Paris: Gallimard, 2017
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Albert Camus e Maria Casarès encontraram-se em casa de Michel Leiris, em 19 de março de 1944, por ocasião da representação-leitura de Désir attrapé par la queue de Pablo Picasso. A atriz, originária da Corunha e filha de um antigo presidente do conselho da República espanhola, exilado em Paris em 1936, tinha então 22 anos. Ela começou a sua carreira de atriz em 1942 no Théâtre des Mathurins, ao mesmo tempo que Albert Camus publicava L'Étranger e Le Mythe de Sisyphe na Gallimard. Albert Camus vivia então só em Paris. Devido à guerra, estava afastado de sua mulher Francine, professora em Oran. Camus entregou a Maria Casarès o papel de Martha na sua peça Le Malentendu, em junho de 1944. Na noite do desembarque na Normandia iniciaram uma relação que ela interrompeu por achar que não tinha futuro. Quatro anos mais tarde, voltaram a encontrar-se e ficaram juntos até à morte de Camus, em 1960.
Durante todo este tempo escreveram-se. É esta correspondência cruzada, inédita, de mais de 800 cartas (1300 p.), que é hoje publicada em França.
«Quand on a aimé quelqu'un, on l'aime toujours» - disse Maria Casarès muitos anos depois da morte de Camus - «lorsqu'une fois, on n'a plus été seule, on ne l'est plus jamais».




