Custa sempre saber do desaparecimento físico de um amigo.
Quando eu comecei a gostar de livros antigos existiam muitos livreiros que eram referências. Aos pouco tenho visto partir a grande maioria. E vou perdendo amigos.
Richard Ramer foi um deles. Sabia apreciar, como poucos, o livro como livro, como objecto. Não só pelo seu conteúdo mas também pelo seu papel, pelo seu formato, pelo seu cuidado bibliográfico. O livro como Arte!
A notícia da sua morte ocorreu hoje dia 4 de fevereiro de 2026. Para além das suas livrarias físicas situadas em Nova York (USA) e em Lisboa (em ambas convivi com ele) tinha, como ele dizia, a melhor livraria em cada uma das cidades, vilas ou aldeias do mundo - a sua livraria na WWW, ou seja: na casa de cada um, aberta 24 horas por dia, todos os dias do ano.
«No seu discurso de tomada de posse [como ministro das Finanças], no qual revelou que só aceitou o cargo com grande relutância e sacrifício, [Salazar] sublinhou: "Sei muito bem o que quero e para onde vou, mas não se me exija que chegue ao fim em poucos meses. No mais, o País estude, represente, reclame, discuta, mas que obedeça quando chegar à altura de mandar." Estava forjada a imagem do humilde professor universitário que não gostava de política, e que só aceitava o cargo por dever e á custa de todos os sacrifícios pessoais. No entanto, a realidade seria bem diferente e Salazar já tinha todo um projeto político e preparava-se para tomar o poder e o implantar.» (p. 22)
«Sob a égide do corporativismo, o Estado Novo irá acabar com o sindicalismo livre e o direito á greve, reprimindo as lutas operárias e perseguindo os seus dirigentes. São criados os Sindicatos Nacionais, de inscrição obrigatória e quase sempre de base regional e profissional, controlados pelo governo e sob tutela do Instituto Nacional do Trabalho e Previdência (INTP), pertencente ao Subsecretariado de Estado das Corporações. As direções destes sindicatos estavam sujeitas a homologação governamental, que as podiam demitir. Estava esvaziada toda e qualquer capacidade reivindicativa do movimento operário. Além disso foram criados os grémios patronais da indústria, do comércio e da lavoura, uma forma de organização corporativa por parte dos patrões; e as Casas do Povo e dos Pescadores, dirigidas pelos grandes proprietários ou pelas autoridades portuárias, sob controlo do INTP, acabaram por servir como formas de enquadramento político-ideológico da população rural e piscatória.» (p. 25)
A 23 de Agosto de 2025 um grupo de queridos e fraternos amigos deram-me a conhecer um pequeno monumento na Mata Nacional dos Sete Montes, na cerca do convento de Cristo, em Tomar: a Charolinha.
A antiga casa de fresco, remontava ao século XVI, e teve como arquiteto João de Castilho. Foi destruída com a tempestade Kristin, na noite de 29 para 30 de janeiro de 2026.
Raul Rêgo (15 de Abril de 1913 - 1 de Fevereiro de 2002)
Passam hoje 24 anos de silêncio! A 1 de fevereiro de 2002 um amigo que eu respeito passou ao Oriente Eterno. As suas palavras escritas e ditas (a sua vida) ficaram como exemplo em muitos momentos marcantes de Portugal. Enquanto lembrarmos o seu nome elas e ele continuam presentes.
De entre as muitas coisas que foi na vida também foi Soberano Grande Comendador do Rito Escocês Antigo e Aceito (para leigos, investido no 33.º grau e preside da organização do Rito [a forma com que a Maçonaria trabalha]) e Grão-Mestre do Grande Oriente Lusitano Unido.
Para muitos que não sabem o que é a Maçonaria deixo apenas apontamentos de uma via de trabalho:
O século XVIII foi para a Construção da Maçonaria; depois levou um século a criar/adotar o que é hoje o seu lema: Liberdade, Igualdade e Fraternidade.
O século seguinte foi para ajudar a afirmar o conceito de Liberdade - em especial a de respeitar a Liberdade do outro de pensar (quer individualmente, quer a nível de nação);
mais cem anos foram necessários para ajudar a afirmar o conceito de Igualdade (quer individualmente, quer a nível de nação);
estão a decorrer, mas ainda estamos no começo, os tempos (talvez venham a ser necessários mais de cem anos) em que a Maçonaria tenta ensaiar e fazer sentir os novos conceitos de Fraternidade (quer individualmente, quer a nível de família e estado/nação).
Mas o que é Fraternidade?
Com a ajuda da Liberdade e da Igualdade, a Maçonaria deve fazer sentir, deve ensaiar, deve aplicar o Lema, no seu todo.
Mas não é tirar as pessoas do seu meio. É ensinar as pessoas a sentir os três conceitos no seu país, na sua casa, na sua família e na sua vida individual. Só depois disso o cidadão pode trocar, pode amar, pode viver. Só depois disso a Democracia terá o seu valor, porque parte de premissas iguais, até lá encontra apenas: branco/preto; luz/trevas; partir/chegar e, assim, não existe o seu Lema.
O papel principal é o de educar! O cidadão, por medo e com ignorância busca e valoriza os extremos (de Esquerda e de Direita).
«Esta exposição celebra Barbara, ícone da canção francesa cuja voz, letras e melodias ainda ressoam hoje, quase 30 anos após a sua morte. Com base no acervo doado em 2023 à Biblioteca [Nacional de França] pela associação Barbara Perlimpinpin, a exposição evoca, através de uma centena de documentos, os métodos de trabalho de Barbara, a sua relação com o palco e a relação de amor que a cantora sempre manteve com o seu público.» (Daqui) A exposição pode ser vista até 5 de abril.