Esta voz que sabia fazer-se canalha e rouca,
ou docemente lírica e sentimental,
ou tumultuosamente gritada para as fúrias santas do “Ça ira”,
ou apenas recitar meditativa, entoada, dos sonhos perdidos,
dos amores de uma noite que deixam uma memória gloriosa,
e dos que só deixam, anos seguidos, amargura e um vazio ao lado
nas noites desesperadas da carne saudosa que se não conforma
de não ter tido plenamente a carne que a traiu,
esta voz persiste graciosa e sinistra, depois da morte,
como exactamente a vida que os outros continuam vivendo
ante os olhos que se fazem garganta e palavras
para dizerem não do que sempre viram mas do que adivinham
nesta sombra que se estende luminosa por dentro
das multidões solitárias que teimam em resistir
como melodias valsando suburbanas
nas vielas do amor
e do mundo.
Daphné Despero é uma jovem editora. Um dia, estando em Crozon na Bretanha, a sua terra, visita uma biblioteca de obras rejeitadas, onde encontra uma peculiar história de amor assinada por Henri Pick, dono de um restaurante de pizzas, falecido há dois anos. Daphné quer publicar a obra, para o que consulta a família de Henri Pick, que desconhecia que ele escrevia. O livro é um best-seller, sendo aclamado pela crítica especializada. Contudo, Jean-Michel Rouche, um conhecido crítico literário, duvida da autoria da obra e contra tudo e todos começa uma investigação...
No original o filme intitula-se Le Mystère Henri Pick.