«[...] saiam das escolas com o conhecimentos das primeiras noções das coisas naturais e das coisas civis; com juízo tão bem formado que saibam o que é útil a si e à pátria, o que é lícito, o que é decente; e quem sai com estes elementos das escolas, os adiantará facilmente na Sociedade Civil pela leitura e pelo trato dos homens instruídos».
Ribeiro Sanches (1699-1783) - Cartas sobre a educação da mocidade, 1760.
Escrito há mais de 250 anos, permanece atual.

3 comentários:
Efectivamente, aunque cada vez resulta más difícil (para docentes y discentes).
Abraço.
Sim, continua muito actual, é isto que se pretende, mas como referiu a Justa, cada vez mais difícil de colocar em pratica; logo mais difícil de alcançar!
Boa semana!
Lamento mas, de facto, só agora, tenho oportunidade de regressar à citada e (muito) oportuna passagem das "Cartas sobre a Educação da Mocidade", de ANTÓNIO Nunes RIBEIRO SANCHES (Penamacor, 7.3.1699 - Paris, 14.10.1783).
Não será demais salientar a relevância deste trabalho - editado em 1760 -, "de tão saborosa leitura e tão grande alcance na reforma pombalina" [cf. Andrée C. ROCHA, "A Epistolografia em Portugal", 2.ª ed., IN / CM, p. 186]; uma Obra da qual, segundo um respeitado estudioso da proeminente Figura, "todos os exemplares (50) e o próprio manuscrito foram enviados ao Marquês de Pombal" ["RIBEIRO SANCHES, Sobre a Agricultura, Alfândegas, Colónias e Outros Textos", com Introdução, Organização e Notas de Faustino CORDEIRO e Prefácio de António BORGES COELHO, 1.ª ed., Câmara M. de Penamacor, 2000, p. 105].
(A propósito, convém recordar aqui o anterior e reconhecido esforço do reputado investigador, que organizou, igualmente, a reedição da "Dissertação sobre as Paixões da Alma", cujo lançamento aconteceu, com o apoio da referida Edilidade Municipal, em 1999, por ocasião do Tricentenário do nascimento de A. RIBEIRO SANCHES.)
Neste contexto, em que, mesmo de forma telegráfica, importa destacar o papel de um "iluminado" intelectual (colaborador da "Enciclopédia", médico na Corte Russa) que esteve na raiz de uma importante reforma pedagógica, compreende-se o claro trecho que retirei do precioso "CATÁLOGO" da memorável "Exposição Documental" dedicada a RIBEIRO SANCHES - uma iniciativa conjunta da Sociedade Portuguesa de Estudos do Século XVIII e do Museu Nacional da Ciência e da Técnica -, que esteve patente em Coimbra, em 1984 (de 26 de Maio a 26 de Junho):
"(...) O valioso contributo de Ribeiro Sanches para a Reforma do Ensino Russo só tem paralelo na actividade que no mesmo sentido desenvolve em relação a Portugal. A ele se deve ainda o intercâmbio cultural estabelecido entre os dois extremos da Europa, através da Academia Real da História e da Academia de S. Petersburgo."
Resta, pois, relembrar um brevíssimo (e, no fundo, complementar) excerto das "Cartas sobre a Educação da Mocidade", que nos remete para as graves consequências nacionais do ruinoso TRATADO DE METHUEN (assinado em 1703), pelo qual o nosso País comprometia-se a aceitar, sem quaisquer limitações, os têxteis ingleses:
"(...) Em que escola se aprende hoje no reino a amar a sua pátria? (...) Este amor consiste em ser-lhe útil, e em aumentar por todos os meios a sua conservação e a sua grandeza: ama a sua pátria (...) aquele que, podendo comprar um vestido de pano de Inglaterra, o manda fazer de Covilhã. Estes são os patriotas, e aqueles que conhecem no que consiste a sua conservação e a sua ruína. Somente na escola proposta se poderão adquirir estes conhecimentos e estes hábitos virtuosos."
Será o "reformista" - e respeitado - Candidato PENAMACORENSE à Presidência da República um firme (e coerente) defensor da Independência Nacional deste "Reino Velho", de que falava o seu Ilustríssimo Conterrâneo?!...
Muito Boa Noite!
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