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sábado, 18 de agosto de 2012

Leituras no Metro - 101



Trindade Coelho escreveu na Av. da Liberdade a Cartilha do Povo: «quanto à Cartilha do Povo, que eu escrevi no passeio mais público de Lisboa (a Avenida da Liberdade), num domingo de tarde, à hora de maior concorrência, essa originara-a o ter-me dito pouco antes a senhora D. Carolina Michaëlis de Vasconcellos (que eu vira pela primeira vez na véspera, num jantar para que tivera a bondade de me convidar, no Hotel Central) que num salão onde tinha estado, aqui em Lisboa, ouvira sustentar a estranha teoria de que o povo devia ser conservado ignorante, porque só ignorante era obediente, e só obediente era feliz!...» 
Trindade Coelho
In: Auto-biographia e cartas / pref. de D. Carolina Micheëlis de Vasconcellos. Rio de Janeiro : A Editora, 1910, p. 33 


Hotel Central, no Cais do Sodré

sexta-feira, 7 de novembro de 2008

Centenário da morte de Trindade Coelho


"Exemplo cívico na actual crise de valores", José Francisco Trindade Coelho nasceu há 100 anos. Celebra-se agora o centenário daquele que foi "uma figura importante na sua época pelos princípios que sempre defendeu, mas também pela sua obra literária, jurídica, jornalística e política. A sua ruptura final com a ditadura de João Franco, presidente do conselho de ministros do Rei D. Carlos, é sintomática disso. Acima de tudo, Trindade Coelho tinha um conjunto de valores de que não abdicava. Manteve esse trajecto de vida até ao fim. De certa forma o seu suicídio em 1908 é o corolário dessa ruptura e dessa ideia de decadência que atravessa a sociedade portuguesa, e ele lida muito mal com isso", como sublinhou Álvaro Matos, da Hemeroteca de Lisboa que organiza palestras sobre o autor de "Os meus amores".