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sábado, 31 de dezembro de 2011

A Voz das Vítimas

O Parlatório 
Ficheiros, oeganizados por temas e organizações: por exemplo, comunistas, maoistas, socialistas; PCP, FAP, etc. 
Algumas das vítimas: Acácio Tomás de Aquino, Edmundo Pedro, general Sousa Dias, Fernanda Paiva Tomás, Álvaro Cunhal, Fernando Oneto, Agostinho Neto, Francisco Horta Catarino, ... 
 Outras vítimas Dias Lourenço, José de Sousa Coelho, Hermínio da Palma Inácio, general Marques Godinho, Horácio Faustino, José Luís Saldanha Sanches.
Os curros ou gavetas

«"Feitos à medida de um homem estendido ao comprido" e parecendo "sarcógafos", segundo o preso Lino Lima, os "curros" ou "gavetas" eram 13 pequenas celas de "solitária", situadas no 2.º andar do Aljube, pomposamente apelidado de "Sala 2" pelos carcereiros. Cada uma tinha cerca de um metro de largura, com catres basculantes que, quando estavam baixados, girando numas dobradiças, não possibilitavam ao preso passear.
«No final dos anos quarenta, ao chegar ao Aljube, o advogado Lino Lima foi informado pelo guarda prisional "Matateu", que poderia ficar nos "quartos", onde tinha "direito a lençóis e a ver o Tejo, pagando só dez escudos por dia". O preso recem-chegado disse-lhe que não ia pagar para estar preso e foi então levado para a Sala 2A, de pouca luz, com uma janela, gradeada e coberta por uma rede fina, que dava para o "Beco do Aljube". As camas ou "bailiques estavam presos à parede por dobradiças colocadas nas cabeceiras que, quando à noite se desciam e assentavam no chão, deixavam ver uma enxerga e duas mantas". Era para essa cela e outras colectivas - por exemplo a "Sala 3" -, com diversas camas que, após a fase de interrogatório, os presos eram habitualmente  removidos, após o período de interrogatórios e de isolamento, sem aquecimento, nem assistência médica e com péssima alimentação: ao pequeno-almoço, café e pão; ao almoço, sopa e carne ou peixe, muitas vezes deteriorados.» (p. 211 do catálogo)

«1960: Sob prisão, fui conduzido para a esquadra de Arroios, onde apareceu daí a pouco Acácio Gouveia, acompanhado de vários amigos, gritando que tambem se considerava preso, porque tinha feito o mesmo que eu.  [...] Passadas algumas horas, fui transferido, evidentemente, para a PIDE e daí, depois de um pequeno interogatório simbólico, para o Aljube, onde pela primeira vez conheci os célebres curros de má memória. [...] Foi uma simples advertência amável, no começo dos anos sessenta, que para mim seriam particularmente movimentados, com o objectivo de não me deixar esquecer mais o cinquentenário da República.» (Mário Soares, p. 212)

A exposição encerra hoje, às 18h00.

quarta-feira, 28 de dezembro de 2011

A Voz das Vítimas


Falta-lhe a liberdade.
Só essa dor lhe dói.
Mas só por ela há-de
Não ser o ser que foi.

Do poema «Canção», escrito a 30 dez. 1939, por Miguel Torga, na Cadeia do Aljube (In Diário I.  4.ª ed. rev. Coimbra: ed. do autor, 1957).

Fui hoje ver esta exposição, patente na antiga Cadeia do Aljube, junto à Sé de Lisboa. Muito boa! Se ainda não a viu, vá, com tempo - tem muitos testemunhos de vítimas gravados, a que pode assistir. Só até sábado.

domingo, 2 de outubro de 2011

Aljube - a voz das vítimas


Aljube - a voz das vítimas, exposição organizada pela Fundação Mário Soares, pelo Instituto de História Contemporânea da Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e pelo movimento cívico Não Apaguem a Memória! que se encontra na antiga cadeia do Aljube em Lisboa até 4.ª feira, dia 5 de Outubro.
http://avozdasvitimas.net/

quinta-feira, 14 de abril de 2011

A nossa vinheta


http://populo.weblog.com.pt/arquivo/idxnvaljube.jpg

O Aljube, antiga cadeia, encerrada em Agosto de 1965, reabre hoje para uma exposição:

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Cela 13
As paredes medem só
inteiriçado corpo no chão
Morrem, ao cabo, em quilha de barco
- Ventre vazio de um porão
na solidão de charco.
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Luís Veiga Leitão
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«No meu tempo era utilizado o velho Aljube, ex-convento e ex-prisão de mulheres, defronte da Sé, de arquitectura maciça e quase tão vetusta como esta [Caxias].
«Dividiram uma grande sala em pequenas celas, cerca de vinte. Eram os ‘curros’, como lhe chamávamos. Isoladas das janelas por largo corredor. Com portas duplas, sem luz eléctrica até à década de 60, tinham uma curiosa característica. Transformavam um dia de sol numa penumbra cinzenta. Pelo meio da tarde era noite lá dentro. Procuravam-se os objectos aos apalpões de cegos.
«De paredes altas, eram muito estreitas. Um homem não podia estender os braços. O comprimento variava. Havia aquelas onde só o leito cabia, com os seus três passos correspondentes, às intituladas ‘duplas’, para dois ‘hóspedes’ e com oito ou nove pessoas.
«Os móveis eram uma curta tarimba com uma enxerga de dois dedos de palha mal cheirosa; uma almofada do mesmo material, e duas mantas incrivelmente sujas. E por uma tábua onde se colocavam as roupas e alimentos e por onde passavam as baratas.
«Quanto a utensílios, davam apenas um copo de lata e um escarrador pequeno, que era também cinzeiro.»

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José Magro
In: Cartas da prisão: 1. Vida prisional. 2.ª ed. Lisboa: Ed. Avante, 1975, p. 21-22. (Col. Resistência)

quarta-feira, 29 de abril de 2009

Compromisso com a memória

- Cadeia do Aljube, fotografia de Jorge Claudino.

No passado dia 25 de Abril foi assinado um protocolo entre a Câmara Municipal de Lisboa e o Movimento Cívico Não Apaguem a Memória para a criação do Museu da República, da Resistência e da Liberdade na antiga Cadeia do Aljube, bem como para a edificação de um memorial às vítimas da PIDE/DGS na Rua António Maria Cardoso, em Lisboa.