No me gusta nada la radio; sólo para escuchar música. En otros tiempos cumplió una gran labor social. Todavía me acuerdo de cuando viví de niño en un cortijo y era el único medio de comunicación y entretenimiento que teníamos, sobre todo, los mayores. Yo estaba a otras cosas que me entretenian más Boa tarde
Quando era miúda, ouvi muitos programas de música. E muito bons. Hoje oiço mais notícias e debates. Costumo ouvir um programa de música latina do João Gobern. Boa tarde para os dois.
Cuando era pequeña, en los hogares españoles era muy habitual que estuviese encendida en la cocina la radio (la cual tenía su propia repisa) todo el día. Con el tiempo la TV ha ido sustituyéndola. Yo ahora la oigo exclusivamente cuando voy en coche, de camino al trabajo (un trayecto muy corto).
Sempre me fascinou o recurso à audição (criteriosa) de determinados programas de Rádio (em particular, da das manhãs informativas da "institucional" Antena 1 e, sobretudo, da Música Clássica divulgada pela pedagógica Antena 2), cujo interesse - colectivo - ultrapassa de longe o especial simbolismo deste Dia Mundial!
Recordo, a a este respeito, uma brevíssima e oportuna passagem da lúcida reflexão de Roland BARTHES, que o Prof. Adriano Duarte RODRIGUES não hesitou em "recuperar", por breves momentos, no quadro da memorável comunicação que este respeitado académico apresentou, em 1985 (Lisboa, Forum Picoas), no Colóquio "60 Anos de Rádio em Portugal" [in, "O Campo dos Media", ed. Vega, 1999 (?), p. 130], "a propósito do papel que a Rádio desempenhou em França por ocasião de Maio de 68":
"(...) A palavra informativa (do repórter) esteve tão intimamente misturada com o acontecimento, com a própria opacidade do seu presente (lembremo-nos de algumas noites de barricadas) que era o seu sentido imediato e consubstancial, a sua maneira de aceder a um inteligível instantâneo"...
Ainda no âmbito do complexo e atribulado processo evolutivo da Rádio nos anos sombrios da ditadura fascista, não resisto à evocação de um pequeno (melhor dizendo, cómico!) episódio, digno de uma "cena" genial de António SILVA, incluído por António MOREIRA DA CÂMARA no seu curioso livrinho, "Romance da Emissora, Lugar de Memória" (Roma Editora, 2007, p. 8):
"(...) O Locutor D. João da Câmara, que singularizava o nível do estatuto da profissão [e que, segundo o memorialista (antigo quadro da "Emissora Nacional"), teve a "honra" de ser "o primeiro Locutor-Repórter das Peregrinações" da Cova da Iria...], pede aos Estúdios [instalados, à época, no "edifício do Quelhas 2"...], através do intercomunicador, para ser rendido no serviço, uma vez chegada a sua hora de almoço. A Regência dos Estúdios solicita-lhe que aguarde só mais uns momentos a disponibilidade do Colega.
Ora, por lapso de comutação técnica, foi para o 'ar' esta conversa breve. Daí a momentos toca o telefone da Regência dos Estúdios. É uma ouvinte de VOZ [caracteres maiúsculos de F. Firmino...] meiguíssima, que implora aos Estúdios: 'Por favor, deixem o Sr. D. João da Câmara ir almoçar! Ele está a pedi-lo com tão bons modos e os Senhores não fazem caso?!' "
Votos de um bom fim-de-semana, sem as "angústias" do mau tempo!!!...
Também me lembro do rádio estar quase permanentemente ligado. E de como ele foi importante no dia 25 de Abril e, mais recentemente, no Apagão. Bom sábado!
Também me lembro dele a passear na Av. de Roma e às vezes encontrava-o num restaurante, Estrela do Campo Pequeno, na Av. Sacadura Cabral, que encerrou (infelizmente!) há uns anos. Boa tarde!
Ainda a propósito da figura respeitada de Fernando PESSA, considero digno de curiosa referência o "testemunho" de António CARTAXO (1934-2023). No seu útil volume "Ao Sabor da Música" (Ed. Caminho, 1996, pp. 33 e 243), o saudoso Autor de memoráveis programas radiofónicos (Antena 2), cuja Voz inconfundível contribuiu, igualmente, para a influência das emissões da BBC em Portugal, escreveu:
"(...) Em casa de familiares onde vivi quando criança, corriam os anos de quarenta, ouvia-se sempre a emissão clássica. Apenas à noite, e noite após noite, havia uma interrupção quando a voz do meu Avô ordenava: 'Vamos ouvir o Pessa.' Mudava-se de onda durante os quinze minutos sacramentais com as notícias da BBC sobre o desenrolar da Guerra. (...) A BBC de Londres tinha sido o grande veículo de propagação de notícias de guerra, transmitindo para os quatro cantos do globo em 40 idiomas diferentes, travando também ela a sua batalha contra o inimigo. (...)"
Apenas uma (muito) breve e simbólica nota final para assinalar a data de 15 de Fevereiro de 1989, dia em que terminou a trágica (e suicida) presença das últimas "tropas" da URSS no Afeganistão, cujos "rebeldes" trogloditas eram claramente apoiados pelo Paquistão e, sobretudo, pelos "civilizados" Ianques...
António Cartaxo, além de melómano, era bpm comunicador. Há muitos relatos de famílias que se reuniam à volta do rádio para ouvir as notícias de Londres. Alguns, tal era o medo, punham uma 'sentinela' (que revesava) à porta de casa (penso que do lado de dentro) para o caso de alguém passar nas escadas e ouvir. Que tempos!... Boa semana!
11 comentários:
No me gusta nada la radio; sólo para escuchar música. En otros tiempos cumplió una gran labor social. Todavía me acuerdo de cuando viví de niño en un cortijo y era el único medio de comunicación y entretenimiento que teníamos, sobre todo, los mayores. Yo estaba a otras cosas que me entretenian más
Boa tarde
A rádio já me foi de muita companhia. E Fernando Pessa está tão bonitinho. Afinal também foi novo:).
Parabéns à rádio!
Quando era miúda, ouvi muitos programas de música. E muito bons. Hoje oiço mais notícias e debates. Costumo ouvir um programa de música latina do João Gobern.
Boa tarde para os dois.
Cuando era pequeña, en los hogares españoles era muy habitual que estuviese encendida en la cocina la radio (la cual tenía su propia repisa) todo el día. Con el tiempo la TV ha ido sustituyéndola. Yo ahora la oigo exclusivamente cuando voy en coche, de camino al trabajo (un trayecto muy corto).
Abraço.
Sempre me fascinou o recurso à audição (criteriosa) de determinados programas de Rádio (em particular, da das manhãs informativas da "institucional" Antena 1 e, sobretudo, da Música Clássica divulgada pela pedagógica Antena 2), cujo interesse - colectivo - ultrapassa de longe o especial simbolismo deste Dia Mundial!
Recordo, a a este respeito, uma brevíssima e oportuna passagem da lúcida reflexão de Roland BARTHES, que o Prof. Adriano Duarte RODRIGUES não hesitou em "recuperar", por breves momentos, no quadro da memorável comunicação que este respeitado académico apresentou, em 1985 (Lisboa, Forum Picoas), no Colóquio "60 Anos de Rádio em Portugal" [in, "O Campo dos Media", ed. Vega, 1999 (?), p. 130], "a propósito do papel que a Rádio desempenhou em França por ocasião de Maio de 68":
"(...) A palavra informativa (do repórter) esteve tão intimamente misturada com o acontecimento, com a própria opacidade do seu presente (lembremo-nos de algumas noites de barricadas) que era o seu sentido imediato e consubstancial, a sua maneira de aceder a um inteligível instantâneo"...
Ainda no âmbito do complexo e atribulado processo evolutivo da Rádio nos anos sombrios da ditadura fascista, não resisto à evocação de um pequeno (melhor dizendo, cómico!) episódio, digno de uma "cena" genial de António SILVA, incluído por António MOREIRA DA CÂMARA no seu curioso livrinho, "Romance da Emissora, Lugar de Memória" (Roma Editora, 2007, p. 8):
"(...) O Locutor D. João da Câmara, que singularizava o nível do estatuto da profissão [e que, segundo o memorialista (antigo quadro da "Emissora Nacional"), teve a "honra" de ser "o primeiro Locutor-Repórter das Peregrinações" da Cova da Iria...], pede aos Estúdios [instalados, à época, no "edifício do Quelhas 2"...], através do intercomunicador, para ser rendido no serviço, uma vez chegada a sua hora de almoço. A Regência dos Estúdios solicita-lhe que aguarde só mais uns momentos a disponibilidade do Colega.
Ora, por lapso de comutação técnica, foi para o 'ar' esta conversa breve. Daí a momentos toca o telefone da Regência dos Estúdios. É uma ouvinte de VOZ [caracteres maiúsculos de F. Firmino...] meiguíssima, que implora aos Estúdios: 'Por favor, deixem o Sr. D. João da Câmara ir almoçar! Ele está a pedi-lo com tão bons modos e os Senhores não fazem caso?!' "
Votos de um bom fim-de-semana, sem as "angústias" do mau tempo!!!...
Também me lembro do rádio estar quase permanentemente ligado. E de como ele foi importante no dia 25 de Abril e, mais recentemente, no Apagão.
Bom sábado!
Hei de tentar ler esse Romance da Emissora.
Bom fim de semana!
Gostava muito do Fernando Pessa, mas só o vi na TV (e a passear na Av. de Roma). Boa tarde!
Também me lembro dele a passear na Av. de Roma e às vezes encontrava-o num restaurante, Estrela do Campo Pequeno, na Av. Sacadura Cabral, que encerrou (infelizmente!) há uns anos.
Boa tarde!
Ainda a propósito da figura respeitada de Fernando PESSA, considero digno de curiosa referência o "testemunho" de António CARTAXO (1934-2023). No seu útil volume "Ao Sabor da Música" (Ed. Caminho, 1996, pp. 33 e 243), o saudoso Autor de memoráveis programas radiofónicos (Antena 2), cuja Voz inconfundível contribuiu, igualmente, para a influência das emissões da BBC em Portugal, escreveu:
"(...) Em casa de familiares onde vivi quando criança, corriam os anos de quarenta, ouvia-se sempre a emissão clássica. Apenas à noite, e noite após noite, havia uma interrupção quando a voz do meu Avô ordenava: 'Vamos ouvir o Pessa.' Mudava-se de onda durante os quinze minutos sacramentais com as notícias da BBC sobre o desenrolar da Guerra. (...) A BBC de Londres tinha sido o grande veículo de propagação de notícias de guerra, transmitindo para os quatro cantos do globo em 40 idiomas diferentes, travando também ela a sua batalha contra o inimigo. (...)"
Apenas uma (muito) breve e simbólica nota final para assinalar a data de 15 de Fevereiro de 1989, dia em que terminou a trágica (e suicida) presença das últimas "tropas" da URSS no Afeganistão, cujos "rebeldes" trogloditas eram claramente apoiados pelo Paquistão e, sobretudo, pelos "civilizados" Ianques...
Muito Boa Noite!
António Cartaxo, além de melómano, era bpm comunicador.
Há muitos relatos de famílias que se reuniam à volta do rádio para ouvir as notícias de Londres. Alguns, tal era o medo, punham uma 'sentinela' (que revesava) à porta de casa (penso que do lado de dentro) para o caso de alguém passar nas escadas e ouvir. Que tempos!...
Boa semana!
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