Esta tarde vi pela terceira vez Vale Abraão. É realmente um dos filmes de Manoel de Oliveira de que mais gosto. A bela Leonor Silveira compõe em estado de graça a inquietante Ema Cardiano, uma Bovary à moda do Douro. Bem secundada por Luís Miguel Cintra, Diogo Dória, João Perry, Glória de Matos e Rui de Carvalho, e até nas curtas mas interessantes participações de Nuno Vieira de Almeida e Miguel Guilherme. O cenário é um dos mais belos do país- o Douro vinhateiro, das míticas quintas, dos árduos socalcos. As palavras, como tantas vezes na obra de Oliveira, são de Agustina e tiradas como esta- "O Fernando Osório estava arruinado. Mas para ele estar arruinado era estar enterrado em ouro até aos joelhos em vez de nadar nele." - não se esquecem facilmente.Também não se esquece a sequência final do filme, uma das mais belas de todo o cinema português.