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terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

Uma voz incómoda

Ouvi-a ontem no telejornal da SIC-Notícias, entrevistada pelo Mário Crespo a propósito das escutas publicadas pelo Sol. Continua destemida, embora se perceba que as ameaças que vem sofrendo, desde o processo Casa Pia, fizeram alguma mossa.
Instada por Crespo sobre se havia mais material para publicar, respondeu: " Há mais e muito mau". Ou é marketing para vender o jornal onde trabalha ou isto promete...

sexta-feira, 5 de fevereiro de 2010

O mistério da "senhora muito culta"

Não me interessa o debate conversa pública/conversa privada, nem os limites do direito à privacidade dos governantes, sendo certo que um político experimentado como José Sócrates não pode desconhecer que falar alto num restaurante não garante a privacidade de tal conversa nem aqui nem na Coreia do Norte.
O que me está a "morder" é saber quem foi a fonte do Mário Crespo. Quem foi a "senhora muito culta" que estava também a almoçar no restaurante do Hotel Tivoli e ouviu os "desabafos" de Sócrates sobre Mário Crespo quando passaram pela mesa "governamental" Nuno Santos e Bárbara Guimarães. É mesmo caso para dizer cherchez la femme...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Os 10% de Mário Crespo

Imaginem


Imaginem que todos os gestores públicos das setenta e sete empresas do Estado decidiam voluntariamente baixar os seus vencimentos e prémios em dez por cento. Imaginem que decidiam fazer isso independentemente dos resultados.

Se os resultados fossem bons as reduções contribuíam para a produtividade. Se fossem maus ajudavam em muito na recuperação. Imaginem que os gestores públicos optavam por carros dez por cento mais baratos e que reduziam as suas dotações de combustível em dez por cento.

Imaginem que as suas despesas de representação diminuíam dez por cento também. Que retiravam dez por cento ao que debitam regularmente nos cartões de crédito das empresas. Imaginem ainda que os carros pagos pelo Estado para funções do Estado tinham ESTADO escrito na porta. Imaginem que só eram usados em funções do Estado.

Imaginem que dispensavam dez por cento dos assessores e consultores e passavam a utilizar a prata da casa para o serviço público. Imaginem que gastavam dez por cento menos em pacotes de rescisão para quem trabalha e não se quer reformar.

Imaginem que os gestores públicos do passado, que são os pensionistas milionários do presente, se inspiravam nisto e aceitavam uma redução de dez por cento nas suas pensões. Em todas as suas pensões. Eles acumulam várias. Não era nada de muito dramático. Ainda ficavam, todos, muito acima dos mil contos por mês.

Imaginem que o faziam, por ética ou por vergonha. Imaginem que o faziam por consciência. Imaginem o efeito que isto teria no défice das contas públicas. Imaginem os postos de trabalho que se mantinham e os que se criavam.

Imaginem os lugares a aumentar nas faculdades, nas escolas, nas creches e nos lares. Imaginem este dinheiro a ser usado em tribunais para reduzir dez por cento o tempo de espera por uma sentença. Ou no posto de saúde para esperarmos menos dez por cento do tempo por uma consulta ou por uma operação às cataratas.

Imaginem remédios dez por cento mais baratos. Imaginem dentistas incluídos no serviço nacional de saúde. Imaginem a segurança que os municípios podiam comprar com esses dinheiros. Imaginem uma Polícia dez por cento mais bem paga, dez por cento mais bem equipada e mais motivada. Imaginem as pensões que se podiam actualizar. Imaginem todo esse dinheiro bem gerido. Imaginem IRC, IRS e IVA a descerem dez por cento também e a economia a soltar-se à velocidade de mais dez por cento em fábricas, lojas, ateliers, teatros, cinemas, estúdios, cafés, restaurantes e jardins.

Imaginem que o inédito acto de gestão de Fernando Pinto, da TAP, de baixar dez por cento as remunerações do seu Conselho de Administração nesta altura de crise na TAP, no país e no Mundo é seguido pelas outras setenta e sete empresas públicas em Portugal. Imaginem que a histórica decisão de Fernando Pinto de reduzir em dez por cento os prémios de gestão, independentemente dos resultados serem bons ou maus, é seguida pelas outras empresas públicas.

Imaginem que é seguida por aquelas que distribuem prémios quando dão prejuízo. Imaginem que país podíamos ser se o fizéssemos. Imaginem que país seremos se não o fizermos.

Mário Crespo