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segunda-feira, 11 de maio de 2009

Conversa, João Pedro Mésseder.


Conversa

- Dá-me a Lua, mãe, dá-me a Lua.
- Filho, a Lua está longe.

-Leva-me à nuvem mais alta.
- Filho, há nuvens nos sonhos.

- Mãe, dá-me um dia sem chuva.
- Filho, tem pena da terra.

- Leva-me ao cimo do monte.
- Filho, o caminho é de pedras.

- Mãe, dá-me aquela andorinha.
- Filho, não a queiras prender.

- Leva-me ao fim do mar.
- Filho, o mar não tem fim.

- Mãe. Eu queria uma estrada,
uma estrela e um cavalo.

- Filho, mas não te canses,
não te queimes, não te percas.

- Mãe, dá-me o negro do negro
que é a tinta dos teus olhos.

- Filho, os teus olhos são negros
como o negro dos meus olhos.

João Pedro Mésseder, in Conto estrelas em ti, 17 poetas escrevem para a infância, Coordenação José António Gomes, Porto: Campo das Letras, 2000, p.12.

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Onde está o Gato?, Luísa Ducla Soares.

O nonsense do poema de Luísa Ducla Soares agrada-me imenso, daí esta minha escolha:

ONDE ESTÁ O GATO?

Os burros tocam viola.
Os ratos varrem a rua,
As meninas usam barba,
Eu vivo sempre na lua.

Os carapaus têm lã,
As galinhas têm espinhas,
As vacas coca-cola
E chocolates as vinhas.

Os gatos calçam sapatos,
Olha a trança das serpentes,
As moscas falam francês,
Os galos lavam os dentes.

As casas voam no ar,
As nuvens dormem no chão,
Os olhos fazem chichi
E crescem rosas na mão.

Miúdo que estás a ouvir-me,
Pois tens orelhas de rã,
Diz lá o que está errado
Ou faço queixa à mamã.

Luísa Ducla Soares, in Conto estrelas em ti, 17 poetas escrevem para a infância, Coordenação José António Gomes, Porto: Campo das Letras, 2000, p. 8.