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sábado, 30 de abril de 2022

Censura no Estado Novo

Lisboa: Tinta da China, 2022

No seguimento da exposição «Proibido por Inconveniente» sai agora um livro sobre a Censura, nas suas várias dimensões.
«O livro de Júlia Leitão de Barros mostra como se construiu essa arma política do Estado Novo [a Censura], destinada a garantir ‘que só existe o que se sabe que existe’, como dizia Salazar. E, usando os boletins de cortes da imprensa iniciados nos anos 30, revela‑nos que o país que ‘existia’ não podia ser conhecido. E que nem mesmo a oposição mais tenaz contra a ditadura podia ‘ver’ esse país real em toda a sua dimensão: o Portugal das fraudes, da pedofilia, das violências anticlericais, das disputas mortais pelas águas ou pelos baldios, do nepotismo e da corrupção dos poderosos, das cunhas, dos espancamentos, das torturas, dos assassinatos, da guerra. O país que não tinha ‘brandos costumes’.» (José Pacheco Pereira, in «Prefácio»)

terça-feira, 19 de abril de 2022

«Proibido por inconveniente»

Uma exposição realizada pela Ephemera sobre a Censura nos livros, imprensa, cinema e música, que pode ser vista na antiga sede do Diário de Notícias na Av. da Liberdade até 27 de abril, entre as 11h00 e as 18h00. Não percam!
Penso que também vai abrir (ou já abriu) uma expo no Porto.
As fotos são más, mas foi o que consegui fazer com os acrílicos. Se carregarem em cima das fotos, elas aumentam.

Livros e relatórios dos censores, alguns hilariantes. Que cabeçorras!
Aquilino Ribeiro acabou no tribunal pela publicação de Quando os lobos uivam.
José Vilhena e Tomás da Fonseca são os autores (muito distintos) mais censurados.
Também as Três Marias acabaram a ser julgadas no Tribunal.


quarta-feira, 30 de maio de 2018

Último dia ...


... para visitar no Museu do Aljube, Lisboa, a exposição Maio 68, 50 anos depois, com curadoria de Pacheco Pereira .

quarta-feira, 23 de março de 2016

Leituras no Metro - 238

Lisboa: Temas e Debates: Círculo de Leitores, 2015

Estou finalmente a ler o 4.º volume da biografia de Cunhal, escrita por Pacheco Pereira. Este volume abrange oito anos: de 1960 a 1968. 
Depois de fugir de Peniche, Cunhal passa um ano e tal, como clandestino, em Portugal, vivendo em várias casas. É em Lisboa que nasce a sua filha Ana, numa maternidade da Alameda Afonso Henriques, em 1960; e é ainda em Portugal, em março do ano seguinte, que Cunhal chega a secretário-geral do PCP. Em maio desse ano, ele deixa Portugal e em agosto está em Moscovo.

sábado, 30 de novembro de 2013

"salgar da terra que pisamos..."

Rembrandt, Detalhe, Old Man in Military Costume (Los Angeles, Getty Museum)


O artigo de Pacheco Pereira intitulado: Os velhos: não é possível exterminá-los?, vale a pena ser lido. Apenas destaco este excerto, o restante pode ler-se seguindo o link.

Eles estão [Passos e Portas], como as tropas romanas, a fazer no seu Cartago, infelizmente no nosso Portugal, o terreno salgado e estéril. Pode-se-lhes perdoar tudo, os erros de política, a incompetência, o amiguismo, uma parte da corrupção dos grandes e dos médios, menos isto, este salgar da terra que pisamos, apenas para obter uns ganhos pequeninos no presente e com o custo de enormes estragos no futuro. 

Pacheco Pereira, Público, 29-11-2013

quinta-feira, 11 de abril de 2013

Jornais policopiados

Lisboa: Círculo de Leitores: Temas e Debates, 2013
€18,00

Este livro é um contributo fundamental para a história da imprensa clandestina em Portugal.
«O meu gosto pessoal por aquilo que no passado era conhecido como "erudição" levou-me a complicar o meu trabalho, até ao limite da incompletude e do erro. […]. Mas tal é útil para as bibliotecas, os centros de investigação, os arquivos, que pretendem salvar todo este material, muitas vezes raríssimo, e quase sempre perecível. Uma das minhas intenções foi ajudar essa conservação, fornecendo um inventário que permita aferir coleções, e circunscrever as faltas. […].» (Da nota prévia)
Espero bem que os particulares entreguem os seus policopiados a bibliotecas e centros de investigação e que estes os preservem e disponibilizem a quem os queira estudar. Senão, daqui a uns anos, nada disto restará.

Jornal trotsquista, do MCI (Movimento Comunista Internacionalista).
Jornal maoísta, da OCMLP (Organização Comunista Marxista-Lenista Portuguesa).
Bati muito stencil (aliás, aprendi a escrever à máquina a 'bater' stencils), dei muito ao policopiador, neste modelo e noutros mais antigos. Não quero que tempos semelhantes voltem, mas foram uns bons anos. :)


E agora, Pacheco Pereira, para quando o 4.º volume da magnífica biografia de Cunhal? Será que vai sair neste ano do centenário?