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segunda-feira, 18 de setembro de 2023

Livro e marcador - 78

Foto da Maria.

Um livro de crónicas que Maria Judite de Carvalho escreveu para o suplemento «Mulheres» do Diário de Lisboa. A edição que tenho é da Caminho.

Marcadores de livros - 2785

Um postal da trad. espanhola de Os armários vazios de Maria Judite de Carvalho. Gosto bastante desta capa e muito desta escritora.
Marcadores de edições portuguesas aquiaqui e aqui.

Mais uns marcadores da Errata Naturae:


Para Justa. E Maria Luisa que gosta dos livros de Maria Judite de Carvalho.

domingo, 18 de setembro de 2022

Livro e marcador - 11

Uma capa e um marcador-postal. 
Foto Maria.

Maria Judite de Carvalho nasceu há 101 anos. 
Ver outros marcadores-postais aqui.

quarta-feira, 18 de setembro de 2019

Marcadores de livros - 1437

Marcadores em forma de postal na reedição das obras de Maria Judite de Carvalho. Gosto muito dos contos e crónicas desta escritora que «Foi ao fundo do universo feminino para o devolver em toda a complexidade» (Isabel Lucas, Público, 25 maio 2018).

sábado, 17 de novembro de 2012

Em geminação com o Arpose: «Castanhas assadas»

 Alguém andava à procura na net da crónica de Maria Judite de Carvalho «Castanhas assadas», e foi parar ao Arpose. A referida crónica saiu no Diário de Lisboa em 13 nov. 1968 e foi coligida, por Ruth Navas e José Manuel Esteves, na antologia Este tempo (p. 77-78). Aqui fica.

http://sm1.imgs.sapo.pt/mb/x/J/5/O/NH8sRc4vzrEu,hJcT7EsnzM_.jpg

Castanhas assadas

O velho vendedor desta tarde, ali à esquina da rua, lembrou-me outro, lá longe, no passado de uma cidade diferente, esse diluído não só em tempo ou em bruma mas também num fumo aromático que não aquecia, fumo frio, talvez, e que atravessava ossos porosos que existiam, que estavam ali dentro de mim, um pouco arrepiados também. Eu passava todos os dias pelo homem, que usava boina e samarra, talvez fosse espanhol, já não me lembro, e detinha-me sempre para comprar o eterno cartucho de castanhas, que logo metia, em partes iguais, nos bolsos já largueirões do casaco, deixando ficar as mãos naquele leve, apesar disso reconfortante calor. Cá fora havia nevoeiro, ou então um espesso teto de nuvens baças separava-nos da estrela da vida, que desaparecera do nosso convívio há muito tempo. E eu, mesmo sem querer, mesmo pensando que isso era impossível, não a imaginava lá em cima mas muito longe, para o sul,  aquecendo e iluminando a  minha terra. Fazia o resto do percurso devagar, ia aproveitando aquela sensação tão doce. Quando chegava ao hotel tinha as mãos enfarruscadas e as castanhas estavam quase frias, mas paciência, comia-as mesmo assim.
Hoje, aqui, não comprei castanhas ao velho vendedor. Hoje, aqui, não quero sujar as mãos e, de resto, o casaco não tem bolsos. Hoje, aqui, ainda não faz frio e o Sol é sedentário e amigo, mora lá em cima, nunca anda muito tempo a viajar. Ou brilha ou brilhou ou vai brilhar um dia destes, talvez amanhã. O fumo também nunca chega a ser névoa e as castanhas têm outro sabor. Nem melhor nem pior. Um sabor diferente.

Maria Judite de Carvalho

Lisboa: Caminho, 1991