Ed. 2006.
tantas coisas parecem cheias da intenção
de se perderem que a sua perda não é uma calamidade.
Perde algo todos os dias. Aceita a agitação
das chaves perdidas, a hora mal passada.
A arte de perder não é difícil de dominar.
Então procura perder mais, perder mais depressa:
lugares, e nomes, e para onde se tencionava
viajar. Nenhuma destas coisas trará uma calamidade.
Perdi o relógio da minha mãe. E olha! a minha última, ou
a penúltima, de três casas amadas desapareceu.
A arte de perder não é difícil de se dominar.
Perdi duas cidades encantadoras. E, mais vastos ainda,
reinos que possuía, dois rios, um continente.
Sinto a falta deles, mas não foi uma calamidade.
- Mesmo o perder-te (a voz trocista, um gesto
que amo) não foi diferente disso. É evidente
que a arte de perder não é muito difícil de se dominar
mesmo que nos pareça (Toma nota!) uma calamidade.
Elizabeth Bishop. Trad. Maria de Lourdes Guimarães.
Miranda Otto recita «One Art» no final do filme Reaching for the moon (Flores Raras).

1 comentário:
Pois... não será assim tão fácil...
Dito e lido no poema até parece!
É tudo muito relativo! Mas que nos faz pensar no que realmente é importante, faz!
Bom dia!
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