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terça-feira, 5 de junho de 2012
Vinheta - 7 de Junho de 2012
Dia em que, pelo menos por 5 anos, nos despedimos do “feriado” do Corpo de Deus. Feriado para uns, dia santo para outros, aliás especialmente vocacionado para proporcionar “pontes”, tal como a 5.ª feira de espiga, nos concelhos em que é feriado, a sua antiguidade e especial dignidade entre nós faz desejar que se não perca esse momento, por excelência, em que o sagrado saía do templo e percorria o espaço urbano.
Escolhi o monumento mais emblemático da ourivesaria portuguesa no louvor do Corpo de Deus. Não tem a imponência de outros exemplos, em geral mais tardios, e de que as catedrales do país vizinho têm sempre larga amostra. Mas, quer pela sua concepção, afectando-lhe o Venturoso as páreas de Quíloa, quer pela arte aplicada pelo mestre ourives, fosse ou não entre dois autos, espelha a devoção que nestes tempos vemos remetida para o domingo mais próximo.
Removida a sua função inicial, a custódia reveste-se de outra sacralidade, esta relacionada com os valores do património histórico e artístico. Não há, todavia, que torná-las mutuamente excludentes.
A leitura do património não pode dispensar a luz da funcionalidade primeiramente intuída para aquele bem (diria coisa, mas podia ser mal interpretado…), mesmo que se sobreponha uma nova. Uma pousada instalada num castelo ou mosteiro necessariamente deve preservar a possibilidade de se ler o espaço guerreiro ou monástico nos confortáveis quartos e zonas comuns.
Mas, voltando ao tema principal, laicos ou menos laicos, o primeiro dos “últimos” feriados ou dias santos pode sempre fazer-nos pensar no papel da festa comunitária, aqui chamando à colação o monumental evento que estes dias se tem desenrolado pelas terras de Sua Graciosa Majestade.
sexta-feira, 15 de maio de 2009
A Custódia de Belém, Impressões II.
O Restauro
Fotografia do Público de 09/05/12
A peça foi levada para o Laboratório José de Figueiredo para ser desmontada e fotografada.
No restauro da Custódia Manuelina salientam-se Belmira Maduro que disse ter sido a peça mais complexa que restaurou até hoje, Maria José Oliveira e Isabel Ribeiro.
No restauro da Custódia Manuelina salientam-se Belmira Maduro que disse ter sido a peça mais complexa que restaurou até hoje, Maria José Oliveira e Isabel Ribeiro.
Fotografia do Público, 09/05/12
Os apóstolos, depois de retirados da custódia, foram colocados lado a lado, numa caixa almofadada, embrulhados cuidadosamente, parecendo "peças de xadrez" até serem restaurados.No final, as especialistas revelaram algumas conclusões:
-O ouro utilizado na peça pesa sete quilos;
-O esmalte apresenta seis coloridos diferentes, opacos e translúcidos;
-O viril foi substituído por um novo feito na Marinha Grande com o acompanhamento de dois professores da Universidade Nova de Lisboa.
quinta-feira, 14 de maio de 2009
A Custódia de Belém, Impressões I.
O artigo de Lucinda Canelas agradou-me e levou-me a observar com mais pormenor a Custódia de Belém. Registo aqui algumas impressões e não a sua história porque não tenho possibilidade de consultar fontes primárias.
A data da criação da Custódia remonta ao ano de 1506. A autoria é do dramaturgo Gil Vicente, facto que levantou algumas polémicas, contudo, é consensual a sua aceitação.
O ouro utilizado veio da costa oriental africana, resultante de um tributo de vassalagem (30 marcos de ouro) pago pelo régulo de Quíloa ao rei D. Manuel. O ouro foi trazido por Vasco da Gama no regresso da segunda viagem à Índia, em 1503.
Gil Vicente levou três anos a esculpir a peça. Nela conseguiu exaltar os Descobrimentos Portugueses e o poder de D. Manuel I.
O ouro utilizado veio da costa oriental africana, resultante de um tributo de vassalagem (30 marcos de ouro) pago pelo régulo de Quíloa ao rei D. Manuel. O ouro foi trazido por Vasco da Gama no regresso da segunda viagem à Índia, em 1503.
Gil Vicente levou três anos a esculpir a peça. Nela conseguiu exaltar os Descobrimentos Portugueses e o poder de D. Manuel I.
Corpo central da peça
A Custódia divide-se em três partes distintas:- A base, onde se encaixa a haste, decorada com esferas armilares, divisa de D. Manuel; - O corpo central, onde está o viril destinado à hóstia, rodeado pelos 12 apóstolos;
- Finalmente, o duplo baldaquino do gótico final, marcado pela figura de Deus Pai sentado numa cadeira, segurando também ele uma esfera armilar, e pela pomba que simboliza o Espírito Santo.
Fotografia do Público, 09/05/12
A figura de Deus tem oito centímetros e os apóstolos quatro (como convém, são mais pequenos do que o Pai).
quarta-feira, 13 de maio de 2009
A Custódia de Belém regressa ao Museu de Arte Antiga, após seis meses de restauro!
Li ontem, no Público, um artigo muito interessante sobre o restauro da Custódia de Belém lavrada por Gil Vicente.
Após seis meses de restauro ela regressa ao Museu Nacional de Arte Antiga irá estar exposta a partir de dia 18 de Maio, Dia Internacional dos Museus. Nos próximos dias irei colocar uma pequena história desta magnífica custódia encomendada por D. Manuel I.
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