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quarta-feira, 4 de agosto de 2021

As omeletes de Paul Weill


Suzanne Blum conta que, quando se encontravam exilados em Nova Iorque, o marido «Paul Weill cozinhava. Tinha uma receita original de omelete, chamada frigidaire: bater ovos com tudo o que aí encontrava de restos: salmão ou atum de lata, ervilhas, batatas...» (Vivre sans la patrie. Paris: Plon, imp. 1975, p. 84)
A receita não é muito diferente da que uso, frequentemente, para fazer umas tortilhas. Ou mesmo omeletes. 😋

sábado, 24 de julho de 2021

Leituras no Metro - 1083

No avião que levou Amélie Cahen, mãe se Suzanne Blum e de André Blumel, de Lisboa para Nova Iorque, em 1941, ela ficou sentada ao lado de um oficial alemão e contou depois: «Quando ele viu o meu nome, mudou de lugar, o imbecil!» 
Amélie Cahen descendia de uma família estabelecida desde o século XV em Troyes-en-Champagne. Um dia o Marquês de La Tour du Pin resolveu falar-lhe do orgulho que tinha na sua linhagem, ao que ela lhe respondeu: «Eu, senhor, que descendo da Tribu des Prêtres, tenho 7000 anos de nobreza atrás de mim.»
Ref. por Suzanne Blum, in Vivre sans la patrie. Paris: Plon, imp. 1975, p. 126-127

quarta-feira, 21 de julho de 2021

Leituras no Metro - 1082

Paris: Plon, imp. 1975

Suzanne Blum (grande amiga, mas sem qualquer relação de parentesco com Léon Blum) foi uma advogada francesa de negócios. Um dos seus clientes, em 1940, era Jack Warner quando a ocupação de Paris a leva para os EUA. 
Vai de carro até  Burgos (Espanha), onde o carro avaria, tendo de continuar a viagem de comboio até Lisboa, onde, depois de muitas peripécias, apanha um barco para os Estados Unidos. 
Embarca 8 de agosto de 1940 a bordo do Excambion: «Entre os passageiros, os Patino, a condessa de Bourg de Bozas, uma família Dampierre, René Clair e a mulher, Salvador Dalí e Gala, Virgil Thompson, Man Ray: um belo cartaz para uma noite muito parisiense.» (p. 58)
Quando chega a Nova Iorque tem de preencher um questionário:
«Na rubrica 'raça' pensei poder por 'branca'.
«Um erro, rapidamente retificado com um risco de caneta feito pelo responsável: eu era French Hebrew.
«As minhas luzes de etnologia, aliás muito limitadas, vacilaram.» (p. 59)
Nessa viagem, a companheira de camarote de Suzanne Blum era uma portuguesa que montou um altar florido, diante do qual se ajoelhava e rezava longas horas.
O livro começa com o regresso a Paris, na primavera de 1945, ainda a guerra não tinha acabado, a bordo do Liberty Ship, que trazia também Jules Romains e a mulher.