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terça-feira, 5 de maio de 2026

Marcadores de livros - 3710


Este marcador é do livro de Gregório Duvivier, À flor da língua.


Li o livro da esq. e gostei. Tive pena de não conseguir ver a peça no teatro. Pode ser que seja reposta.

Gosto muito de Teolinda Gersão. Ainda não li o livro da esq. que está no monte.

E uns brasileiros:
De cima para baixo: dois de Carlos Drummond de Andrade e dois de João Guimarães Rosa.
De cima para baixo: Lygia Fagundes Telles, dois de Machado de Assis e Rubem Braga.

No Dia Mundial da Língua Portuguesa.

domingo, 16 de junho de 2024

O Futebol nas Letras - 36

Lisboa: Dom Quixote, 2006

«De caneta em punho, joguei ao lado de Figo, de Deco, de Rui Costa, de Ronaldo. Defendi, com Ricardo, sem luvas, o último pontapé dos ingleses e, com ele, corri para a bola e marquei o golo que desempatou e mandou os ingleses de volta para a sua ilha. Na final, confesso, senti-me mais no banco do que em campo. Creio que houve um excesso de mobilização, de tensão, de barcos, de motos, de buzinas. Os gregos cantavam a plenos pulmões e os portugueses estavam cansados, tinham a boca seca ou um nó na garganta. E eu no banco, ao lado de Rui Costa e Nuno Gomes que Scolari, inexplicavelmente, não fez alinhar de início. Fartei-me de avisar que era preciso cuidado com os cantos. Em vão. Os gregos marcaram, como já tinham feito à França e aos checos.
«Fosse como fosse, meio século depois dos golos marcados no Largo do Botaréu, em Águeda, eu tinha chegado pela prosa a um campeonato da Europa de futebol.» (Do prefácio)


«[...] a 30 de janeiro de 38, antes de se iniciar um Portugal-Espanha, alguns jogadores da seleção portuguesa recusaram-se a fazer a saudação fascista. Azevedo, do Sporting, encolheu os dedos, Quaresma, do Belenenses, ficou em sentido, Simões e Amaro, também do Belenenses, ergueram os punhos, tendo sido presos pela polícia política para interrogatório. Estava-se em plena guerra civil de Espanha, foi um ato de grande coragem e simbolismo.» (p. 16)

Um livro de crónicas que Manuel Alegre escreveu para os jornais Público e El Pais. Vale a pena lê-las. Não são apenas sobre futebol; são sobre a vida, como o título diz.

Futebol se joga no estádio?
Futebol se joga na praia,
Futebol se joga na rua,
Futebol se joga na alma.
Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 27 de maio de 2024

Marcadores de livros - 3035

Mais uns contributos para o tema do mês:






Verso e reverso.




Marcadores dos livros de Elsie Silver. Da esq. para a dir.: Flawless, Heartless e Powerless.

Alguns destes marcadores já andaram por aqui.

`
Estes são em tamanho gigante. Em baixo, da esq. para a dir., os marcadores são dos livros: Os céus de Montana, de Nora Roberts, e A órfã perdida, de Stacey Halls.

«O jardineiro conversava com as flores, e elas se habituaram ao diálogo. Passava manhãs contando coisas a uma cravina ou escutando o que lhe confiava um gerânio. O girassol não ia muito com sua cara, ou porque não fosse homem bonito, ou porque os girassóis são orgulhosos de natureza. Em vão o jardineiro tentava captar-lhe as graças, pois o girassol chegava a voltar-se contra a luz para não ver o rosto que lhe sorria. Era uma situação bastante embaraçosa, que as outras flores não comentavam. Nunca, entretanto, o jardineiro deixou de regar o pé de girassol e de renovar-lhe a terra, na devida ocasião.»
Carlos Drummond de Andrade - Contos plausíveis

Com agradecimentos a Pini.

Mais marcadores de flores aqui.
Contribuições de outros blogues para o tema do mês de maio: Arte entre páginas: I, II e III; Desde mi orilla del Tajo: 1, II, III e IVEn la página 37Marcapáginas de mi colecciónMarcapáxinas da Cairesa: Flores para el domingo; Mondopunts: III; Puntos de luz... (viva o libro!): I e II; Monton de Marcapaginas e Viajando con los Marcapáginas: I, II. III e IV.

quarta-feira, 3 de janeiro de 2024

Marcadores de livros - 2901

Os doze marcadores com pássaros dos Birds of America de Audubon com que o Prosimetron deseja um Feliz 2024 a todos os que nos visitam:


Ver outros posts com Birds of America aqui, aqui e aqui.
No reverso de todos os marcadores, um excerto de «Receita de Ano Novo» de Carlos Drummond de Andrade:


Feliz Ano Novo!

quinta-feira, 17 de agosto de 2023

sexta-feira, 30 de dezembro de 2022

Adeus, Pelé!


PELÉ: 1000

O difícil, o extraordinário, não é fazer mil gols, como Pelé. 
É fazer um gol como Pelé. Aquele gol que gostaríamos tanto de fazer, 
que nos sentimos maduros para fazer, mas que, diabolicamente, 
não se deixa fazer. O gol. 

Que adianta escrever mil livros, como simples resultado de 
aplicação mecânica, mãos batendo máquina de manhã à noite,
traseiro posto na almofada, palavras dóceis e resignadas ao uso
incolor? O livro único, este não há condições, regras, receitas, 
códigos, cólicas que o façam existir, e só ele conta – negativamente – 
em nossa bibliografia. 

Romancistas que não capturam o romance, 
poetas de que o poema está-se rindo a distância, pensadores que 
palmilham o batido pensamento alheio, em vão circulamos na pista 
durante 50 anos. O muito papel que sujamos continua alvo, 
alheio às letras que nele se imprimem, pois aquela não era a combinação 
de letras que ele exigia de nós. E quantos metros cúbicos de suor, 
para chegar a esse não-resultado! 

Então o gol independe de nossa vontade, formação e mestria? 
Receio que sim. Produto divino, talvez? Mas, se não valem 
exortações, apelos cabalísticos, bossas mágicas para que ele se 
manifeste... Se é de Deus, Deus se diverte negando-o aos que o 
imploram, e, distribuindo-o a seu capricho, Deus sabe a quem, 
às vezes um mau elemento.

A obra de arte, em forma de gol ou 
de texto, casa, pintura, som, dança e outras mais, parece antes
coisa-em-ser da natureza, revelada arbitrariamente, quase que 
à revelia do instrumento humano usado para a revelação. Se a 
obrigação é aprender, por que todos que aprendem não a realizam? 

Por que só este ou aquele chega a realizá-la? Por que não há 11 Pelés 
em cada time? Ou 10, para dar uma chance ao time adversário? 
O Rei chega ao milésimo gol (sem pressa, até se permitindo o 
charme de retificar para menos a contagem) por uma fatalidade à 
margem do seu saber técnico e artístico. 

Na realidade, está lavrando 
sempre o mesmo tento perfeito, pois outros tentos menos apurados 
não são de sua competência. Sabe apenas fazer o máximo, e quando 
deixa de destacar-se no campo é porque até ele tem instantes de 
não-Pelé, como os não-Pelés que somos todos.

Carlos Drummond de Andrade
Jornal do Brasil, Rio de Janeiro, 28 nov. 1969


Fuga para a Vitória, um bom filme. 

quinta-feira, 31 de dezembro de 2020

Passagem do ano


O último dia do ano
não é o último dia do tempo.
Outros dias virão
e novas coxas e ventres te comunicarão o calor da vida.
Beijarás bocas, rasgarás papéis,
farás viagens e tantas celebrações
de aniversário, formatura, promoção, glória, doce morte com sinfonia e coral,
que o tempo ficará repleto e não ouvirás o clamor,
os irreparáveis uivos
do lobo, na solidão.

O último dia do tempo
não é o último dia de tudo.
Fica sempre uma franja de vida
onde se sentam dois homens.
Um homem e seu contrário,
uma mulher e seu pé,
um corpo e sua memória,
um olho e seu brilho,
uma voz e seu eco,
e quem sabe até se Deus...

Recebe com simplicidade este presente do acaso.
Mereceste viver mais um ano.
Desejarias viver sempre e esgotar a borra dos séculos.
Teu pai morreu, teu avô também.
Em ti mesmo muita coisa já expirou, outras espreitam a morte,
mas estás vivo. Ainda uma vez estás vivo,
e de copo na mão 
esperas amanhecer.
O recurso de se embriagar. 
O recurso da dança e do grito,
o recurso da bola colorida,
o recurso de Kant e da poesia,
todos eles... e nenhum resolve.

Surge a manhã de um novo ano.
As coisas estão limpas, ordenadas.
O corpo gasto renova-se em espuma.
Todos os sentidos alerta funcionam.
A boca está comendo vida.
A boca está entupida de vida.
A vida escorre da boca,
lambuza as mãos, a calçada.
A vida é gorda, oleosa, mortal, sub-reptícia.

Carlos Drummond de Andrade 

sexta-feira, 27 de setembro de 2019

Nos 300 anos da publicação de Robinson Crusoé




Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala – e nunca se esqueceu
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
– Psiu… Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro… que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé.

Carlos Drummond de Andrade

domingo, 2 de abril de 2017

Umas portas para a Isabel - 1

Porto, 21 jan. 2017

VERDADE

A porta da verdade estava aberta,
mas só deixava passar
meia pessoa de cada vez.

Assim não era possível atingir toda a verdade,
porque a meia pessoa que entrava
só trazia o perfil de meia verdade.

E sua segunda metade
voltava igualmente com meio perfil.
E os dois meios perfis não coincidiam.

Arrebentaram a porta. Derrubaram a porta.
Chegaram a um lugar luminoso
onde a verdade esplendia seus fogos.
Era dividida em duas metades,
diferentes uma da outra.

Chegou-se a discutir qual a metade mais bela.
As duas eram totalmente belas.
Mas carecia optar. Cada um optou conforme
seu capricho, sua ilusão, sua miopia.

Carlos Drummond de Andrade

sexta-feira, 31 de outubro de 2014

Um graffiti

Após o registo de MR aqui fica um graffiti que liga bem com o dia das bruxas.
Um dia feliz!

A BRUXA

Nesta cidade do Rio,
de dois milhões de habitantes,
estou sozinho no quarto,
estou sozinho na América.
Estarei mesmo sozinho?

Ainda há pouco um ruído
anunciou vida ao meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.

De dois milhões de habitantes!
E nem precisava tanto…
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?

E nem precisava tanto.
Precisava de mulher
que entrasse neste minuto,
recebesse este carinho,
salvasse do aniquilamento
um minuto e um carinho loucos
que tenho para oferecer.

Em dois milhões de habitantes,
quantas mulheres prováveis
interrogam-se no espelho
medindo o tempo perdido
até que venha a manhã
trazer leite, jornal e clama.
Porém a essa hora vazia
como descobrir mulher?

Esta cidade do Rio!
Tenho tanta palavra meiga,
conheço vozes de bichos,
sei os beijos mais violentos,
viajei, briguei, aprendi.
Estou cercado de olhos,
de mãos, afetos, procuras.
Mas se tento comunicar-me
o que há é apenas a noite
e uma espantosa solidão.

Companheiros, escutai-me!
Essa presença agitada
querendo romper a noite
não é simplesmente a bruxa.
É antes a confidência
exalando-se de um homem.

Carlos Drummond de Andrade 
(cortesia do Google, http://drummond.memoriaviva.com.br/alguma-poesia/a-bruxa/)

sexta-feira, 2 de maio de 2014

O que me apetecia hoje...

Dorota Bogdan Bialy - Dim sum em cesto de bambu

«A culinária é a arte de fazer obras-primas que logo se desfazem.»
Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 30 de abril de 2014

No Dia Mundial da Dança

Bill Cooper - Naomi Solomon

Stephen Wilkes - Bailarina
Bill Cooper - Isaac Mullins

«O bailarino sonha em abolir a lei da gravidade.»
Carlos Drummond de Andrade


segunda-feira, 24 de março de 2014

Cromos - 23


«Nossa indolência em vão tenta imitar a indolência elegante do gato.»

«O homem mora na casa do gato, que o tolera por política.»

Carlos Drummond de Andrade - Aforismos. 7.ª ed. Rio de Janeiro: Record, 2010, p. 93

sábado, 1 de junho de 2013

A nossa vinheta

Ilustração de Ofélia Marques para o artigo de Adolfo Simões Müller, «A literatura da infância» 
(Panorama, Lisboa, Natal 1944)

«a natureza determina que as crianças sejam crianças antes de serem homens»
Jean-Jacques Rousseau (in: Emílio)

É a nossa vinheta no Dia Mundial da Criança Todas as crianças deveriam ter direito ao ócio.


Infância

Meu pai montava a cavalo, ia para o campo.
Minha mãe ficava sentada cosendo.
Meu irmão pequeno dormia.
Eu sozinho menino entre mangueiras
lia a história de Robinson Crusoé,
comprida história que não acaba mais.

No meio-dia branco de luz uma voz que aprendeu
a ninar nos longes da senzala - e nunca se esqueceu -
chamava para o café.
Café preto que nem a preta velha
café gostoso
café bom.

Minha mãe ficava sentada cosendo
olhando para mim:
- Psiu... Não acorde o menino.
Para o berço onde pousou um mosquito.
E dava um suspiro... que fundo!

Lá longe meu pai campeava
no mato sem fim da fazenda.

E eu não sabia que minha história
era mais bonita que a de Robinson Crusoé

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, 3 de dezembro de 2012

Parabéns, J. J.!

«O diploma revela anos de aplicação mas silencia quanto ao rendimento deles
Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

CARTAS DE MARIA JULIETA E CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

A peça retrata, através das correspondências entre pai e filha, a relação de Maria Julieta e o seu pai, Carlos Drummond de Andrade.
Teatro D. Maria II, 7 e 8 nov., 21h00

Drummond e a filha Maria Julieta.
Em baixo: Carta da filha ao pai.