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segunda-feira, 30 de maio de 2016
Um quadro por dia
Giacomo Balla, Pessimismo Ottimismo , 1925, óleo sobre tela , Museu de Arte Moderna de Milão .
Um dilema sem fim ...
sábado, 28 de março de 2015
sábado, 20 de fevereiro de 2010
Manifesto Futurista!
"Bisogna che il poeta si prodighi, con ardore, sfarzo e munificenza, per aumentare l'entusiastico fervore degli elementi primordiali".
Filippo Tommaso MarinettiManifesto del Futurismo, 20 febbraio 1909
1. Nós queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e da temeridade.
2. A coragem, a audácia, a rebelião serão elementos essenciais de nossa poesia.
3. A literatura exaltou até hoje a imobilidade pensativa, o êxtase, o sono. Nós queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, o passo de corrida, o salto mortal, o bofetão e o soco.
4. Nós afirmamos que a magnificência do mundo se enriqueceu de uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um automóvel de corrida com o seu cofre enfeitado com tubos grossos, semelhantes a serpentes de hálito explosivo… um automóvel rugidor, que parece correr sobre a metralha, é mais bonito que a Vitória de Samotrácia.
(...)
in Lucrécia Ferrara, Arte e Linguagem – Editora perspectiva, 1981 – pag 23.
quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010
1910 - 8

Umberto Boccioni (1882-1916) - Riot in the Cafe
Óleo sobre tela,1910

Umberto Boccioni (1882-1916) - The City Rises
Óleo sobre tela, 1910
Nova Iorque, MOMA
segunda-feira, 9 de março de 2009
Portugal : Longe de tudo
Exposição
Futurismo.
Avanguardia-Avanguadie
http://www.scuderiequirinale.it/canale.asp?id=806
O Manifesto do Futurismo, cujo centenário passou a 19/20 de Fevereiro, já aqui foi invocado.
Paris (Outubro 08 a Janeiro 09), Roma (Fevereiro a Maio de 09) e Londres (Junho a Setembro) mostram a grande exposição comissariada por Didier Ottinger

Giacomo Balla, Bambina che corre sul balcone, 1912,
Galleria d’Arte Moderna, Collezione Grassi, Milano

Giacomo Balla, Bambina che corre sul balcone, 1912,
Galleria d’Arte Moderna, Collezione Grassi, Milano
Outra em Rovereto:
E ainda outra em Milão: FUTURISMO 1909-2009 - VELOCITÀ+ARTE+AZIONE MILANO PALAZZO REALE, 6 FEBBRAIO - 7 GIUGNO 2009
quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009
Uma nova escola poética – o Futurismo
O Futurismo no Jornal de Notícias há 100 anos
«Havia já o Decadentismo, o Simbolismo, o Satanismo, o Naturalismo, para não falarmos de escolas literárias bem distantes ou quase extintas como o Romantismo e mesmo o agonizante Parnasianismo. Hoje aparece-nos uma nova plêiade: a do “Futurismo”.
«O poeta que lança esta nova escola é o director duma revista poética italiana, de Milão: a Poesia. Chama-se Marinetti e tem publicado vários livros de versos em francês e em italiano.
«O título “Futurismo” é bem extraordinário – mas é um título. Não nos agrada sobremaneira, mas é de crer que venha a ter adeptos, como os tem o Naturalismo.
«O chefe da nova escola apresentou já o seu programa.
«Os “futuristas” querem: cantar o amor do perigo, a energia, a temeridade. Os elementos principais da nova escola poética serão a coragem, a audácia e a revolta.
«A literatura até aqui (diz o poeta Marinetti no seu manifesto) tem apenas cantado o êxtase, a imobilidade pensativa, o sono: os “futuristas” querem cantar o salto, a bofetada, o murro, o passo ginástico, o movimento agressivo. Para os novos poetas dessa revolucionária musa do “Futurismo”, um automóvel de corridas vale mais do que as obras-primas do Museu do Louvre ou de Florença ou do Prado.
«Já vêem o que virão a ser os “poemas do futuro”, assinados pelos poetas da novíssima geração!
«Um dos dogmas do novo credo poético do Futurismo é este:
«-Queremos glorificar a guerra, única higiene do mundo – e queremos igualmente glorificar o militarismo, a ideia de pátria, os belos pensamentos, o desprezo pela mulher e, sem esquecer, o gesto destruidor de Ravachol.
«”Queremos destruir pelo fogo todos os museus, todas as bibliotecas, etc.”
«E o manifesto continua no mesmo teor, com os mesmos disparates, fazendo a apologia do crime, da loucura, do bluff, do automobilismo, do jogo de apaches, etc. Ora se isto é a poesia do futuro que nos promete o sr. Marinetti, hão-de convir que antes, mil vezes antes, o mais descabelado romantismo do tempo de Dumas pai, à mistura com Rocambole e outros folhetinistas tétricos.
«Parece-nos que a nova escola poética, o Futurismo, não passa duma blague carnavalesca. Basta ter sido lançada em artigo do Fígaro nas antevésperas de Domingo Gordo*.
Xavier de Carvalho
In: Jornal de Notícias, Porto, 26 Fev. 1909, p. 1
* Em 1909 o Entrudo foi a 23 de Fevereiro. O manifesto saiu no Fígaro a 19 (data de 20) (nota de Pedro da Silveira em O que soubemos logo em 1909 do Futurismo.)
«Havia já o Decadentismo, o Simbolismo, o Satanismo, o Naturalismo, para não falarmos de escolas literárias bem distantes ou quase extintas como o Romantismo e mesmo o agonizante Parnasianismo. Hoje aparece-nos uma nova plêiade: a do “Futurismo”.
«O poeta que lança esta nova escola é o director duma revista poética italiana, de Milão: a Poesia. Chama-se Marinetti e tem publicado vários livros de versos em francês e em italiano.
«O título “Futurismo” é bem extraordinário – mas é um título. Não nos agrada sobremaneira, mas é de crer que venha a ter adeptos, como os tem o Naturalismo.
«O chefe da nova escola apresentou já o seu programa.
«Os “futuristas” querem: cantar o amor do perigo, a energia, a temeridade. Os elementos principais da nova escola poética serão a coragem, a audácia e a revolta.
«A literatura até aqui (diz o poeta Marinetti no seu manifesto) tem apenas cantado o êxtase, a imobilidade pensativa, o sono: os “futuristas” querem cantar o salto, a bofetada, o murro, o passo ginástico, o movimento agressivo. Para os novos poetas dessa revolucionária musa do “Futurismo”, um automóvel de corridas vale mais do que as obras-primas do Museu do Louvre ou de Florença ou do Prado.
«Já vêem o que virão a ser os “poemas do futuro”, assinados pelos poetas da novíssima geração!
«Um dos dogmas do novo credo poético do Futurismo é este:
«-Queremos glorificar a guerra, única higiene do mundo – e queremos igualmente glorificar o militarismo, a ideia de pátria, os belos pensamentos, o desprezo pela mulher e, sem esquecer, o gesto destruidor de Ravachol.
«”Queremos destruir pelo fogo todos os museus, todas as bibliotecas, etc.”
«E o manifesto continua no mesmo teor, com os mesmos disparates, fazendo a apologia do crime, da loucura, do bluff, do automobilismo, do jogo de apaches, etc. Ora se isto é a poesia do futuro que nos promete o sr. Marinetti, hão-de convir que antes, mil vezes antes, o mais descabelado romantismo do tempo de Dumas pai, à mistura com Rocambole e outros folhetinistas tétricos.
«Parece-nos que a nova escola poética, o Futurismo, não passa duma blague carnavalesca. Basta ter sido lançada em artigo do Fígaro nas antevésperas de Domingo Gordo*.
Xavier de Carvalho
In: Jornal de Notícias, Porto, 26 Fev. 1909, p. 1
* Em 1909 o Entrudo foi a 23 de Fevereiro. O manifesto saiu no Fígaro a 19 (data de 20) (nota de Pedro da Silveira em O que soubemos logo em 1909 do Futurismo.)
sexta-feira, 20 de fevereiro de 2009
Primeiro Manifesto do Futurismo
«Foi na Itália que lançámos este manifesto de transtornadora e incendiária violência, com o qual fundamos hoje o Futurismo [...].»

Marinetti apresentou o Manifesto do Futurismo em Milão, no dia 19 de Fevereiro de 1909, sendo nesse dia publicado no jornal parisiense Le Figaro, que saía com data do dia seguinte. Em Portugal, saiu no Diário dos Açores, de Ponta Delgada, em 5 de Agosto do mesmo ano (segundo informação de Pedro da Sileira em O que soubemos logo em 1909 do Futurismo).

«as nossas primeiras vontades:
«1. Queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e da temeridade.
«2. Os elementos essenciais da nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta.
«3. Como a literatura até hoje enalteceu a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, o passo de ginástica, o salto perigoso, a bofetada e o murro.
«4. Declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corridas, com a sua caixa ornamentada por tubagens que parecem grossas serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, com ar de correr sobre metralha, é mais belo do que a Vitória de Samotrácia.
«5. Queremos cantar o homem que agarra no volante com um eixo ideal que atravessa a Terra, ela própria lançada no circuito da sua órbita.
«6. O poeta tem de se multiplicar com calor, centelha e prodigalidade, para aumentar o fervor entusiasta dos elementos primordiais.
«7. Só na luta ainda há beleza. Não existe obra-prima sem um carácter agressivo. A poesia deve ser uma ssalto violento contra as forças desconhecidas, para as intimar a deitar-se perante o homem.
«8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Para que serve olhar para trás de nós, desde que tenhamos de forçar os batentes misteriosos do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Já vivemos no absoluto, uma vez que já criámos a eterna e omnipresente velocidade.
«9. Queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas Ideias que matam, o desprezo pela Mulher.
«10. Queremos demolir os museus, as bibliotecas, combater o moralismo e todas as cobardias oportunistas e utilitárias.
«11. Vamos cantar as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer e pela revolta; as ressacas multicolores e polifónicas das revoluções nas capitais modernas; a vibração noturna dos arsenais e dos estaleiros sob as suas violentas luas eléctricas; as estações gulosas, engolidoras de serpentes que fumegam; as oficinas penduradas nas nuvens pelos cordéis dos seus fumos; as pontes com saltos de ginasta lançadas sobre a cutilaria diabólica dos rios soalheiros; oa paquetes aventureiros que farejam o horizonte; as locomotivas de grande peitoril que campeiam nos carris como enormes cavalos de aço com longos tibos a afzer de rédeas, e o deslizante voo dos aeroplanos cujo hélice dá estalos de bandeira e tem aplausos de multidão entusiasta.» (Primeiro Manifesto do Futurismo)
In: F.T. Marinetti - O Futurismo. Lisboa: Hiena, 1995
Este centenário vai ser celebrado em Milão:

Ver em: http://www.stelline.it/01_calendario_evento.asp?IDAttivita=49

Marinetti apresentou o Manifesto do Futurismo em Milão, no dia 19 de Fevereiro de 1909, sendo nesse dia publicado no jornal parisiense Le Figaro, que saía com data do dia seguinte. Em Portugal, saiu no Diário dos Açores, de Ponta Delgada, em 5 de Agosto do mesmo ano (segundo informação de Pedro da Sileira em O que soubemos logo em 1909 do Futurismo).

«as nossas primeiras vontades:
«1. Queremos cantar o amor ao perigo, o hábito da energia e da temeridade.
«2. Os elementos essenciais da nossa poesia serão a coragem, a audácia e a revolta.
«3. Como a literatura até hoje enalteceu a imobilidade pensativa, o êxtase e o sono, queremos exaltar o movimento agressivo, a insónia febril, o passo de ginástica, o salto perigoso, a bofetada e o murro.
«4. Declaramos que o esplendor do mundo se enriqueceu com uma beleza nova: a beleza da velocidade. Um carro de corridas, com a sua caixa ornamentada por tubagens que parecem grossas serpentes de hálito explosivo... um automóvel rugidor, com ar de correr sobre metralha, é mais belo do que a Vitória de Samotrácia.
«5. Queremos cantar o homem que agarra no volante com um eixo ideal que atravessa a Terra, ela própria lançada no circuito da sua órbita.
«6. O poeta tem de se multiplicar com calor, centelha e prodigalidade, para aumentar o fervor entusiasta dos elementos primordiais.
«7. Só na luta ainda há beleza. Não existe obra-prima sem um carácter agressivo. A poesia deve ser uma ssalto violento contra as forças desconhecidas, para as intimar a deitar-se perante o homem.
«8. Estamos no promontório extremo dos séculos!... Para que serve olhar para trás de nós, desde que tenhamos de forçar os batentes misteriosos do Impossível? O Tempo e o Espaço morreram ontem. Já vivemos no absoluto, uma vez que já criámos a eterna e omnipresente velocidade.
«9. Queremos glorificar a guerra - única higiene do mundo -, o militarismo, o patriotismo, o gesto destruidor dos anarquistas, as belas Ideias que matam, o desprezo pela Mulher.
«10. Queremos demolir os museus, as bibliotecas, combater o moralismo e todas as cobardias oportunistas e utilitárias.
«11. Vamos cantar as grandes multidões agitadas pelo trabalho, pelo prazer e pela revolta; as ressacas multicolores e polifónicas das revoluções nas capitais modernas; a vibração noturna dos arsenais e dos estaleiros sob as suas violentas luas eléctricas; as estações gulosas, engolidoras de serpentes que fumegam; as oficinas penduradas nas nuvens pelos cordéis dos seus fumos; as pontes com saltos de ginasta lançadas sobre a cutilaria diabólica dos rios soalheiros; oa paquetes aventureiros que farejam o horizonte; as locomotivas de grande peitoril que campeiam nos carris como enormes cavalos de aço com longos tibos a afzer de rédeas, e o deslizante voo dos aeroplanos cujo hélice dá estalos de bandeira e tem aplausos de multidão entusiasta.» (Primeiro Manifesto do Futurismo)
In: F.T. Marinetti - O Futurismo. Lisboa: Hiena, 1995
Este centenário vai ser celebrado em Milão:

Ver em: http://www.stelline.it/01_calendario_evento.asp?IDAttivita=49
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