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quarta-feira, 14 de junho de 2023

Mário Henrique Leiria: «Continuo a ser aquilo que ninguém espera»

Foto Carlos Vidigal.

No centenário do nascimento de Mário Henrique Leiria visite a mostra que a Biblioteca Nacional lhe consagra até 18 de agosto. 

Gosto muito deste autorretrato de Mário Henrique Leiria, um pouco inspirado num quadro influenciado pelo quarto de Van Gogh.


domingo, 22 de janeiro de 2012

Canção da manhã


como os estranhos pássaros nascidos em tua boca
como os rios que te correm entre os olhos
como as esmeraldas que formam as asas dos teus ombros
como os longos ramos da árvore de sono do teu braço
como o grande espaço em que o teu corpo repousa
deitado na tua própria mão
como a tua sombra idêntica à nuvem
que se encontra no mar

assim é a presença que de ti tenho
nas noites em que o fogo se acende
nas montanhas longínquas e fulgurantes
quando os meus passos me projetam
para os mais elevados cumes solitários
quando o sangue canta
através do aço vibrante do meu corpo
levando-me ao longo do caminho de flores rubras
que tu plantaste

assim é o desejo de te encontrar
nascida nas minhas mãos
erguida como torre de catedral perdida
envolta na minha boca
caminhando comigo
pela estrada que nossos pés abrirão triunfantes

Deixa que eu quebre tudo que tenho e que terei
tudo o que é de todos e que só a mim pertence
deixa-me quebrar o cavalo que me deste
na noite do nosso primeiro encontro
deixa-me partir a bola o cão o espaço
deixa-me quebrar a minha casa e a minha cama
a minha única cama…
não quero que me contem a aventura
nem que me dêem almofadas
não quero que me ofereçam sombras
só por mim construídas e logo abandonadas
nem sequer esquinas de ruas
não quero a vida
sei claramente que não a quero
a não ser que ela esteja partida quebrada
quebrada por mim e por ti

e a minha infância
essa dou-ta
inteira muito longa e cruel
deixa que dela me fique apenas
essa crueldade
e que nela só eu siga
ignorando o que me deste
e que
martelo ou pedra
eu continue partindo quebrando
esfacelando dilacerando
o teu corpo que já não está ao meu alcance

deixa-me ser anatomicamente autêntico
sem erro
sangrando
perdido para sempre

Mário-Henrique Leiria

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

Marcadores - 18


Um marcador anunciando duas exposições na Leya Barata, na Av. de Roma. Coloquei-o pela exposição dedicada ao Surrealismo, que abre no dia 3 de Dezembro às 21h30.

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Esclarecimento, Mário-Henrique Leiria.

Quando estamos cansados
deitamos o corpo
e adormecemos

às vezes não

procuramos outra mão
outros olhos
que nos limpem a fadiga
e evitem o sono
que nos vem antigo

quando estamos cansados
podemos erguer o corpo
e acordar
e morrer acordados
sem cansaço

Mário Henrique Leiria, Novos Contos do Gin, seguidos de algumas Fábulas do Próximo Futuro, Lisboa: Editorial Estampa, 1978, p. 65

terça-feira, 12 de maio de 2009

domingo, 10 de maio de 2009

O quarto de Van Gogh


Van Gogh – O quarto de Van Gogh em Arles
Óleo sobre tela, 1888


Van Gogh – O quarto de Van Gogh em Arles
Óleo sobre tela, 1889
Paris, Museu d’Orsay


Lisboa, col. do artista


Mário Henrique Leiria – Quarto
Óleo sobre tela
Famalicão, Fund. Cupertino de Miranda


Roy Lichtenstein - Chambre à Arles, 1992

Um dia destes lembrei-me do quarto de Van Gogh em Arles e de uma série de artistas que se inspiraram nessa pintura. Aqui fica uma amostragem.