A propósito das comemorações do Dia Mundial da Saúde na semana passada, o respectivo director-geral, Francisco George, abordou no seu discurso os resultados da vigência da Lei da Interrupção Voluntária da Gravidez, entrada em vigor a 15 de Julho de 2007. E, sem querer ressuscitar polémicas, saliento os dois factos constantes do discurso que me parecem mais importantes- e são factos, não opiniões, crenças ou declarações de intenções :- Desde a entrada em vigor da nova lei, foram realizadas 28.556 IVG, das quais 27. 639 por vontade expressa da mulher, à luz da nova lei em vigor e até às dez semanas.
- Deixaram de surgir nas urgências hospitalares casos de órgãos perfurados e infecções na sequência de abortos clandestinos.
Porque saliento isto? Em primeiro lugar, ficámos a saber que efectivamente muitas mulheres recorreram aos hospitais ao abrigo da nova lei para terminarem as suas gravidezes, ao contrário do que se dizia aquando da discussão sobre a nova lei , com uma importante e concomitante novidade: deixaram de surgir nas urgências dos mesmos hospitais os tantas vezes frequentes órgãos perfurados ou infectados.
Não tenho pois dúvidas, perante estes factos comunicados pelo Director-Geral da Saúde, que algo mudou, para melhor, naquilo que era para mim uma realidade terrível: o aborto clandestino, feito sem condições, em lugares sinistros, por "abortadeiras" profissionais e/ou médicos sem escrúpulos .