O primeiro veio de Pádua, há três anos; os outros são dos anos 30 do século passado.
Comprei o primeiro e guardei os outros (tenho outros que postarei mais para a frente) porque serviam (e servem) como marcadores de catecismos, bíblias e outros livros religiosos.
Hoje todos os meus postes são sobre o Santo António, não que eu tenha alguma devoção pelo santo (nem por este, nem por nenhum). É mais uma questão de festas, que este ano não há.
Selo comemorativo dos 750 anos da morte de Santo António e uma flâmula que ficou famosa: «Código postal [é] meio caminho andado».
Este ano não se pode festejar o Santo Milagreiro da cidade. Anda todo o mundo triste. Nunca tinha visto, na noite de Santo António, o Terreiro do Paço, a Ribeira e Alfama sem viv'alma que se deixasse observar.
Os únicos carros que passavam eram da polícia.
Em Madrid há uma ermida, cujo interior é uma preciosidade.
«De aspeto sóbrio, a ermida de San Antonio de la Florida surpreende pelo grandioso conjunto pictórico que Goya pintou em finais do século XVIII. Nesta obra-prima da arte espanhola, o artista aragonês teve sempre presente que estava a decorar um dos templos mais populares de Madrid, famoso pela sua romaria de 13 de junho.
«A ermida original, dedicada a Santo António de Pádua [:-) sic], foi construída em frente da fonte Del Abanico por ordem de Carlos IV. Obra de Francisco de Fontana (1792-1798) a planta é em cruz grega com braços muito curtos e abside semicircular na cabeceira, na qual tem origem um espaço central dominado por uma grande cúpula iluminada por lanterna. A ermida é rodeada de aposentos que dão para o exterior, formando um retângulo. Destacam-se as bases que marcam a fachada principal, construída segundo o cânone barroco.
«Devido à preocupação especial que sempre existiu em garantir a sua conservação, foi declarada Monumento Nacional em 1905, e em 1928 foi construído, ao seu lado, um templo idêntico para mudar o culto de lugar e manter o monumento original como museu de Goya. Apesar de ser um dos melhores exemplos do neoclássico madrileno, são os frescos de Goya que fazem da ermida de San Antonio um lugar de visita imprescindível, onde desde 1919 repousam os restos mortais do genial artista. Goya decorou a cúpula com frescos que representam o êxtase do Santo perante o povo de Lisboa. Os retábulos foram pintados posteriormente por Jacinto Gómez Pastor.»