Lisboa: Imprensa Nacional, 2025.
Um excelente «brevíssimo resumo de uma vida cheia e, desde a adolescência, dedicada à causa pública Uma vida de ação, de luta política, como tantas vezes a caracterizou, e também de pensamento e cultura. São os três lados de um triângulo.» (p. 9)
«Quem é, portanto n-ao quem foi, mas quem é para nós, hoje -, Mário Soares?
«É o construtor e portador de escolhas estratégicas claríssimas, de que nunca duvidou e que nunca abandonou: a liberdade, a democracia pluralista, o socialismo democrático, o europeísmo. Soares é o estrénuo defensor do primado da política: do primado da política sobre a economia, sobre os poderes separados, sobre a ideologia e sobre o falso moralismo da virtude. Soares é o que vive a política com paixão, porque nunca deixou de viver a vida por causa da política: é o anti asceta, o paladino da política como obrigação mas também jogo, divertimento e prazer. Soares é um dos maiores patriotas que Portugal conheceu, exatamente porque foi implacável com toda a sorte de pequenez que diminuía o seu país e procurou sempre engrandecê-lo, não o prendendo numa história mitificada, mas abrindo-o ao futuro, modernizando-o, dirigindo-o para novos desafios e descobertas; porque afirmou sem hesitações o patriotismo, que é mar o seu país, como o exato contrário do nacionalismo, que é hostilizar o dos outros, porque, justamente, a condição de portiguês, por ser português, é ser cidadão da Europa e do mundo [...].
«E, por último, mas não menos importante: soares - o Soares que defendeu os presos políticos da ditadura e o Soares que ensinou em Vincennes, o Soares que discursou na Fonte Luminosa e o Soares que escolheu "os poemas da sua vida", o Soares que negociou com Bruxelas e o Soares que se fez retratar por Júlio Pomar - é um dos políticos portugueses que mais longe levaram a fecundação recíproca entre política e cultura. Não só com a sua curiosidade infantigável e juvenil alegria de viver, mas também na determinação com que porfiou em abrir os horizontes da liberdade aos seus compatriotas, ele teria, sem dúvida merecido a perspicaz observação de Fernando Pessoa [...]: "O interesse pela cultura geral [...] é que de facto distingue os políticos que deveras o são".» (p. 88-89)


5 comentários:
Deve ser muito interessante.
Gosto muito deste quadro do amigo Júlio Pomar, que veio quebrar a tradição dos presidentes empertigados😉
Quarta feliz!
Ainda não o comprei.
Gosto, tenho e li vários desta colecção.
Esta coleção, no geral, é boa, mas já li alguns fraquinhos...
Bom dia para as duas.
Uno de los grandes políticos contemporáneos, sin duda. En estos tiempos que corren, hacen falta muchos como él, ante tanta mediocridad y oportunismo
Boa noite
Pois fazem! E com cada vez mais tarados a governarem o mundo...
Bom dia!
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