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quinta-feira, 6 de fevereiro de 2014

Na eira dos pardais


Vale do Mondego

Na eira dos pardais

Esperou sentada
Junto à janela que se abria
Em duas portadas.
Olhava para além da linha
Do horizonte
E desenhava no limbo do coração
O voo dos pardais
Que não tardariam em chegar.
Era o seu único voo, afinal.
Levava-a à terra onde nascera,
Onde deixara o vigor de ser,
Regressando com lágrimas
Rastejando no rosto
E mágoas sufocando o coração.
Os pardais regressaram
Em bando desamarrado,
Solto, livre...
E ela suspirou uma e outra vez,
Esgueirando um sorriso supremo.
Deixou-nos levar.

Maria José Carvalho Areal, Na Eira dos Pardais, contos. Lisboa: Chiado Editora, 2013

Agradeço à Cláudia, da Livraria Lumière que me enviou este livro com a assinatura e dedicatória da autora.:))

Este poema veio de algum modo apaziguar a nostalgia causada por tanta chuva e dias tão cinzentos. Quem me dera que viesse o tempo dos pardais.
Boa noite!