Comprei um livro que não conhecia e sobre o qual não tinha referências.
O seu autor é Henri Michaux. O seu título, Postes Angulares.
Tradução de Natália Correia.
Foi publicado em 1973, uma edição Galeria S. Mamede, em Lisboa.
Escolhi 4 "postes" que me fizeram meditar:
Jamais penetrastes os homens. Tão pouco verdadeiramente os observaste. Nem sequer os amaste no fundo, ou detestaste. Folheaste-os. Aceita, pois: por eles semelhante folheado, não és mais que um punhado de folhas de um livro. Algumas. (p. 30:1)
Compreendendo, infalivelmente terás compreendido qualquer coisa a mais. Esse excedente, eis aquilo de que não duvidas e de que nada sabes, nada saberás ou quase nada por muito tempo, antes que a época talvez toda a época seja passada, ultrapassada. Será então tarde. Tão tarde! (p. 36:5)
A cobra que no rato se enrosca não procura brincar. Pretende sim - após a ingestão que se segue - responder ao apelo do seu organismo que lhe exige gorduras, prótidos, sais minerais assimiláveis, etc, etc.. Sem dúvida, sem dúvida. Seguramente mais bela, mais comovente, mais digna, mais excitante, mais cerimonial, porventura mais sagrada é a resposta que a cobra dá a si mesma. Seguramente mais «cobra». (p. 37:2) .
Apenas utilizas a vida, ela escoa-se, foge, a vida que só é longa para os que sabem errar, preguiçar. Á beira da morte, o homem de acção, o trabalhador, apercebe-se - tarde de mais - da natural extensão da vida, a que lhe fora dado conhecer se de contínuas intervenções se abstivera. (p. 31:4)
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