Sempre divertidas estas comédias francesas; divertidas e pedagógicas. O alvo: preconceituosos e racistas que, provável e estranhamente, o acharão o filme divertido.
Será bom filme para ver em casa; não me desloca ao cinema. Sobretudo porque o dito me fica longe e há que escolher o que julgo imprescindível ver no grande écran. Boa semana
O último filme de Julien HERVÉ ["Cocorico 2" (título escolhido pelo "marketing" da distribuição lusitana: "Oh Lá Lá 2")] é, de facto, uma popular comédia gaulesa, onde se destacam as atitudes caricaturais dos personagens, com óbvios "tiques" burgueses e nacionalistas... Atraíram-me, sobretudo, o prestígio do elenco e, em particular, a admirável interpretação de Christian CLAVIER!
Com isto não se nega o (maior ou menor) interesse de outras recentes películas, que despertaram, particularmente, a nossa curiosidade: o documentário "Daguerréotypes", de Agnès VARDA, realizado, há meio século, numa artéria do 14e arrondissement Parisiense (rue Daguerre), onde residiu a própria cineasta; o surpreendente desempenho de Carmen MAURA, na "Calle Málaga", de Maryam TOUZANI; e o "tristonho" (e, a meu ver, lamentável) "Playback", de Sérgio GRACIANO, "um simulacro [cinematográfico] sem vida", para citar as críticas (e justas) palavras de André ANTUNES ("Tribuna do Cinema", 6 de Agosto).
Diga-se, já agora, que o malogrado médico (de formação) e Artista (criativo autor, compositor e intérprete) CARLOS Marques PAIÃO (Coimbra, 1.11.1957 - zona de Rio Maior, 26.8.1988), cuja trágica morte ocorreu, ironicamente, por ocasião (faz agora 38 anos) em que um "dantesco" incêndio destruiu alguns edifícios emblemáticos do Chiado, embora não sendo um dos nomes da nossa Música popular que mais cultivo, era, no entanto, uma Figura sensível e consciente.
Neste tempo cinzento, em a "nossa" Rádio pública Antena 1 continua, absurdamente, a optar pelo silêncio sepulcral de múltiplas Vozes (não só de Carlos PAIÃO, mas também de outros notáveis talentos musicais, como o próprio "ZECA"!), não resisto à (muito) singela e simbólica "lembrança" de um significativo depoimento, publicado em 1981 (edição de 10 de Junho) do "Jornal da Costa do Sol" e, entretanto, incluído nas páginas (208-215) de uma curiosa colectânea, do conceituado arqueólogo [Prof.] José d'ENCARNAÇÃO, "CASCAIS, Paisagem com Pessoas dentro" (ed. Associação Cultural de Cascais, 2011).
Na referida entrevista (menos conhecida), o inspirado criador de "Play-Back", que era munícipe daquele Concelho (e residente em S. Domingos de Rama), confessava o seu reconhecido sentido de saudável ironia, tão característica de um certo humanismo "moderado": "(...) Nem tudo é satírico e humorístico. As minhas composições são, fundamentalmente, bem dispostas, reflectindo o meu estado de espírito (...). Há, evidentemente, uma crítica, mas que não é destrutiva: parto da análise superficial dum fenómeno, disseco-o, mas depois ponho tudo no seu lugar, creio que ninguém fica ofendido. (...)"
5 comentários:
Será bom filme para ver em casa; não me desloca ao cinema. Sobretudo porque o dito me fica longe e há que escolher o que julgo imprescindível ver no grande écran.
Boa semana
Claro! Tenho a sorte de ter um cinema que tem uma boa programação, em que me desloco de metro porta a porta.
Boa semana!
Deve ser engraçado! Boa tarde!
O último filme de Julien HERVÉ ["Cocorico 2" (título escolhido pelo "marketing" da distribuição lusitana: "Oh Lá Lá 2")] é, de facto, uma popular comédia gaulesa, onde se destacam as atitudes caricaturais dos personagens, com óbvios "tiques" burgueses e nacionalistas... Atraíram-me, sobretudo, o prestígio do elenco e, em particular, a admirável interpretação de Christian CLAVIER!
Com isto não se nega o (maior ou menor) interesse de outras recentes películas, que despertaram, particularmente, a nossa curiosidade: o documentário "Daguerréotypes", de Agnès VARDA, realizado, há meio século, numa artéria do 14e arrondissement Parisiense (rue Daguerre), onde residiu a própria cineasta; o surpreendente desempenho de Carmen MAURA, na "Calle Málaga", de Maryam TOUZANI; e o "tristonho" (e, a meu ver, lamentável) "Playback", de Sérgio GRACIANO, "um simulacro [cinematográfico] sem vida", para citar as críticas (e justas) palavras de André ANTUNES ("Tribuna do Cinema", 6 de Agosto).
Diga-se, já agora, que o malogrado médico (de formação) e Artista (criativo autor, compositor e intérprete) CARLOS Marques PAIÃO (Coimbra, 1.11.1957 - zona de Rio Maior, 26.8.1988), cuja trágica morte ocorreu, ironicamente, por ocasião (faz agora 38 anos) em que um "dantesco" incêndio destruiu alguns edifícios emblemáticos do Chiado, embora não sendo um dos nomes da nossa Música popular que mais cultivo, era, no entanto, uma Figura sensível e consciente.
Neste tempo cinzento, em a "nossa" Rádio pública Antena 1 continua, absurdamente, a optar pelo silêncio sepulcral de múltiplas Vozes (não só de Carlos PAIÃO, mas também de outros notáveis talentos musicais, como o próprio "ZECA"!), não resisto à (muito) singela e simbólica "lembrança" de um significativo depoimento, publicado em 1981 (edição de 10 de Junho) do "Jornal da Costa do Sol" e, entretanto, incluído nas páginas (208-215) de uma curiosa colectânea, do conceituado arqueólogo [Prof.] José d'ENCARNAÇÃO, "CASCAIS, Paisagem com Pessoas dentro" (ed. Associação Cultural de Cascais, 2011).
Na referida entrevista (menos conhecida), o inspirado criador de "Play-Back", que era munícipe daquele Concelho (e residente em S. Domingos de Rama), confessava o seu reconhecido sentido de saudável ironia, tão característica de um certo humanismo "moderado": "(...) Nem tudo é satírico e humorístico. As minhas composições são, fundamentalmente, bem dispostas, reflectindo o meu estado de espírito (...). Há, evidentemente, uma crítica, mas que não é destrutiva: parto da análise superficial dum fenómeno, disseco-o, mas depois ponho tudo no seu lugar, creio que ninguém fica ofendido. (...)"
Muito Boa Noite!
Claro, mas tenho esperança que estas comédias façam o seu caminho, talvez as pessoas reflitam sobre atitudes que têm.
Boa noite!
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