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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Há 500 anos

 
Porque nem só de pão viverá o Homem...

Comemoraram-se ontem os 500 anos da inauguração do tecto da Capela Sistina. Ao olhar para este conjunto de frescos, brilhantemente pintados por Michelangelo Buonarroti, recordo-me sempre das doutas palavras de Victor Hugo: "o fim da arte é quase divino: ressuscitar, se faz história; criar, se faz poesia". Neste caso não ressuscita nem cria, simplesmente alumia. Como disse Bento XVI, "con un’intensità espressiva unica, il grande artista disegna il Dio Creatore, la sua azione, la sua potenza, per dire con evidenza che il mondo non è prodotto dell’oscurità, del caso, dell’assurdo, ma deriva da un’Intelligenza, da una Libertà, da un supremo atto di Amore".
João Pinto Bastos
em "Estado Sentido"

segunda-feira, 11 de agosto de 2008

Primeiro conclave papal na Capela Sistina

Tentazioni di Cristo, 1481 - 1482, Sandro Botticelli, Capela Sistina, Vaticano
Punizione dei Ribelli, 1481 - 1482, Sandro Botticelli, Capela Sistina, Vaticano

Prove di Mosè, 1481 - 1482, Sandro Botticelli, Capela Sistina, Vaticano

O primeiro conclave papal na Capela Sistina teve lugar de 6 a 11 de Agosto de 1492. O conclave terminou com a eleição de Rodrigo Bórgia, sob o nome Alexandre VI, com votos comprados (simony, em inglês).

Na capela, a inspiração da arte sobre temas divinos estava representada por Botticelli (com os três frescos supra-reproduzidos), Perugino e Ghirlandaio, entre outros. Claramente não foi suficiente para inspirar os trinta e dois cardeais presentes. Faltariam 16 anos (já com Júlio II na cadeira de S. Pedro) para os pincéis de Michelangelo Buonarroti começarem a dotar a capela dos intensos azuis vivos, da expressividade dos rostos, das inspiracionais ilustrações das mensagens sacras... talvez se a beleza deste 'Juízo Final' já lá estivesse o resultado do primeiro conclave tivesse sido distinto.

Il Giudizio Universale, 1536 - 1541 , Michelangelo Buonarroti, Capela Sistina, Vaticano

terça-feira, 27 de maio de 2008

1508 - A CAPELA SISTINA


O Papa Júlio II ( Giuliano Della Rovere ) , impulsionador da Primeira Renascença encomenda a Michelangelo Buonarroti ( 1475-1564 ) , mais conhecido pelo seu nome próprio, a pintura dos tectos da Capela Sistina, construída por ordem do Papa Sixto IV, tio de Júlio II.
A 10 de Maio de 1508 é formalizada a encomenda e Miguel Ângelo recebe desde logo 500 ducados pontificais. Os trabalhos começam ainda no mês de Maio com o esforço de Miguel Ângelo, o seu ajudante Francesco Granacci e cinco assistentes, e só terminarão quatro anos depois a 31 de Outubro de 1512. O programa da obra foi ambicioso : A separação da Luz e das Trevas, a criação do Sol e da Lua, a criação das árvores e das plantas, a criação de Adão, a criação de Eva, a queda do Homem, o sacrifício de Noé, o dilúvio, e finalmente a embriaguez de Noé. E nos espaços triangulares uma série de profetas e de sibilas.
As dificuldades técnicas experimentadas devido à altura e à própria arquitectura da capela são bem conhecidas e foram magnificamente superadas, o que faz de Miguel Ângelo um grande engenheiro além de ser um enorme pintor e escultor( e até poeta - deixou numerosos madrigais e sonetos ) . Dificuldades técnicas ainda acrescidas pelo facto de que durante os quatro anos de trabalhos a capela continuou a ser usada para celebrações litúrgicas...