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sexta-feira, 2 de agosto de 2024

Leituras no Metro - 2935

S.l.: Tradisom, 2024

Este livro é uma análise da obra e da vida de José Afonso, entre 1962 e 1970, através da correspondência trocada com o jornalista Rocha Pato, pai do viola Rui Pato que acompanhou José Afonso nalguns discos e concertos.
Rui Pato ofereceu as cartas que José Afonso escreveu ao pai à Biblioteca Municipal de Coimbra. Seria bom ter também acesso às cartas que Rocha Pato (que durante uns anos serviu como manager de J.A.) enviou ao cantautor.

45 r.p.m. , gravado em 1963. Foto da capa de Rocha Pato.

«Este disco só fez soar os alarmes passados dois anos. [...]
«Em 17 de abril de 1965, o diretor da PIDE comunicou ao chefe de gabinete do Ministro do Interior a existência de um disco com as canções subversivas "Os vampiros" e "Menino do bairro negro". Tinha contactado os Serviços de Censura no sentido de saber se a sua venda estava autorizada, ao que aqueles serviços responderam que não era possível tomar qualquer atitude porque não existia legislação que permitisse a apreensão do disco. As espantosas lacunas do regime fascista! E que pruridos legalistas!
«O processo continuou o seu caminho burocrático e em 16 de agosto de 1965, sem referir qual a disposição legal que permitia a ação, o Secretariado Nacional de Informação ordenou aos Serviços de Censura que apreendessem o disco. que se lixe a legalidade! [...]
«Finalmente, em 12 de janeiro de 1966, foi lavrado o auto de apreensão do disco pela PIDE, levada a cabo na Fábrica de Discos da Rádio Triunfo, na cidade do Porto.» (p. 44-45)


Entretanto estou a acabar de ler esta Visão. Biografia dedicada a José Afonso:


- «Foi também ele [José Afonso] que deu consistência à canção como uma arma?
- «Havia no início do século XX uma tradição de fado operário, que foi esmagado pela censura a partir de 1926-1927. Depois, o Lopes Graça, na altura da campanha eleitoral de 45, MUD Juvenil, gaz as Canções Heroicas, e isso ainda estava na memória. mas não havia muito mais antecedentes desse tipo . O facto de ele ter feito um disco, ainda antes dos LP, que tem o Menino do Bairro Negro e Os Vampiros é a chave para quase tudo o que faz a seguir. Em todos os álbuns do Zeca, temos uma componente lírica e uma componente experimental poética.»
Rui Vieira Nery entrevistado por Manuel Halpern, p. 96

Aconselho tanto o livro como a revista.

quarta-feira, 24 de janeiro de 2024

Malos Libros (Vinheta)

A Biblioteca Nacional de Espanha apresenta, até ao próximo dia 11 de fevereiro de 2024, uma Exposição sobre a Censura na Época Moderna (séculos XV-XIX), em especial na Península Ibérica, embora com uma maior incidência sobre a Espanha, com o título Malos Libros. 

 


Folha 185 da edição de 1586, da obra de León Hebreo, Dialoghi di Amore, impressa em Veneza, de um exemplar censurado e não censurado.

sexta-feira, 29 de julho de 2022

Leituras no Metro - 1121

 

Lisboa: IN-CM, 2017

«Em preparação já no outono, [Bâton] é anunciada como uma das novidades da temporada 1937-1938 do TNAG [Teatro Nacional Almeida Garrett, hoje D. Maria I] pela C.ª RC-RM [Companhia Rey Colaço - Robles Monteiro], mas a sua interdição torna-se num dos casos mais debatidos de 1938. Em abril, o autor [Alfredo Cortez] "submeteu o seu novo original, Bâton, à Comissão de Censura Teatral, que o não aprovou. Para a sua representação no Teatro Nacional esta peça estaria apenas sujeita à apreciação do Comissariado do governo junto daquela casa de espetáculos". Também a tentativa de contornar o impedimento lisboeta, tentando estreia e exibição no Porto, esvarra com a obtusidade da Inspeção-Geral dos Espetáculos., que assim delibera: "A peça Bâton foi censurada e não pode ser representada nos Teatros do país., nos termos do regulamento em vigor". Portanto, amis uma vez, o autor esforça-se para fazer chegar o texto ao público, mas não consegue ir além de uma leitura feita por João Villaret, a 30 de abril desse ano, no Salão de Festas do jornal O Século, em Lisboa, reservada a convidados.
«Não resignado com aquelas restrições, a 21 de janeiro de 1939, Alfredo Cortez escreve diretamente a Salazar, queixando-se da "flagrante injustiça" cometida pela Comissão de Censura do Teatro ao proibir Bâton, considerando-a, ainda, "de uma absoluta incompreensão do alcance daquele trabalho, e, para o conjunto da [sua] obra, de um prejuízo mental que nada justifica".» (p. 43)

quinta-feira, 5 de maio de 2022

Obras proibidas e censuradas no Estado Novo


Desenho de Stuart.

A primeira parte desta mostra é composta por livros que vieram dos Serviços de Censura para a Biblioteca Nacional, em 1975. No dia 25 de Abril, as instalações da Censura, na Rua da Misericórdia Lisboa) foram assaltadas e populares começaram a deitar papéis para a rua. O que restou encontra-se hoje na Biblioteca Nacional (livros) e Torre do Tombo (arquivo).
José Pacheco Pereira tem comprado em leilões muito material do Arquivo da Censura para o Arquivo Ephemera.



Tudo o que cheirasse a anarquismo, comunismo, socialismo e Rússia era proibido.

Livro de António Sérgio.
Livro de Vergílio Ferreira.
Livro de Alves Redol.
Livro de Manuel da Fonseca.
Livro de Orlando da Costa.
Livro de poemas de Bernardo Santareno.
Livros de Carmen de Figueiredo.

Este livro deve ter pertencido a Mário Soares, dado ter no interior um conjunto de folhas com anotações dele sobre o livro. Deve ter-lhe sido apreendido em casa, nalguma rusga.

Livros sobre a  Guerra Civil de Espanha também não passavam no crivo dos censores.

Livro de Maria Lamas.

A segunda parte da mostra consta de alguns dos livros que estavam proibidos de ir à ler na Biblioteca Nacional, antes do 25 de Abril:

Quando os lobos uivam, de Aquilino Ribeiro, para além de ter sido proibido foi objeto de um processo judicial.

Rumo à vitória, de Álvaro Cunhal, numa edição policopiada.

Tomás da Fonseca e José Vilhena foram dois dos autores que mais livros proibidos tiveram durante a Ditadura. Não propriamente pelas mesmas razões. Ou sim: razões políticas.



Bocage e Guerra Junqueiro

Fichas da cota O.P.

Livro de John Reed.
Livro de Judith Teixeira e ficha bibliográfica com cota O.P.. (livros proibidos)

Esta exposição pode ser vista na Sala de Referência da Biblioteca Nacional até 3 de setembro. Ler aqui.

sábado, 30 de abril de 2022

Censura no Estado Novo

Lisboa: Tinta da China, 2022

No seguimento da exposição «Proibido por Inconveniente» sai agora um livro sobre a Censura, nas suas várias dimensões.
«O livro de Júlia Leitão de Barros mostra como se construiu essa arma política do Estado Novo [a Censura], destinada a garantir ‘que só existe o que se sabe que existe’, como dizia Salazar. E, usando os boletins de cortes da imprensa iniciados nos anos 30, revela‑nos que o país que ‘existia’ não podia ser conhecido. E que nem mesmo a oposição mais tenaz contra a ditadura podia ‘ver’ esse país real em toda a sua dimensão: o Portugal das fraudes, da pedofilia, das violências anticlericais, das disputas mortais pelas águas ou pelos baldios, do nepotismo e da corrupção dos poderosos, das cunhas, dos espancamentos, das torturas, dos assassinatos, da guerra. O país que não tinha ‘brandos costumes’.» (José Pacheco Pereira, in «Prefácio»)

terça-feira, 19 de abril de 2022

«Proibido por inconveniente»

Uma exposição realizada pela Ephemera sobre a Censura nos livros, imprensa, cinema e música, que pode ser vista na antiga sede do Diário de Notícias na Av. da Liberdade até 27 de abril, entre as 11h00 e as 18h00. Não percam!
Penso que também vai abrir (ou já abriu) uma expo no Porto.
As fotos são más, mas foi o que consegui fazer com os acrílicos. Se carregarem em cima das fotos, elas aumentam.

Livros e relatórios dos censores, alguns hilariantes. Que cabeçorras!
Aquilino Ribeiro acabou no tribunal pela publicação de Quando os lobos uivam.
José Vilhena e Tomás da Fonseca são os autores (muito distintos) mais censurados.
Também as Três Marias acabaram a ser julgadas no Tribunal.