Prosimetron

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sábado, 19 de agosto de 2023

Boa noite!



Hoje lembrei-me deste fotógrafo que já andou aqui pelo blogue. E como a Maria lembrou que hoje é o Dia da Mundial da Fotografia aqui fica algo sobre Ara Güler.
 

Lorca em Compostela


Lorca en Compostela inaugurou no final de julho. É uma exposição sobre Federico García Lorca e a sua relação com Santiago (com a cidade e com a língua galega), que mostra cerca de 80 peças e documentos (manuscritos, desenhos, fotografias, etc.), alguns nunca antes exibidos. 
A exposição pode ser visitada na Casa do Cabido até princípios de novembro. 

Escultura de Lorca em Compostela, junto ao seu autor Álvaro de la Vega.


Para Enri, Justa e Maria Luisa.

Favaios / Alijó

O nosso viajante Julio Llamazares, que andamos a acompanhar há uns dias por Trás-os-Montes, quis ir provar o moscatel de Favaios na sua terra.


O viajante pergunta ao barqueiro de Pinhão o caminho para Favaios para ir provar o moscatel. 
«- Moscatel! Isso é para crianças! - exclama o homem, ofendido. - os homens de barba como nós bebem vinho do Pinhão. [...] O moscatel de Favaios é como a água do rio: bebe-se mija-se». Ele ficou sem saber o que era vinho do Pinhão e eu também.
«Ainda assim, o viajante vai a Favaios. [...] o viajante só vê a povoação quando vê à sua frente a tabuleta: Favaios, Capital do Moscatel, lê-se entre dois arabescos. A povoação fica atrás, escondida pelos vinhedos [...].
«Favaios [...] é uma povoação muito antiga. De casas grandes, de pedra, com uma fonte lindíssima e uma igreja impressionante (enorme, também de pedra, com um relógio de granito - de 1912 - e coberta de azulejos), delata desde o princípio a sua antiguidade e riqueza. Sobretudo, tendo em conta que a povoação nem sequer é capital da comarca. Vê-se que o vinho moscatel pelo menos dá dinheiro.
«- Bom, não nos queixamos - confessa o dono do bar onde o viajante entra finalmente depois de ter apreciado a igreja. [...]
«- Dá.me um moscatel?
«- Um copo?
«- Não, um cálice.»
Depois de experimentar o moscatel, Llamazares saiu da taberna, não antes de comprar uns garrafõezinhos de moscatel com 20 anos.



«Alijó já é uma vila grande. Sede do conselho com o mesmo nome e capital da Terra Quente [...]. Uma pousada, uma praça, uns quantos cafés e moradias e um rosário de casarões solarengos falam do seu passado e importância [...]. O viajante, pelo menos, quando percorre as suas ruas, apercebe-se logo da riqueza da povoação.» Mais uma vez, parece que o moscatel e o vinho dão dinheiro. Llamazares não o provou, mas devia tê-lo feito. É menos doce que o Favaios.
Julio Llamazares - Trás-os-Montes. Barcelona: Penguin, D.L. 2016, p. 215-218, 221-222.



E assim terminamos este passeio por Trás-os-Montes, na companhia de Julio Llamazares.


Sirvam-se! 
Saúde!

Marcadores de livros - 2759

Marcadores magnéticos.


Para Pini.

A edição «La Lusiade», em língua francesa, ilustrada, com indicação de Amsterdan, em 1735

E a edição em língua francesa, com tradução de M. Duperron de Castera, impressa em Paris, levou um primeiro caderno em que a casa editorial passou a ser em Amsterdan. 

Aqui fica a portada, a partir do exemplar de Österreichische Nationalbibliothek.Signatur: *35.J.51.(Vol.1).

É uma impressão rara, de que só encontrei o primeiro volume com esse caderno.

Os Lusíadas ilustrados edição em neerlandês.

 Também nos Países Baixos foi impressa uma versão, tradução da nova edição francesa, em 1777, com ilustrações "narrativas" para cada um dos dez cantos. As imagens são diferentes, seguindo a nova tradução francesa, talvez de Vaquette d' Hermilly & Jean François La Harpe, impressa em Paris, em 1776, e vou fazendo umas páginas com as imagens de cada canto, nas duas versões francesa e neerlandesa. 


Infelizmente não tenho esta edição. Agradeço a um visitante "PTCorvo" a indicação.

sexta-feira, 18 de agosto de 2023

Boa noite!


Os Lusíadas, com ilustrações: versão inglesa.

 

A tradução inglesa, de 1655, já tinha tido pelo menos três ilustrações: Camões, Infante D. Henrique e Vasco da Gama. Mas as edições impressas em Paris, referenciadas na mensagem anterior, acompanham a narrativa. Imagens da edição inglesa:

Os Lusíadas com ilustração

 A primeira edição de Os Lusíadas com ilustrações.

Sempre tinha escutado que a primeira vez que a obra de Luís de Camões, Os Lusíadas, tinha sido ilustrada, tinha sido a mando do 5.º Morgado de Mateus, D. José Maria de Sousa Botelho. "Este refinado, leitor ávido das grandes edições do seu tempo, enceta um caminho árduo e longo para descobrir os autores das gravuras desta que será a primeira edição ilustrada do poema" (https://m60.casademateus.pt/m60/edicao-monumental-lusiadas/). Como todos sabem, foi impressa em Paris, em 1817.

O que eu não sabia... santa ignorância... é que ao contrario do que sempre tinha escutado, não era a primeira vez que Os Lusíadas, tinham sido ilustrados. 

Comprei uma pequena edição -  em 3 tomos, com o título: La Lusiade du Camoens, Poeme Heroique, sur la Decouverte des Indes Orientales. Traduit du portugais, par M. Duperron de Castera - impressa em Paris, em 1735, e aprendi duas coisas:

1.ª a tradução francesa não é em poema; é uma tradução em texto corrido, nem sempre muito fiel.

2.ª é ilustrada! Sim, ilustrada com 11 bonitas gravuras, abertas para a edição e dez delas relacionadas diretamente com o texto de cada um dos cantos (ou um dos seus episódios). Só a gravura que acompanha a que acompanha a portada e do canto primeiro se encontram assinadas, com autor do desenho (Bonnart del.) e do gravador (J. B. Scotin sculp.). 

E deve ter sido esta publicação - que conheceu duas edições, a primeira em 1735 e a segunda em 1768 - a fonte de inspiração do Morgado de Mateus. 



Talvez coloque as imagens de cada canto.

Marcadores de livros - 2758


Vilhelm Hammershøi - Quatro salas, 1914

Gosto imenso deste pintor. Ver aqui outra capa de livro com esta pintura.
Copenhague, Strandgade 30, é o apartamento onde Vilhelm Hammershøi viveu com a sua esposa Ida, de 1898 até 1909. «Representações interiores puristas como esta constituem quase metade de sua obra. O artista dinamarquês frequentemente pintava o seu apartamento escassamente mobiliado predominantemente em tons de cinza e representava o espaço com grande precisão. Frequentemente incluía uma visão de Ida de costas.» (Ler aqui.)


Umas portas para a Isabel - 3

Porto, Rua de Santa Catarina, maio 2023.

Parabéns, Isabel!


E um livro para juntar aos seus Santo(s) António(s):
Lisboa: CTT. Clube do Coleccionador, 1995.

Um dia feliz!

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

Boa noite!


Livro e marcador(es) - 70

Foto Maria.

Mais uns marcadores de livros de um dos poetas de que mais gosto:



Livro e marcador - 69

Foto Maria.

Herta Müller faz hoje 70 anos.

Caixa do correio - 208


Acho que já sabia que o PCE foi fundado em 1921, um ano antes do PCP. Devia saber, mas não me lembrava, porque li pelo menos uma biografia de Dolores Ibárruri e outra de Santiago Carrillo. E acho que também memórias de ambos.

O festival do Mediterrâneo começa hoje.


Com agradecimentos a Maria Luisa e Pini.

terça-feira, 15 de agosto de 2023

Boa noite!

«O jardim secreto».

Pintores vistos por pintores - 52

 

Lawrence Alma-Tadema - Retrato da minha mulher [Laura Theresa Alma-Tadema], 1876.

Ver outro retrato aqui.


Caixa do correio - 207

 

Um dos selos é sobre a construção do canal do Panamá, inaugurado há 109 anos.

Gracias, Maria Luisa!

Shimon Peres (1923-2016)

No que dia em passam 100 sobre o nascimento de Shimon Peres.

Lisboa: Dom Quixote, 2004

«Outra coisa aborrecida na política é o facto de ser muito mais difícil obter resultados à volta de uma mesa do que num campo de batalha. A doutrina do campo de batalha resume-se a isto: “Vocês serão vencidos e eu vou poder viver.” A da negociação afirma: “Eu viverei e outros também.” Uma vitória demasiado esmagadora corre o risco de levar o adversário a atos desesperados. É um ponto de vista a não esquecer numa negociação. Onde tudo é uma questão de compromissos e concessões. E as pessoas não gostam disso. Aos compromissos, elas preferem a vitória. E é assim que a política se vê entre a espada e a parede, entre a necessidade de passar ao compromisso e a hostilidade que sete compromisso encontra na opinião pública. 
«É ao compromisso que a política vai buscar a sua má fama, pois este surge como uma fraqueza, até mesmo uma falta de caráter, quando, pelo contrário, é garantia de sobrevivência, uma vez que a política tem por finalidade impedir a guerra ou acabar com o conflito. «A paz unilateral não existe. A paz só pode ser bilateral. Não há paz imposta, mas apenas paz consentida.» (p. 31-32

«Estou intimamente convencido: não se conseguirá erradicar o terrorismo unicamente pela força. Só a modernidade, só a ciência, serão capazes de dar cabo deste flagelo. [...] Falo do terrorismo com conhecimento de causa.» (p. 59)

Lisboa: Matéria-Prima, 2018

Shimon Peres nasceu em Vishneva (então na Polónia, pertencendo hoje à Bielorrússia) a 15 de agosto de 1923, onde a família vivia há gerações. Mas os pais não viam essa terra como a sua morada permanente: «Viam-na mais como uma estação, uma de muitas paragens ao longo da estrada de milhares de anos que nos conduziria de volta à nossa pátria. A terra de Israel não era apenas o sonho dos meus pais; era o objetivo de vida que animava muitas das pessoas que conhecíamos. [...] A minha mãe, Sara, era brilhante e adorável. Tinha formação de bibliotecária e era amante da literatura russa. Poucas coisas lhe davam mais alegria do que ler, uma alegria que partilhava comigo. [...] O meu pai Yitzhak [...] era comerciante de madeira, como fora seu pai. Era caloroso, generoso, atencioso e empenhado. [...] Os meus pais criaram-me sem muitas barreiras ou limites, sem nunca me dizerem o que fazer, confiando sempre que a minha curiosidade me conduziria pelo caminho certo.» (p. 13-14)
«Com o tempo, as circunstâncias obrigaram-nos-iam a partir. No início da década de 1930 o negócio do meu pai foi destruído pelos impostos antissemitas lançados sobre as empresas judaicas.» (p. 16) O pai partiu para a Palestina e, em 1934, partem Shimon Peres, o irmão e a mãe. O resto da família ficou, com destaque para o avô rabi, a pessoa que mais influenciou Shimon Peres e que lhe disse na hora da partida: «Promete-me que serás sempre judeu.» 
O que lhes aconteceu? Os nazis chegaram a Vishneva, enfiaram todos os judeus na sinagoga e deitaram-lhe fogo. Os que tinham fugido foram mais tarde metidos em comboios para os campos da morte.

«O terrorismo tem estado presente durante quase toda a minha vida. Ainda não completara dez anos quando dois judeus foram assassinados mesmo à entrada da floresta, em Vishneva. Aos quinze anos aprendi a usar uma espingarda, não para caçar, mas para defender a minha escola da insurreição violenta que aterrorizava as nossas noites.» (p. 111)

Li estes dois livros há uns tempos. Ver marcador do último aqui.

Agora estou a ler esta biografia, que me parece bem feita:

Lisboa: Caleidoscópio, 2009

segunda-feira, 14 de agosto de 2023

Boa noite!


Praias de Portugal - 23

Lisboa: Arte Plural, 2018

Vi neste guia, com belas fotografias, muitas das praias da minha infância: Avencas, Bafureira, Magoito, Abano. E mais tarde, as praias da Arrábida.
Gostei de o folhear e ler porque me recordei de muitas praias a que não ia regularmente mas por onde passei muitas vezes.
Tinham de ser dois estrangeiros, Robert Butler e Andy Mumford, a mostrar-nos estes sítios 'escondidos' à vista de todos, e bem perto. Leia aqui.

Marcadores de livros - 2757

Verso e reverso de um marcador recortado. 
Saíram até agora três livros desta série escrita por Rosario Ana.

Para Maria Luisa.

domingo, 13 de agosto de 2023

Boa noite!


Moeda de 5 Euro colorida e com cheiro...

 


Esta foi a última (que eu saiba) moeda colorida cunhada pela Casa da Moeda portuguesa. Valor de 5 €... mas em venda por 65€.  


Copiado da publicidade:

"Depois do trevo de quatro folhas (Marsilea quadrifolia) e do alcar-do-Algarve (Tuberaria major), esta é a terceira moeda da série «Espécies de Plantas Ameaçadas», que visa promover o conhecimento e a preservação das espécies da flora nacional atualmente em perigo. Tal como as duas que a antecederam, a moeda de coleção dedicada à hortelã-brava-de-folha-longa foi desenhada pela ilustradora Catarina Sobral, premiada nacional e internacionalmente.

À semelhança das anteriores, esta moeda tem apontamentos de cor na versão em prata, mas, além disso, tem ainda uma componente aromática — trata-se da primeira moeda portuguesa com cheiro, obtido a partir de micro-cápsulas de fragrância de menta."

Moedas coloridas portuguesas

 Esta foi uma das últimas moedas portuguesas editadas coloridas. O valor facial é de 10 € mas a Casa da Moeda coloco-a logo a 95€.  (A Casa da Moeda tem a indicação de indisponível). Nunca cheguei a ver nenhuma em venda...

Artista: Akacorleone

Marcador de livros com moeda

Será que os colecionadores de marcadores sabem que a Casa da Moeda imprimiu um com uma moeda?

foi desenhado por Luc Leycx

Copiado da publicidade: 
"A Moeda da Comemoração, proveniente das primeiras séries de cunhagem e escolhida pela sua qualidade, é uma moeda de 1,00 €, como um 1.º lugar, que vem lembrar a todos os que a têm na mão as vitórias alcançadas, os objetivos atingidos, os desafios superados, as montanhas já escaladas, a força demonstrada. Ela recorda-nos que o futuro, tal como ela, será brilhante."

Marcadores de livros - 2756

Paris, Conciergerie.
 

Bacio - 108


 
«A liberdade é amor.»

«O amor é liberdade.»

Domenico Dolce e Stefano Gabbana


O que estamos a ler? - 20

As leituras de Miss Tolstoi em 7 ago. 2023:
Barcelona: Seix Barral, 2023.


«Na semana passada passeei a pé e li: En la boca del lobo de Elvira Lindo. Mais um livro desta escritora sobre a infância: uma mãe e uma filha chegam a um local para passar férias...  
«Não entendo por que não traduzem livros de Elvira Lindo.»

Forte da Casa: Clássica Ed., 2023.

«Estou a meio de Os Refugiados: Uma história de dois continentes de Conan Doyle. Não sabia que Conan Doyle tinha escrito romances históricos e estou a gostar deste. Talvez compre A Guerra dos 100 Anos.»

Não sei se é esta ed. de Conan Doyle que Miss Tolstoi está a ler. Vi que o livro já tinha sido publicado há uns anos pela Europa-América. Desconhecia-o até hoje.

Boas leituras!