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sexta-feira, 16 de julho de 2010

The Barbara Stanwyck Show


Miss Barbara Stanwyck nasceu a 16 de Julho de 1907; ao longo da sua carreira no cinema, tornou-se uma das estrelas mais cintilantes do firmamento de Hollywood.

Descobri recentemente que em 1960-61 Ms. Stanwyck apresentou uma série com o seu nome, que em vez de ser o habitual talk show de estrelas de cinema, consistiu numa série de filmes de meia hora; na maior parte desses filmes, Ms. Stanwyck entrou como actriz (tendo aliás conquistado o Emmy para Melhor Actriz em 1961). Para gáudio dos aficionados, "The Archive of American Television" descobriu, restaurou e publicou vários episódios em DVD de zona 1. Estão disponíveis 15 episódios no primeiro volume e 12 no segundo (de um total de 36, sendo que os demais se consideram perdidos).

quinta-feira, 30 de julho de 2009

1939 - “Paixão Mais Forte” / “Golden Boy”

O filme que lançou William Holden, sob o alto patrocínio de Barbara Stanwyck.


Enredo
Joe Bonaparte (William Holden) é um jovem estudioso num bairro pobre e italiano de Nova Iorque. Adepto do violino, prefere aprimorar a sua arte em vez de se dedicar a um emprego tradicional, vocação em que é apoiado pelo pai (Lee J. Cobb, que interpreta o papel aos 27 anos). Apercebendo-se que a sua vida nunca mais muda a não ser que ganhe dinheiro depressa, Joe decide apostar no seu outro talento, o boxe, apesar da oposição paterna.

Sob a égide do treinador Tom Moody (Adolphe Menjou), a sua carreira de boxeur começa a apresentar resultados. Ao mesmo tempo, conhece a assistente e amante de Moody, Lorna Moon (Barbara Stanwyck). Hesitante entre pai e boxe, Joe começa a retrair-se para não magoar os dedos. Lorna, para ajudar Moody, começa um processo de sedução e convencimento de que o futuro está no boxe, corrompendo os valores do jovem músico / boxeur. Apesar do mote inicial ser puramente interesseiro, Lorna começa a envolver-se emocionalmente, e o feitiço lentamente vira-se contra a feiticeira.

A carreira de Joe vai progredindo, mas não a um ritmo que o satisfaça; passa então para a esfera de outro gestor de carreira, Eddie Fuseli (Joseph Calleia), que se revela um escroque. Em paralelo, descobre que já não consegue tocar o violino, perante a angústia do pai.

A epifania surge quando um dos seus adversários morre no ringue: Joe abandona o boxe, regressa ao violino e conquista os afectos de Lorna.

Notas de produção
Realizado pelo veterano Rouben Mamoulian, o filme é um produto de um dos estúdios mais pequenos de Hollywood, a Columbia Pictures. O argumento é baseado na peça de sucesso de Clifford Odets, do mesmo nome.

A presença de William Holden (que viria a ser considerado pelo AFI o 25º “greatest actor” de cinema) esteve várias vezes por um fio. Em primeiro lugar, porque a Columbia queria utilizar Richard Carlson, mas este estava em palco; em segundo lugar, houve 5,000 candidatos ao papel, e Holden não possuía créditos que o distinguissem (apenas duas aparições não creditadas – Mamoulian e Stanwyck fizeram lobby a seu favor); e em terceiro lugar, porque os produtores, pouco impressionados pelas primeiras filmagens, tentaram afastá-lo (mais uma vez, foi Barbara Stanwyck a intervir para o manter).

Holden trabalhou arduamente para justificar a sua valia: para além de uma semana de treino intensivo de violino e boxe, treinava boxe duas horas e violino uma hora e meia por dia para parecer mais realista. Curiosamente, uma cena de boxe em que ficou inconsciente, altamente realista aos olhos do actor, foi descartada por Mamoulian por… não parecer realista.
Todos os anos, no aniversário do início das filmagens, William Holden enviou flores a Barbara Stanwyck. Em 1978, durante a cerimónia dos Óscares, antes da apresentação do prémio para Melhor Som que era anunciado por Holden e Stanwyck, Holden fez um agradecimento público a Missy por ter lutado por ele (momento já apresentado no Prosimetron).

Reacções

O filme foi nomeado para o Óscar de Melhor Banda Sonora, de Victor Young. Foi um sucesso de crítica e de bilheteira, detendo o estandarte de ser o filme não realizado por Frank Capra de maior sucesso da Columbia por sete anos.

Graham Greene comentou-o da seguinte forma: “Tem um efeito de close-up vigoroso e duro… a verdadeira estrela é Mamoulian. Pode ver-se a qualidade de um realizador pelos seus close-ups, e eu colocaria a cena final de boxe entre as melhores sequências do sonoro.” A mesma cena é elogiada por Frank S. Nugent no “The New York Times”: “É uma cena de comentário social cinemático eloquente e selvagem.” Complementa o seu comentário habilmente: “É um filme interessante, dramático, de bom entretenimento, mas dificilmente se poderia classificar de primeira água.”

Elliot Stein, no “Village Voice”, avança para o elogio de Holden: “William Holden tornou-se uma estrela com este seu primeiro papel real no grande ecrã, neste desempenho tão apelativo.”

quarta-feira, 11 de junho de 2008

A lovely human being - Miss Barbara Stanwyck


Conhecida pelos seus papéis de mulher forte, decidida e independente, Barbara Stanwyck (1907-1990) atingiu o estrelato em Hollywood ainda pré-Código (Baby Face, Night Nurse) e a consagração em comédias como Ball of Fire, o notável Meet John Doe com Gary Cooper, a irrepetível comédia The Lady Eve com Henry Fonda (provavelmente a minha comédia favorita com Ms. Stanwyck), dramas de elevado nível como Stella Dallas ou All I Desire (claramente o meu drama favorito com Ms. Stanwyck), ou thrillers como The Strange Love of Martha Ivers , Double Indemnity ou Sorry, Wrong Number (que neste conjunto será provavelmente o meu favorito), em que faz o papel de uma acamada histérica convencida que o marido a quer matar... Destes filmes, obteve quatro nomeações para os Óscares da Academia. Mais tarde, vira-se para o pequeno écran, com reconhecimento mundial pelo seu papel em The Thorn Birds (Os Pássaros Feridos). Viria a ganhar um Óscar honorário em 1982, três Emmys e um Globo de Ouro.

Mas o que me impele a escrever sobre Stanwyck (não se comemora o seu nascimento ou a sua morte, não data de hoje -- tanto quanto sei -- nenhum evento fulcral da sua vida ou da sua carreira) é um apelo de magia. Há algo de mágico no seu discurso de aceitação do Óscar em 1982. Em 1939, a já consagrada Stanwyck havia contracenado com um jovem actor chamado William Holden em The Golden Boy. Aparentemente, foi Barbara Stanwyck que convenceu os produtores a manter Holden no papel, permitindo-lhe lançar uma carreira de sucesso (Sunset Boulevard, Sabrina, Stalag 17) que o levou ao topo de Hollywood e à conquista de um Óscar. Numa cerimónia de atribuição de Óscar para o Melhor Som em que ambos estão lado-a-lado, em 1978, Holden faz um comovente agradecimento a Stanwyck pela sua carreira; Em 1982, perante uma audiência que a aplaude de pé na aceitação do seu Óscar de carreira, uma Stanwyck visivelmente emocionada agradece ao seu Golden Boy, que havia falecido em finais de 1981.

Vale a pena ver:

Todos os dias são bons para celebrar um lovely human being.