2.ª ed. Amadora: Cavalo de Ferro, 2019.
«A insurreição de Varsóvia ordenada pelo governo exilado em Londres eclodiu, como sabemos, na mesma altura em que o Exército Vermelho se acercava da capital e as forças alemãs já em retirada combatiam nos arrabaldes da cidade. Na clandestinidade, a situação estava no limite; a Resistência queria combater. A insurreição tivera por objetivo expulsar os alemãs e reaver a cidade, para que o Exército Vermelho fosse recebido por um governo polaco em funções. Mas, depois de terem começado os combates na cidade e depois de se ter tornado óbvio que o Exército Vermelho, à altura na outra margem do rio, não viria em socorro dos insurgentes, era já tarde para prudências. E deu-se a tragédia, como era inevitável. Estava-se perante a revolta de uma mosca contra dois gigantes. Do outro lado do rio, um deles aguardava que o outro matasse a mosca. E a mosca deu luta, mas, grosso modo,o seu exército estava armado tão-só com pistolas, granadas e cocktails Molotov. Durante dois meses, os bombardeiros do 'outro' gigante não pararam de sobrevoar a cidade e de largar a sua carga explosiva a poucas dezenas de metros do solo. Além disso, esse gigante também apetrechou as suas tropas com tanques de guerra e com a mais pesada artilharia. No fim, acabou por esmagar a mosca e apenas para depois ser por sua vez esmagado pelo gigante do lado de lá do rio - dos dois, o mais paciente.
«Teria sido ilógico a Rússia vir em socorro de Varsóvia. Mais do que libertar o Ocidente das garras de Hitler, os russos tencionavam liberta-lo da ordem vigente, que substituiriam pela ordem certa - a sua.» (Czeslaw Milosz, p. 131-132) O objetivo disto sabemos nós qual era.

1 comentário:
Deste escritor, Nobel de Literatura em 1980, apenas li alguns poemas.
Boas leituras!📚
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