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segunda-feira, 19 de janeiro de 2026

domingo, 30 de novembro de 2025

Os meus franceses - 1086

«Conheci [...], através dele [Claude Grinberg], a autora-compositora-intérprete  Anne Sylvestre (1934-2020), que chegou a vir a Portugal com o Claude, ambos integrados numa companhia de teatro, para participar em 1997), no festival de Almada  criado por Joaquim Benite. Reencontrei-a mais vezes na casa de Belleville, inclusive num dos repastos para o qual o Claude cozinhava a sua especialidade, uma espécie de almôndegas preparadas à maneira ucraniana/russa ou coisa do género. Aliás, e se bem entendi, Anne Sylvestre inspirou-se na história dele , da mãe e dos irmãos durante a Ocupação, para compor uma canção, Le [petit] Grenier, alusiva ao sótão onde se escondiam.» 
Fernando Pereira Marques - A arte de ser português. Lisboa: Tinta da China, 2025, p. 69.

domingo, 2 de novembro de 2025

Leituras no Metro - 2973


Estou contentíssima por François Ozon ter adaptado O Estrangeiro ao cinema, mais de 80 anos depois do livro ter sido publicado. Aguardo que o filme estreie em Lisboa.
Le Nouvel Obs traz uma conversa entre o realizador do filme e Kamel Daoud, autor de Meursault, contre-enquête, uma releitura de O estrangeiro. Estou com muita vontade de ler este livro. A Bertrand, editora deste escritor argelino, poderia traduzi-lo.


François Ozon - «[...] tive de fazer um trabalho de pesquisa histórica, porque conhecemos muito mal este período da colonização nos anos 1930. Vi muitos arquivos, com os comentários colonialistas que elogiam «o sorriso d'Argel», o seu lado maravilhoso.... Fiz questão de integrar esse aspeto para que o espectador compreenda que era a visão dos franceses da Argélia francesa, o que isso representava para eles. Eu próprio tenho avós que aí viveram, que adoraram a Argélia e falavam como de um paraíso perdido, aliás como muitos pieds-noirs. O meu avô era juiz, escapou a um atentado e foi obrigado a voltar para França; era uma ferida no seio da família de que se não falava... Tentei descobrir o que tinham vivido lá. Eu queria mostrar, concretamente, como duas comunidades viviam lado a lado mas sem se misturarem.»
Kamel Daoud - «De facto, o apagamento desta época é duplo. Há esta imagem de paraíso perdido, colada á realidade,  que elimina toda a complexidade da vida e a sua dureza para nós. Mas por outro lado, na Argélia, a literatura anterior ao eclodir da guerra foi apagada. Os escritores 'nascidos' com a guerra estão no panteão, mas os que,antes, descreviam a complexidade humana não são visíveis. São os meus pais e os meus avós que me contaram como era a vida então. Mas continua a ser tabu dizer coisas como: "Na época, era muito bonito aqui, havia flores, o prédio estava limpo, o relógio tinha ponteiros que funcionavam..."». (p. 17)
Segundo Saoud, depois da independência «Camus foi apagado. Uma espécie de auto da fé extraordinário.» E o filme não vai ser visualizado nos cinemas argelinos. Aliás, o filme foi feito em Tãnger.
No ano passado, quando fui à Argélia, apenas dez dias, fiquei espantada com a aversão que os argelinos têm aos franceses. Quando lhes perguntávamos porquê, muitos respondiam: «Não há uma família argelina que não tenha um pai, um tio ou um avô que não tenha sido torturado pelos franceses.» E os mais jovens preferiam falar inglês connosco do que francês...


sábado, 1 de novembro de 2025

domingo, 26 de outubro de 2025

Os meus franceses - 1084

Segundo nos informou Fernando Firmino, ontem foi Dia da Ópera, que tem amantes entre os prosimetronistas, e que Bizet nasceu há 187 anos, aqui fica uma ária de Les pêcheurs de perles na voz de Tino Rossi. 


quinta-feira, 4 de setembro de 2025

Os meus franceses - 1078

Um casal, Cléa e Pierre - ela dona de uma ótica e ele professor de Matemática num liceu Georges Simenon -, recebe em casa Belle Steiner, filha de uma amiga de Cléa. Um dia a rapariga é encontrada estrangulada no seu quarto. A última pessoa a ver Belle foi Pierre. A vida deles vai mudar, dadas as suspeições que recaem sobre Pierre, grande interpretação de Guillaume Canet.
Gostei bastante deste filme de Benoit Jacquot, com um final perturbante, que adapta o romance duro homónimo de Simenon. Pode ser que o livro venha agora a ser traduzido em Portugal. Gostava de o ler para ver a adaptação é fiel.

terça-feira, 15 de julho de 2025

Leituras no Metro - 2965

Paris: Pocket, 2025.

«Et moi, et moi, et moi saiu em 1966. Foi um grande sucesso de Verão. era ouvido em todo o lado. A rádio e a televisão matraqueavam o tema. Eu estava omnipresente e ubíquo. Eu não estava preparado [...].» (p. 50)


«Et moi, et moi, et moi vendeu 300 000 exemplares; Les Playboys, um pouco mais tarde, 600 000: "Il y a les playboys de profession / Habillés par Cardin et chaussés par Carvil / Qui roulent en Ferrari à la plage comme à la ville / Qui vont chez Cartier comme ils vont chez Fauchon».
«Lanzmann [o autor da letra] teve crédito no Carvil durante dois anos. Eu próprio tive descontos nessas casas: Fauchon ofereceu-me um capão, animal que, na época, custava uma fortuna. Foi a minha mãe que o cozinhou e nunca o comi tão delicioso. Pelo contrário, nada de Ferrari nem de Cartier. A glória tem sempre limites.» (p. 55)


O livro vai certamente aqui voltar.