresas e o funcionalismo público entraram em greve.
A partir de 18 de maio em Pierrefitte não há comboios nem camionetas até nova ordem.
Em 20 de maio, muitas fábricas foram ocupadas, os telefones, correios, escolas, etc., entram em greve. Havia então entre sete e dez milhões de grevistas em França. 
É esta história e o seu fecho que se pode ver na exposição Mai 68 à Pierrefitte nos Arquivos Municipais.
Podem ver o documentário de Pierre Potel aqui:
https://www.cinearchives.org/Catalogue-d-exploitation-494-802-0-0.html

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Boa noite!


Um quadro por dia - 413


Nympheas en fleur, Claude Monet, mais uma tela da Colecção Rockefeller, mais um recorde : vendida por 84 milhões de dólares .

Citações



(...) também certamente no guião, estava a reacção de César à desfiliação de Sócrates. Momento único, diga-se de passagem. Com um ar de estadista, dirigiu-se aos Passos Perdidos, e verteu lágrimas de crocodilo que ficam para os anais de como a hipocrisia pode ser tão maquiavelicamente usada.
A paz volta, assim, ao PS, agora um partido novo e imaculado. Já se tinha auto-isentado da responsabilidade do pedido de ajuda externa, como se fosse outro o PS que quase nos levou à bancarrota. Com a ética ( republicana ) na ponta da língua, invocam-na, umas vezes, para o mero cumprimento farisaico da lei ou, então, dão-lhe uma plasticidade adequada ao tacticismo oportunista, puro e duro. Por vias travessas e calculistas, enxergaram finalmente ( hélas ! ) que a norma ética é bem mais exigente que a norma jurídica e que, politicamente, é tão necessária a legalidade de direito como a legitimidade moral .

- António Bagão Félix, no Público da passada Sexta-feira .

Ainda a falta de revisores ...


De um canal de televisão. Sabendo-se que actualmente a esmagadora maioria dos profissionais são licenciados em jornalismo, comunicação, etc, é difícil ( ou não ... ) perceber este estado de coisas ...