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sexta-feira, 16 de outubro de 2026

Leituras no Metro - 3005


Um padeiro no Brasil foi multado, em 1946, por fazer pão com farinha pura, sem misturas, o que valeu uma «Louvação» de Rubem Braga: 
«Glória a ti, padeiro de Brás de Pina, padeiro de pão puro.
«Entre o falso leite, a falsa arte, a falsa crítica de arte, o falso dinheiro do governo, a falsa palavra do político; entre a falsa mulher, a falsa meia de nylon, a falsa companhia e a falsa democracia - glória ati. Mergulhamos no frenesi das falsificações; nossos panos são de falsos tecidos, os sapatos de falso couro, as garrafas de falsa bebida, as palavras de falsa moral. Há orquestras tocando falsas músicas e oradores com a voz embargada, pela falsa emoção; e o chefe de Polícia resolve punir falsos crimes. [...]
«Tu, só tu, fazes o pão puro. às escondidas, nesta cidade pecaminosa; contra as posturas municipais e contra os costumes; é aí, na penumbra de Brás de Pina, que formas a tua massa pura e a levas ao forno de verdadeira fogo do ideal, ao fogo do teu coração.»
Rubem Braga - Desculpem tocar no assunto. Lisboa: Tinta da China, 2023, p. 36-37.

2 comentários:

Anónimo disse...

Um belo naco de prosa☺️
Bom dia, com um pãozinho puro 🥪
Maria

MR disse...

Gosto imenso das crónicas deste homem.
Daqui a pouco tb comerei um naco de pão puro.
Bom dia!