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quinta-feira, 5 de março de 2026

Marcadores de livros - 3649

Parece-me que são os únicos marcadores  que tenho de António Lobo Antunes.


Versos e reversos.

Este chegou-me ontem num livro:


Com um agradecimento à Isabel.

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Marcadores de livros - 3574


Uma sugestão de leitura. 
Esta recolha de cartas de John Le Carré (pseud. de David John Moore Cornwell), escritas a leitores, editores, escritores, realizadores, atores ou políticos e figuras públicas, «revela o homem divertidamente inteligente e inabalavelmente eloquente por detrás do pseudónimo.
«Um Espião em Privado abrange sete décadas e narra não só a vida de le Carré, como os tempos turbulentos de que foi testemunha. Iniciando-se com a sua infância, na década de 1940, contém relatos do período em que foi funcionário público, da sua passagem por Oxford e dos tempos em que foi professor em Eton de "lordes ingleses de nariz afilado, sem queixo e de olhos de groselha". 
«Descreve a sua entrada no MI5, o surgimento da Cortina de Ferro e o florescimento da sua carreira como romancista reagindo à construção do Muro de Berlim. Através das suas cartas, viajamos com ele do período que vai da Segunda Guerra Mundial até à atualidade. 
«Vemos le Carré a escrever a Sir Alec Guinness para o persuadir a aceitar o papel de George Smiley e, mais tarde, a discutir a imoralidade da guerra contra o terrorismo com o chefe do serviço de segurança interna alemão. O que emerge é um retrato, não apenas do escritor, ou do intelectual em termos globais, mas sim, segundo as suas próprias palavras, do homem muito privado, muito apaixonado e muito real por detrás do nome.» (Da sinopse.)


sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Leituras no Metro - 2935

S.l.: Tradisom, 2024

Este livro é uma análise da obra e da vida de José Afonso, entre 1962 e 1970, através da correspondência trocada com o jornalista Rocha Pato, pai do viola Rui Pato que acompanhou José Afonso nalguns discos e concertos.
Rui Pato ofereceu as cartas que José Afonso escreveu ao pai à Biblioteca Municipal de Coimbra. Seria bom ter também acesso às cartas que Rocha Pato (que durante uns anos serviu como manager de J.A.) enviou ao cantautor.

45 r.p.m. , gravado em 1963. Foto da capa de Rocha Pato.

«Este disco só fez soar os alarmes passados dois anos. [...]
«Em 17 de abril de 1965, o diretor da PIDE comunicou ao chefe de gabinete do Ministro do Interior a existência de um disco com as canções subversivas "Os vampiros" e "Menino do bairro negro". Tinha contactado os Serviços de Censura no sentido de saber se a sua venda estava autorizada, ao que aqueles serviços responderam que não era possível tomar qualquer atitude porque não existia legislação que permitisse a apreensão do disco. As espantosas lacunas do regime fascista! E que pruridos legalistas!
«O processo continuou o seu caminho burocrático e em 16 de agosto de 1965, sem referir qual a disposição legal que permitia a ação, o Secretariado Nacional de Informação ordenou aos Serviços de Censura que apreendessem o disco. que se lixe a legalidade! [...]
«Finalmente, em 12 de janeiro de 1966, foi lavrado o auto de apreensão do disco pela PIDE, levada a cabo na Fábrica de Discos da Rádio Triunfo, na cidade do Porto.» (p. 44-45)


Entretanto estou a acabar de ler esta Visão. Biografia dedicada a José Afonso:


- «Foi também ele [José Afonso] que deu consistência à canção como uma arma?
- «Havia no início do século XX uma tradição de fado operário, que foi esmagado pela censura a partir de 1926-1927. Depois, o Lopes Graça, na altura da campanha eleitoral de 45, MUD Juvenil, gaz as Canções Heroicas, e isso ainda estava na memória. mas não havia muito mais antecedentes desse tipo . O facto de ele ter feito um disco, ainda antes dos LP, que tem o Menino do Bairro Negro e Os Vampiros é a chave para quase tudo o que faz a seguir. Em todos os álbuns do Zeca, temos uma componente lírica e uma componente experimental poética.»
Rui Vieira Nery entrevistado por Manuel Halpern, p. 96

Aconselho tanto o livro como a revista.

quinta-feira, 7 de setembro de 2023

O que estamos a ler? - 26

A atual (2 set.) leitura da Cláudia:

Porto: Lello & Irmão - editores, 1981

«Tenho andado entusiasmada e muito interessada, a ler Cartas de Vila do Conde de Antero de Quental. «O volume reúne muitas das cartas que o autor açoriano escreveu, durante os quase dez anos em que viveu em Vila do Conde. Ou seja, os últimos anos da sua vida: 1881 a 1891. 
«Os destinatários são muitos e variados, como Joaquim de Araújo, Ana Quental, João de Deus, Oliveira Martins, Tommaso Cannizaro, Maria Amália Vaz de Carvalho, Carolina Michaëlis, Bulhão Pato, Jaime de Magalhães Lima, Wilhelm Storck, entre muitos outros. 
« Como se pode ler na p. 17, "esta correspondência representa como que um diário do escritor, pois o homem está inteiro nelas, confiando-nos o seu coração, as suas preocupações filosóficas e pessoais...".
«Antero de Quental veio para Vila do Conde, à procura de sossego e para melhorar a sua saúde. Numa carta a João Machado Faria e Maia, poeta e escritor nascido em 1846 em Ponta Delgada, pode ler-se: "vivo aqui, como verdadeiro eremita..." (p. 40) 
«Exemplar rico em notas de rodapé, sobre os destinatários das cartas e não só. Depois de terminar de ler o livro, pretendo ir a Vila do Conde, visitar a casa em questão, pois desconheço-a.»

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Leituras no Metro - 1154

Lisboa: Campo da Comunicação, 2013

Maria Antónia Fiadeiro escolheu as cartas e organizou a edição de cartas que Fernando Piteira Santos escreveu à sua mãe, à sua mulher Stella e a ela própria Maria Antónia, sua afilhada e depois enteada, durante vários anos: na prisão, na clandestinidade e no exílio.
Militante contra a ditadura desde a juventude, Piteira foi membro do Comité Central do PCP entre 1941 e 1950, ano em que foi expulso a pretexto de uma falsa acusação de delação. Antifascista, oposicionista ativo, conheceu por isso os cárceres da ditadura, tendo sido preso por três vezes. Em 1961 colaborou na tentativa de assalto ao Quartel de Beja, vendo-se por esse motivo forçado a passar à clandestinidade e depois ao exílio em Argel, de onde só regressou após a queda do regime. 

«Aprendo, na vivida experiência diárias, a distinguir um 'tenpo psicológico' e um 'tempo físico'. Domino livremente o 'tempo psicológico'; o 'tempo físico' dá-me referências inúteis ou puramente circunstanciais. É apenas em função do tédio de esperar que me interessa cronometrar os segundos. É um exercício de aproveitamento do tempo contra o tempo. É um ver correr tempo que ajuda a vencer o tempo, como se tivesse sentido encurtar um tempo sem limite, sem prazo. Nesta situação de esperar, o tempo passa e de nada nos aproxima, a não ser de nós próprios. E é o 'odioso eu', como dizia o Pascal, a minha única e terrível companhia. [...] 
«Nesta luminosa tarde de setembro, sem melancolia, sem d0espeito, recordei aqueles versos do Diário de Miguel Torga: // 'Como a tarde sem mim tem alegria / Como o sol vai contente sem me ver'.
«Sem melancolia recordei os versos, sem feio despeito os fui repetindo, mas no íntimo, sejamos sinceros, com uma humana e compreensível inveja de quantos gozavam livremente a tarde luminosa e recebiam plenamente a benção do sol.»
(De uma carta a sua mulher Stella, Cadeia do Aljube, 10 set. 1961, p. 75-76)

segunda-feira, 19 de julho de 2021

Leituras no Metro - 1081

Paris: Gallimard, 2003
Na capa, foto de León Blum em Buchenwald.

Em 15 set. 1940, Blum é preso pela polícia de Vichy e encarcerado no castelo de Chazeron: «A prisão faltava à minha experiência de vida e a providência aprontou-a.» (Mémoires, 1955) Foi preso enquanto os alemães assaltaram e esvaziaram a sua casa parisiense, no quai Bourbon.
Em 8 out. 1940 Blum é acusado por Vichy de crimes e delitos no exercício da sua função de primeiro-ministro da Frente Popular e de culpa no desencadear da guerra. Foi o processo de Riom, em que os acusados acabam por, nas suas defesas (casos mais relevantes: Blum e Daladier), passar a acusadores do regime de Vichy.
Em meados de novembro, Blum é transferido para Bourrassol perto de Riom, onde o antigo primeiro-ministro recebe muitas visitas de familiares e amigos. Em out. 1941 é transferido para o forte de Portalet, perto da fronteira espanhola. 
De fev. 1943 (um ano depois do processo de Riom) a abril 1945, Léon Blum, acompanhado de sua mulher Janot, é 'deportado' para Buchenwald. Na verdade, é 'internado' numa pequena casa florestal, separada por poucos metros do campo de concentração. Também Georges Mandel, adversário político de Léon Blum e da Frente Popular, é instalado na mesma casa. Uma boa amizade vai unir estes dois compagnons, democratas, então obrigados a conviver. Quatorze meses mais tarde, a Gestapo vai buscar Mandel  a esta casa e assassiná-lo na floresta de Fontainebleau.
O horror do campo, Blum e Janot só o vão descobrir quando se forem embora, apesar de por vezes sentirem um cheiro nauseabundo.
O campo de Buchenwald foi construído perto de Weimar, onde Goethe escreveu Conversas com Eckerrmann. A primeira obra de Léon Blum, saída em 1901, tem por título Nouvelles conversations de Goethe avec Eckermann.

Este livro é constituído pelas cartas que Blum escreveu ao seu filho Robert, prisioneiro em Lübeck. Cartas, obviamente autocensuradas, em que Blum conta as banalidades do seu dia a dia, principalmente as muitas leituras que vai fazendo («Je continue à lire, de façon assez vagabonde»), dá notícias sobre a nora Renée (a viver entre Paris e Riom) e a neta Catherine (que se encontra na Suíça), informa sobre a música que vai ouvindo e os pequenos passeios que faz junto da casa. 
Registei duas apreciações que ele faz, uma sobre Rousseau («j'ai repris les Confessions de Rousseau, que j'admire e qui m'irritent») e sobre as Confissões de Santo Agostinho («livre étonnant»). Também eu gosto de Rousseau, mas a sua misoginia irrita-me e fiquei imensamente surpreendida com os livros de Santos Agostinho, tanto com as Confissões como com A Cidade de Deus.
Este livro vem dar a conhecer algo (o possível) sobre um período de que Blum nunca falou até à sua morte, em 1950.
Sou grande admiradora de Blum e já encomendei mais dois livros dele, que finalmente parece que estão a ser reeditados. Esperemos que cheguem em breve.

Rumpelmayer no 226, rue Rivoli (onde atualmente se encontra a sala de chá Angelina)

Em 13 jan. 1944, Léon Blum escreve ao filho Robert:
«Meu querido filho, calculo que, com os atrasos habituais, estas palavras te cheguem mais ou menos pelo teu aniversário [10 fev.]. Suponho (ou melhor, imagino) que tudo se passa em conformidade com o habitual, saí de manhã para ir ao Rumpelmayer comprar os marrons glacés e para escolher gravatas no Tremlett, depois fui almoçar à Cidade Universitária. Imagina que esses menus te estão a ser mostrados...»

sexta-feira, 15 de março de 2019

Felicidades, Luís!

Se eu pudesse oferecer-lhe-ia os 21 volumes da correspondência de Proust, que quaisquer €21 000,00 podem comprar... :)


O local para lanchar está escolhido, mas fica para mais logo. :)

Parabéns!
Um dia feliz!

quinta-feira, 9 de novembro de 2017

Albert Camus & Maria Casarès

Paris: Gallimard, 2017
€32,50

Albert Camus e Maria Casarès encontraram-se em casa de Michel Leiris, em 19 de março de 1944, por ocasião da representação-leitura de Désir attrapé par la queue de Pablo Picasso. A atriz, originária da Corunha e filha de um antigo presidente do conselho da República espanhola, exilado em Paris em 1936, tinha então 22 anos. Ela começou a sua carreira de atriz em 1942 no Théâtre des Mathurins, ao mesmo tempo que Albert Camus publicava L'Étranger e Le Mythe de Sisyphe na Gallimard. Albert Camus vivia então só em Paris. Devido à guerra, estava afastado de sua mulher Francine, professora em Oran. Camus entregou a Maria Casarès o papel de Martha na sua peça Le Malentendu, em junho de 1944. Na noite do desembarque na Normandia iniciaram uma relação que ela interrompeu por achar que não tinha futuro. Quatro anos mais tarde, voltaram a encontrar-se e ficaram juntos até à morte de Camus, em 1960.
Durante todo este tempo escreveram-se. É esta correspondência cruzada, inédita, de mais de 800 cartas (1300 p.), que é hoje publicada em França. 
«Quand on a aimé quelqu'un, on l'aime toujours» - disse Maria Casarès muitos anos depois da morte de Camus - «lorsqu'une fois, on n'a plus été seule, on ne l'est plus jamais».


quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Será que ainda vai parar à minha pilha?

Barcelona: Lumen, 2006

Há dias, ao ver o filme Hannah Arendt, fiquei a saber da amizade entre a autora de As origens do totalitarismo e a escritora Mary McCarthy, de quem li dois livros há muitos anos: O grupo e A gente com quem anda. Penso mesmo que o primeiro foi apreendido. Tendo procurado alguma bibliografia sobre o assunto encontrei uma edição da correspondência entre ambas. Fiquei com vontade de o ler.
A correspondência que a autora de Eichmann em Jerusalém manteve ao longo de 25 anos com Mary McCarthy, constitui um retrato da história e da cultura europeia e dos Estados Unidos desses anos.
Segundo The New York Times, o livro reflete «Um dos diálogos mais inteligentes que teve lugar no século XX» e, de acordo com The Washington Post, é «Um agudo diagnóstico do nosso tempo».

terça-feira, 30 de abril de 2013

Leituras no Metro - 131

Em 1971, Piódão não tinha este aspeto. Quando o visitei há 11 anos, talvez, os acessos eram horríveis, a aldeia já estava recuperada, mas era um museu sem vida, não se via gente nas ruas.

«Encontrei terras extraordinárias. Uma aldeia que se chama Piódão, no fundo de um vale, só há 3 anos está ligada ao mundo por uma estrada. As casas são de xisto, desde os alicerces até ao telhado, inclusive. As paredes são de xisto, em forma aproximada de tijolo; os telhados, de xisto, em forma de lâminas; e as ruas, quase todas em degraus, são também de xisto, em forma de tocas. Nas casas moram pessoas e bichos; e, às vezes, sentimos atrás de uma porta fechada um porco ou uma cabra.»

Fui a Valezim quando era miúda. Não me lembro de nada.

«Vi também uma terra chamada Valezim, com uma igreja românica certamente muito antiga, onde há uma Senhora das Dores (= Pietà) extraordinária.»

António José Saraiva, [Seia, 16 de Agosto de 1971]
In: Cartas de amor [...] a Teresa Rita Lopes. Lisboa: Gradiva, 2013, p. 111

quarta-feira, 24 de abril de 2013

O «Tesouro dos remédios da alma» - 11

«Agora estou na Biblioteca Nacional. Tem uma bela sala de leitura, com portas de vidro que dão para um terraço sobre um jardim. O serviço está muito melhor: dão os livros rapidamente. Estou a ler um aborrecido livro em Latim sobre o Vieira.»
António José Saraiva, 18/19 set. 1969
In: Cartas de amor [...] a Teresa Rita Lopes. Lisboa: Gradiva, 2013, p. 102

quarta-feira, 17 de abril de 2013

Leituras no Metro - 130

Nas carruagens do Metro está afixado o seguinte cartaz:

«Ler no jardim, no café»... E ler no Metro? Eu, presentemente, ando a ler as cartas de António José Saraiva para Teresa Rita Lopes.

Lisboa: Gradiva, 2013
€14,00

Se não me tivessem dado o livro, nunca o teria lido. Não era livro que comprasse com este título: Cartas de amor. Estou a gostar. Fica a conhecer um António José Saraiva campista, amante de caminhadas, para além das suas leituras, de aspetos da política internacional e do seu quotidiano em Paris. Vou a meio, de modo que talvez ainda o livro aqui regresse.

«Descobri um processo formidável para acelerar a cozinha: abri um buraco na areia, e meti lá o fogão de gás. Dessa forma, o vento não prejudica a chama e o frio não atrasa a acção do fogo. O fogão não fica à vista. Para evitar que a areia entre pelos buraquinhos da cabeça do fogão, molha-se à roda do buraco. Consegui reduzir a metade o tempo de preparação dos alimentos por sete processo. É istoq ue se chama "imaginação campista", que faz parte do tal "espírito campista" de que te fizeste uma heroína.» (p. 45)

«Ao todo, fizemos nove horas e meia de marcha, sem contar os descansos do almoço e do lanche, que foram breves.
«Este género de passeios é que me enche. Se eu fizesse dois ou três cada ano, isso bastava para me conservar em forma. Vi no caminho muitas flores bonitas e pensei que havias de gostar de as ver. Até colhi uma, em plena serra silenciosa e parada, para te a mandar neste envelope. Mas não sei o que lhe aconteceu, provavelmente o mesmo que às peras do Pero Marques*!» (p. 69)
*«Pretendendo à mão de Inês Pereira, que lhe pergunta pelas peras, o Pero Marques da farsa vicentina vê-se sem elas, justificando: "Nunca tal me aconteceu! / Algum rapaz m'as comeu..."» (nota de Ernesto Rodrigues)

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

CARTAS DE MARIA JULIETA E CARLOS DRUMMOND DE ANDRADE

A peça retrata, através das correspondências entre pai e filha, a relação de Maria Julieta e o seu pai, Carlos Drummond de Andrade.
Teatro D. Maria II, 7 e 8 nov., 21h00

Drummond e a filha Maria Julieta.
Em baixo: Carta da filha ao pai.


segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Outro bom exemplo


Li há dias que Eugénio Lisboa entregou à Biblioteca Nacional uma parte da sua correspondência. São cerca de 400 cartas trocadas com Fernando Namora, Vergílio Ferreira, Cesariny, Eugénio de Andrade, Eduardo Lourenço e Urbano T.Rodrigues.