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sábado, 18 de dezembro de 2021

Marcadores de livros - 2063

Três dos marcadores que acompanham este Natal os livros comprados na Bertrand. Em baixo, o reverso (em que só varia a cor) de um deles.


quinta-feira, 8 de agosto de 2013

Citações



(...) É difícil vermo-nos a nós próprios, sei bem. Falta a perspectiva da distância, os espelhos distorcem, o rosto com que nos olham está sempre tingido pela cor que trazem por dentro. É também por isso que me faz tanta falta o meu lugar. Sem ele, talvez acreditasse no primeiro reflexo que me apresentassem. Sem ele, talvez dependesse desses humores para imaginar quem sou.
Assim, estou preparado para atravessar o mundo inteiro. E, se mais mundo houver, mais mundo será tocado pela minha pele. Mi-nha pe-le, palavras pronunciadas sílaba a sílaba. E nenhum continente é demasiado grande ou demasiado estreito para me impedir de atravessá-lo. E nenhum detetor de metais conseguirá identificar o tamanho e os ângulos do lugar que levo comigo: amor. Repito: amor.

Eu tenho um lugar. Por isso, nunca me perco no mundo imenso. (...)

- José Luís Peixoto, na VISÃO desta semana.

segunda-feira, 1 de junho de 2009

José Luís Peixoto!

"mãe, cada palavra que me ensinaste repete mil
vezes o teu nome."
x
José Luís Peixoto, in A alma não é Pequena, 100 poemas portugueses pt p sms, V.N. Famalicão: Centro Atlantico.PT, 2009, p.126.

sexta-feira, 16 de janeiro de 2009

Cuidados para 2009

" Ninguém tem autorização para exibir um pingo de alegria em 2009. A economia é um assunto sério e ninguém, com a sempre presente excepção dos loucos inimputáveis, pode demonstrar um sorriso mínimo. 2009 será um ano para passar de portas fechadas, janelas fechadas, debaixo da cama. Estamos em Janeiro, tomemos fôlego.
Em 2009, não será tolerada a audição de ritmos demasiado dançantes, nem o uso de roupas demasiado garridas. Desaconselha-se o consumo de bebidas doces. Quem se apaixonar ao longo do ano de 2009 terá de assumir as completas responsabilidades desse risco.
O Governo não poderá ser acusado, seja de que forma for, desse possível fracasso. Estamos perante uma conjuntura internacional, que transcende largamente a acção de qualquer governo, e que apenas pode ser discutida em linguagem incompreensível. (...)
2009 será um ano cinzento. Quem engravidar no primeiro trimestre deste ano, deverá tentar encolher-se até, pelo menos, 2010. Uma vez que as previsões apontam para a continuidade da recessão também no próximo ano, o aconselhável será evitar essa situação em absoluto. (...) "

- José Luís Peixoto, Um seis de cabeça para baixo, in VISÃO de 15 de Janeiro de 2009.

domingo, 20 de julho de 2008

José Luís Peixoto

José Luís Peixoto é um autor Português, nascido em Galveias, Portalegre, em Setembro de 1974, que se destaca na prosa e na poesia. O seu primeiro romance, "Nenhum Olhar", foi publicado em 2000 e recebeu o Prémio Literário José Saramago (foi referenciado há uns tempos pela "Monocle" como uma obra a ler). Em 2001, a primeira publicação de poesia com "A Criança em Ruínas". Em 2002, publica "Uma Casa na Escuridão" em prosa e o acompanhante "A Casa, a Escuridão" em poesia. Em 2006, "Cemitério de Pianos" trasladou os leitores para Benfica; em 2007, "Cal" foi uma das minhas últimas leituras em Portugal: narra a participação de um português na maratona dos Jogos Olímpicos de 1912, ao som e ritmo do que passa pela cabeça do atleta enquanto corre a prova, com outras narrativas em paralelo. De todas as suas obras, "Morreste-me" foi a que mais me marcou, pela inevitabilidade e a emoção passadas a papel. Autor de letras para música e dramaturgo, o seu "Quando o Inverno Chegar" foi encenado no São Luís; curiosamente, no dia em que fui a sala estava meio cheia, seria por não se saber? Talvez. Reparei recentemente que publicou uma nova obra de poesia, "Gaveta de Papéis"; fico na expectativa de a ler.
Temas recorrentes na sua obra incluem a secura da paisagem alentejana, a morte, a solidão, o resurgimento da vida, a generosidade. O fantástico é outra das ferramentas que usa habilmente. Uma das grandes virtudes que retiro da leitura das suas obras é, a meu ver, a grata redescoberta da riqueza e unicidade do português enquanto forma de expressão. Não trouxe nenhum dos seus livros comigo. Agora, tenho pena.