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terça-feira, 23 de julho de 2024

Adivinhas e anedotas

Porto: Domingos Barreira, s.d.
Lisboa: Livr. Barateira, s.d.

Dois dos livros de adivinhas e anedotas que tive. Também tive outros, parece-me que da Minerva editora, e li um com adivinhas coligidas por Viegas Guerreiro que havia lá em casa. Mal eu sabia, na época, que a Etnografia portuguesa de Leite de Vasconcelos está cheia destas 'preciosidades'.
Os miúdos gostam muito destes livros. Ofereci muitos da Luísa Ducla Soares que fez umas boas recolhas de adivinhas, piadas e lenga-lengas.

Houve um lapso. Este post era para sair daqui a uns dias quando apresentar uns marcadores sobre piadas. Paciência: ficam separados.

quinta-feira, 11 de junho de 2020

Luísa Ducla Soares - 50 anos de vida literária


«No ano em que assinala 50 anos de vida literária, Luísa Ducla Soares abre-nos a porta da sua intimidade ao recordar neste livro momentos da sua vida e da sua carreira que irão fazer as delícias de todos os seus leitores – crianças e não só! 
«Através de histórias, ilustrações e fotografias, ficamos a conhecer Luísa: a criança, a jovem, a mãe, a avó e a escritora. Não são, naturalmente, esquecidos os mais novos, inspiradores e destinatários de grande parte da sua obra.» (Do site da Porto Editora.)
Ainda não vi o livro que foi ontem posto à venda. Mas vou lê-lo.
Há duas espécies de escritores para crianças detestáveis: os que querem dar lições e os que os tratam como idiotas. Pela minha experiência, Luísa Ducla Soares é uma das escritoras mais apreciadas pelos miúdos. Escreve com humor, tratando-os como pessoas.

sábado, 5 de novembro de 2016

Dois livros de Luísa Ducla Soares

Lisboa: Livros Horizonte, 2016

O que têm em comum um rapaz com a mania dos efes, uma velhinha que procura companhia, um rapaz triste que encontra uma rapariga alegre e um senhor que só tem um cabelo? Estão todos num dos novos livros de Luísa Ducla Soares, iIustrado por Natalina Cóias, que contém histórias inéditas («A Velhinha Solitária», «O Rapaz Triste, a Rapariga Alegre», e «O Cabelo do Senhor Capelo») e o divertido conto «O Fulano do F».

Sesimbra: Canto das Cores, 2016


terça-feira, 13 de setembro de 2016

A história da Menina do Capuchinho Vermelho, segundo Roald Dahl



«Como estou farto de fazer de bobo!»
Disse, cheio de fome, o senhor lobo.
«Há quatro dias que não trinco osso,
A avozinha vai ser o meu almoço.»
Quando a avozinha lhe abriu a porta
Com o susto tremeu e, meia morta,
Fitou aqueles dentes a brilhar.
«Ai, que o malvado me quer devorar!»
A pobre senhora tinha razão
Porque ele a comeu com sofreguidão.
A avozinha era pequena e dura,
O almoço não foi uma fartura.
«Ai, estou com uma fome aterradora,
Pronto para comer outra senhora.»
Foi procurar petiscos na cozinha
Mas nada para roer o bicho tinha.
«Vou-me sentar no colchão de folhelho
À espera do Capuchinho Vermelho.»
Disse o lobo enquanto se vestia
Com as roupas que por ali havia.
Saia de seda, botas de verniz,
Chapéu de veludo foi o que quis.
Escovou o pelo, as garras pintou,
Bem disfarçado assim se sentou.
Um pouco depois, em passo apressado,
A moça chegou, toda de encarnado.

***

«Ó minha avozinha, quero saber,
As tuas orelhas estão a crescer?»
«Sim, minha neta, para melhor te ouvir.»
«Que grandes olhos tens, querida avó»,
Disse a menina cheia de dó.
«São para melhor te ver», disse o lobo
E pôs-se a pensar: «Não sou nenhum bobo,
Esta bela menina vou papar,
Que bom petisco para o meu jantar.
Vai saber-me que nem um pão de ló,
Não é velha nem dura como a avó.»
«Mas avozinha», disse a menina,
Tens um casaco de pele tão fina.»
«Não», disse o lobo, «Deves perguntar
por que são meus dentes de espantar.
Bem, digas tu o que disseres
Como-te sem prato nem talheres.»
A menina sorriu. Da camisola
Sacou de imediato uma pistola
E com uma certeira pontaria
Pum, pum, pum, aquele lobo morria.

***

Passaram os dias, passou um mês,
Vi a menina no bosque outra vez,
Mas sem o capuz, sem capa encarnada,
Toda diferente, toda mudada.
Sorrindo me explicou: «Daquele bobo
Fiz este casaco de pele de lobo».

Trad. de Luísa Ducla Soares

Roald Dahl faria hoje 100 anos.

quarta-feira, 31 de julho de 2013

Leituras no Metro - 137

Lisboa: Soregra, 2013

De vez em quando, leio uns livros infantis. Este, que se destina aos 'infantes', li-o ontem no Metro.
Para além da tradicional história do macaco do rabo cortado, contada em verso por Luísa Ducla Soares, o livro tem no final uma recolha de lengalengas com macacos, como esta:

Tenho um macaco
Dentro dum saco.
Não sei que lhe diga,
Não sei que lhe faça,
Dou-lhe um pau,
Diz que é mau,
Dou-lhe um osso,
Diz que é grosso,
Dou-lhe um chouriço:
Isso, isso!

Uma edição bem ilustrada por Raquel Pinheiro.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Grimm no Google

O Google assinala hoje os 200 anos da publicação dos Contos da Infância e da Família dos Irmãos Grimm, com A história do Capuchinho Vermelho.
Os Contos da Infância e da Família foram este ano publicados, pela primeira na íntegra, com o título de Contos da Infância e do Lar (Lisboa: Temas e Debates, 2012, 3 vols).

Algumas edições disponíveis do Capuchinho Vermelho:
Barcarena: Presença, 2010

Uma adaptação livre de Luísa Ducla Soares:

E um livro de histórias inspirado no conto dos irmãos Grimm, com algumas nada infantis.

sábado, 6 de outubro de 2012

Leituras no Metro - 108

Luísa Ducla Soares - Lendas e romances / il. Ana Cristina Completo. Sesimbra: Oficina Canto das Cores, 2012
Com um cd com músicas de Daniel Completo.

EL-REI DOM SEBASTIÃO

Em Alcácer, em Agosto,
era seco, seco o chão,
agora tem rios vermelhos
de golpes no coração.

Brilham adagas e lanças,
troa no ar o canhão,
há uma nuvem de areia
que parece de assombração.

Avançam os três reis mouros
sobre o luso batalhão,
caem cavalos e homens,
levados num turbilhão.

O nosso rei é tão louro,
louro como o Sol de Verão,
e não há outro tão esbelto
em todo o mundo cristão.

Onde está, onde está, onde está, El-rei Dom Sebastião?

Nem entre vivos nem mortos
ali o encontrarão,
que não se rende nem morre
quem vive duma paixão.

Há-de voltar num veleiro
a cais da sua nação, 
num dia de nevoeiro,
el-rei Dom Sebastião.

domingo, 14 de agosto de 2011

Mais um livro de Luísa Ducla Soares


Porto: Civilização, 2011
Capa e contracapa do novo livro e Luísa Ducla Soares. Muito divertido. Bom para as férias dos mais pequenos.

sábado, 2 de abril de 2011

Quotidianos - 63


William St. John Harper (1851-1910) - Children's hour, 1886

E porque não ler este livro?

Porto: Civilização, 2011
€11,50
«Eram três porquinhos redondos e cor-de-rosa. Tão lindos! Mas infelizmente porquinhos mais porcos não havia. Faziam chichi no chão, entornavam sopa na cama, largavam bolotas pela sala e, quando os mandavam tomar banho, chafurdavam na lama.
«Naquela casa não se podia com o mau cheiro nem com as moscas varejeiras, que pousavam no lixo que eles traziam para brincar.»
Assim começa o novo livro de Luísa Ducla Soares, uma versão libérrima da história tradicional homónima.

sexta-feira, 16 de julho de 2010

O Burro de Buridan


Porto: Civilização, 2010
«Era uma vez um filósofo chamado Buridan.
«- Mas que vem a ser um filósofo? - perguntam vocês.
«- É um homem cuja profissão é pensar.
«Pensa, pensa, pensa... e ensina os outros a pensar.
«O nosso filósofo tinha um burro, que pensava pouco e carregava muito, como em geral acontece com os burros. [...]»
Assim começa o novo livro de Luísa Ducla Soares.

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Bichinho gato... - 2


Bichinho gato,
que comeste tu?
Sopinhas de leite
E peixe cru.
Bichinho gato,
que dizes tu?
Miau, miau,
fu, fu, fu, fu.
Bichinho gato,
Que vestes tu?
Detesto roupa,
Só ando nu.

Luísa Ducla Soares
In: Arca de Noé. Lisboa: Livros Horizonte, 1999

segunda-feira, 20 de julho de 2009

Parabéns, Luísa Ducla Soares!

Por dois novos livros e porque faz hoje anos.


Porto: Civilização, 2009
€11,00

Neste livro, Luísa Ducla Soares conta de uma outra maneira a fábula de La Fontaine, A Cigarra e a Formiga. A Cigarra mandriona e foliona é também uma grande artista, que não trabalha porque só consegue olhar e sentir a Natureza que a rodeia.


Porto: Civilização, 2009
€15,00

O canto da vaca, do cavalo e da galinha é a quinta do Tio Zé, o canto da lagartixa é uma pedra quente ao sol, o canto da Joaninha é a rosa onde se acolhe, o canto do caracol é a casca dura que leva sempre com ele. Mas qual é o canto das gaivotas do Porto? E qual é o canto que faz o pombinho correio? E o hamster? E que canto canta a cobra?
www.civilizacao.pt

segunda-feira, 11 de maio de 2009

Uma quadra de Luísa Ducla Soares!

http://dre.madeira-edu.pt/baudeleitura/images/storiesluisa.jpg

Dar o seu a seu dono!

Em jeito de rectificação. Publiquei o poema ONDE ESTÁ O GATO? E por engano atribuí a António da Mota. O poema é de Luísa Ducla Soares e é retirado do livro que referenciei:

Conto estrelas em ti, 17 poetas escrevem para a infância, Coordenação José António Gomes, Porto: Campo das Letras, 2000, p. 8.

Esta quadra foi retirada dos Poemas da Mentira e da Verdade de Luísa Ducla Soares

Peguei na Serra da Estrela
para serrar uma cadeira
e apanhei um nevão
numa serra de madeira.

Para ler o poema na totalidade veja:
http://coisasdoportugues.wordpress.com/2008/11/02/peguei-na-serra-da-estrela/

sexta-feira, 8 de maio de 2009

Onde está o Gato?, Luísa Ducla Soares.

O nonsense do poema de Luísa Ducla Soares agrada-me imenso, daí esta minha escolha:

ONDE ESTÁ O GATO?

Os burros tocam viola.
Os ratos varrem a rua,
As meninas usam barba,
Eu vivo sempre na lua.

Os carapaus têm lã,
As galinhas têm espinhas,
As vacas coca-cola
E chocolates as vinhas.

Os gatos calçam sapatos,
Olha a trança das serpentes,
As moscas falam francês,
Os galos lavam os dentes.

As casas voam no ar,
As nuvens dormem no chão,
Os olhos fazem chichi
E crescem rosas na mão.

Miúdo que estás a ouvir-me,
Pois tens orelhas de rã,
Diz lá o que está errado
Ou faço queixa à mamã.

Luísa Ducla Soares, in Conto estrelas em ti, 17 poetas escrevem para a infância, Coordenação José António Gomes, Porto: Campo das Letras, 2000, p. 8.

quinta-feira, 2 de abril de 2009

Dia Internacional do Livro Infantil - 2


Luísa Ducla Soares – Os ovos misteriosos / il. Manuela Bacelar.
12.ª ed. Porto: Afrontamento, 2008
Foi um dos livros que comprei hoje para oferecer. Termina assim:

Somos todos irmãos,
somos todos diferentes:
há uns que têm bico,
outros que têm dentes,
há uns que têm escamas,
outros que têm asas,
na terra e na água
fazemos nossas casas.
Eu só tenho pescoço.
Eu voo pelo ar.
Eu nado a quatro patas.
Eu cá gosto de andar.
Somos todos diferentes,
mas todos queremos bem
à boa galinha
que é a nossa mãe.

segunda-feira, 20 de outubro de 2008

Li e gostei - 1


Lisboa: Sextante, 2007
Grande Prémio de Romance e Novela APE 2007

Começa assim:

Naquele dia, véspera de São João, vistou as obras do Mercado.
- Não está mal, não senhor... E fica pronto quando?
Seguiu.
Travessas, muralhas. Um largo ajardinado.
Ah, a rua da Corredoura! Os arranjos, o prolongamento até à estação de comboios.
Bom projecto de início. Outros interesses, e a Câmara fora-lhe retirando importância. Fizera o que ali estava.
- Não vale nada.
[...]

Para crianças (e não só)

Do novo livro de Luísa Ducla Soares - O planeta azul (Porto: Civilização, 2008), ilustrado por Gisela Miravent.