Prosimetron

Prosimetron
Mostrar mensagens com a etiqueta Luís de Araújo (1833-1908). Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Luís de Araújo (1833-1908). Mostrar todas as mensagens

domingo, 21 de julho de 2013

Soneto do comilão


A invenção mais rica e adorada,
Ao vosso relatório aqui ajunto
Foi descobrir-se que o belo presunto,
É fazenda p'ra deitar-se na dobrada.

Uma bela e valente caldeirada,
Com manteiga de vaca e não com unto,
Olhe lá, general, mais esta ajunto,
É invenção por Deus abençoada.

Mãozinhas de carneiro com tomates,
Um pato com arroz, lulas eirozes,
Se é capaz chame a isto disparates.

De beber belo vinho só tu trates,
E escuta-me agora as minhas vozes,
Mata a fome toleirão - gente não mates.

Luís de Araújo
In: Novo Almocreve das Petas. 2.ª ed. Lisboa: Joaquim José Bordalo, 1879, t. 1, p. 206
Em geminação com o Arpose que hoje tem um post sobre o almanaque de José Daniel Rodrigues da Costa, que inspirou Luís de Araújo a escrever este.

sábado, 25 de julho de 2009

Contra o bacalhau!


Ofereceram-me este livro que já me aguçou o apetite. Atenção, adoro bacalhau mas achei este excerto uma delícia, até porque irei passar uma semana a saborear a cozinha inglesa...e já ouvi dizer muito mal!
Contra o bacalhau

Aludem a um inglês a seguinte cantiga, que eu creio piamente que é cantiga; porque os ingleses são uns apaixonadíssimos e defensores do bacalhau. Mas vai a tal cantata.

Quando tome o meu cerveje,
Quando come o meu petisca,
Não me lembra esse marisca
Que se come in Portugal,
E esse peixe sem cabeço
Que lá vem de Terre-nova,
É comer muito fatal.
Pois antes Rosbeeff,
Parmeson que tenha sal,
Come a genta e come muita
Come muita e não faz mal!

Almanaque de Luiz de Araújo para o ano de 1889, Lisboa, A. 18 (1888), pp 29-30.

Luís de Araújo, Viva a Independência da Barriga, selecção de textos e apresentação de Manuela Rêgo, Lisboa: Compendium, 1996, p. 54