Termino a nossa série de vinhetas com algumas impressões e apontamentos artísticos. A beleza é uma busca constante do ser humano e, como tal, reveste-se sempre de uma dimensão relativa.
Virgem com o Menino, século XVI, atribuída ao pintor espanhol Luis de Morales,
Catedral de Segóvia
Pablo Merchant, Dance of roses, 2024,
Museu de Arte Contemporânea de Segóvia
Cabeça atribuída ao imperador Galiano (mármore branco em tamanho natural), século II. Foi recuperada em agosto de 2025 nas escavações da estação arqueológica
de Confloenta, Los Mercados, município de Segóvia, Museu de Segóvia.
A tela de Joaquín Sorolla tocou-me, não por gostar particularmente dela, mas por causa dos seus tons escuros, o que a torna diferente das outras telas que conhecia do pintor.
Joaquín Sorolla Y bastida, O Segoviano,1907, Museu de Segóvia
No Palácio Episcopal vi obras de grande beleza; porém, a minha escolha recaiu sobre as telas contemporâneas, por abordarem um tema que muito me apraz: a Santíssima Trindade.
Mariano Carabias, Santíssima Trindade, 2026, Palácio Episcopal.
Estas telas estiveram numa exposição intitulada "Duc in Altum" (2026).
Apoteose Mística de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz,século XVII,
(não consegui identificar o autor)*
Igreja do mosteiro dos Padres Carmelitas Descalços em Segóvia
1- Túmulo de S. João da Cruz, obra coordenada por Felix Ganda. Os seus restos mortais encontram-se guardados neste mausoléu desde dezembro de 1927 (quando foi proclamado Doutor da Igreja). 1 2
2- "Aqui estuvo depositado el cuerpo incorrupto de S. Juan de la Cruz
hasta su beatificacion en 1675, L.D.V.M."
https://granda.com/el-sepulcro-de-san-juan-de-la-cruz-en-segovia/
Pessoalmente, gosto mais do túmulo para onde os seus restos mortais foram trasladados, em 1675, vindos da cidade de Úbeda, onde faleceu. Parece-me mais consentâneo com a dignidade de Doutor da Igreja e com a vida ascética e mística que levou.
* Encontrei no site seguinte: https://www.carmeloveneto.it/joomla/s-teresa-di-gesu/335-garcia-lorca-e-il-duende-carmelitano - Apoteosi mistica di S. Teresa di Gesù e S. Giovanni della Croce, José Garcia Hidalgo - 1675 - Convento dei Carmelitani scalzi di Segovia, mas não consegui apurar a informação.










8 comentários:
No contexto descritivo do imponente túmulo de S. João da Cruz (1542-1591), que, no século XVI (1586) fundou, em Segóvia, o Convento de Carmelitas Descalços, nota-se a muito curiosa (e legítima) preferência de ANA por um sepulcro um pouco mais discreto, "consentâneo com a dignidade de Doutor da Igreja" e, sobretudo, com a sua austera "vida ascética e mística"...
Releio, a propósito, uma página (137) de um precioso livrinho de Viagens, de A. ALVES MOTTA Sobrinho, "Peregrinações pelo Velho Mundo (1953-1994)" [Braga, Ed. Franciscana, 1995], onde o Autor, conhecido advogado (e "homem de Imprensa") Brasileiro, com estreitas ligações familiares ao nosso País, não dissimula a sua controversa (e franca) perspectiva - redutora e simplista! - sobre as contradições que observou em alguns burgos de Espanha:
"Segóvia é pouco maior que Ávila, mas tem mais vida, mais passado e mais que ver. Como fiquei lá menos de um dia [tempo insuficiente para um "passeio cultural", como é óbvio! (F.F.)], atirei-me por todos os cantos, na ânsia de conhecer e acabei exausto, com pés doridos. (...) Vejo neles [conventos e alcazares"] um excesso. Os dirigentes Espanhóis do passado não tinham noção do bem público, e reis, rainhas e príncipes respondem pela ignorância das massas populares, projectada ainda nos dias de hoje [1987, Setembro]. (...) Muito mais práticos foram os Romanos que deixaram, em Segóvia, um Aqueduto (...). Uma terra árida, seca e pedregosa, como a espanhola, precisa de irrigação para produzir e amenizar a vida. Os reis pareciam preferir o vale de lágrimas."
Como telegráfica nota final, não posso esquecer a dimensão, igualmente Universal, de Santa Teresa d'Ávila; e, acima de tudo, o legado literário que S. João da Cruz nos deixou. Um pouco "à margem" da previsível celebração institucional do terceiro centenário da sua canonização, valerá a pena apreciar, entre outras Obras, o simbólico "poema místico" que passou à posteridade como "Cantar del Alma", que um célebre pianista e compositor Catalão, Frederic MOMPOU (1893-1987), musicou, em 1951, e que, de resto, se encontra disponível no complexo "mundo" digital (em particular, no próprio YouTube)...
Muito Boa Noite!
Bom dia FERNANDO Firmino,
Apreciei o que escreveu. Estive em Ávila há alguns anos e também gostei imenso. Porém, Segóvia deu-me mais maravilhamento. Quanto a Santa Teresa, a santa faz parte da minha admiração. Tenho uma irmã com o seu nome, os meus pais tinham-lhe devoção.
Comprei um livro de poemas de São João da Cruz para juntar a outro que tinha. Também há cá em casa um livro de poemas de Santa Teresa. A imagem que gosto mais da sua representação é a escultura de Bernini, o Extâse de Santa Teresa.
Para agradecer o seu comentário, aqui ficam uns versos:
! Que bien sé yo la fonte que
[mana y corre,
aunque es de noche!
Aquella eterna fonte está escondida,
!que bien sé yo do tiene su manida,
aunque es de noche!
Su origem no lo sé,pués no le tiene,
mas sé que todo origen de ella viene,
aunque es de noche. [...]
San Juan de la Cruz, Poesías Completas, Centro San Juan de la Cruz, Segovia, 2025, p.83
Lembrei-me que estamos a passar por tempos político a que o verso tão bem assenta: "aunque es de noche.".
O quadro de Luis Morales foi uma boa escolha para vinheta.
Gostei bastante de ver «Apoteose Mística de Santa Teresa de Jesus e São João da Cruz», uma bela pintura. E um Sorolla meu desconhecido e um pouco «forada caixa» da pintura dele.
Ana, obrigada por estes passeios por Segóvia.
Bom fim de semana!
Ainda a propósito dos oportunos (e gratos) Comentários, que só agora tenho oportunidade de (re)ler, permitam-me duas breves palavras que, na minha modesta perspectiva, se adequam ao contexto temático.
1) Concordo com a esclarecida visão de MR, relacionada com um dos excelentes exemplos artísticos seleccionados ("Apoteose Mística de Santa Teresa de Jesus e S. João da Cruz"). Nada como pôr um Blogue Cultural a divulgar a Arte Sacra da Península, tantas vezes subestimada!...
2) No seguimento da criteriosa citação poética de S. João da Cruz, que ANA teve o cuidado (e a sensibilidade) de nos oferecer, peço licença para, a tal propósito, lembrar o meritório contributo de JOSÉ BENTO, o incansável poeta e hispanista a quem devemos, entre outros trabalhos, a edição Bilingue (trad., pról. e notas) de notáveis Poemas de Santa Teresa d'Ávila (1515-1582), reunidos no volume intitulado "Seta de Fogo" [2.ª ed., Assírio & Alvim, 2010].
Votos de Boa Semana para todo(a)s!
P.S.: Ainda a este respeito, e com natural curiosidade, esta noite consultei, de novo, algumas páginas de uma biografia essencial [Pe. CRISÓGONO, "Vie de Sainte Thérèse d'Avila" (Madrid, Editorial de Espiritualidad, 3.ª ed. (versão francesa, do Pe. J. GICQUEL), 1993)].
Bom dia! :))
Boa semana e muito obrigada por mais esta informação.:))
As minhas desculpas; mas, agora que, embora (um pouco) tardiamente, tenho, finalmente, ocasião de recuperar algumas (brevíssimas) impressões de Camilo de ARAÚJO CORREIA ["Livro de Andanças" (Porto, BRASÍLIA Editora, 1991), pág. 83] sobre SEGÓVIA - onde, de acordo com o Autor, para quem "Viagem é sentimento", "se nota um rigoroso respeito por tudo o que é antigo e tradicional", e "a vida vida moderna da simpática cidade mal se atreve a vir às portas afirmar que também existe" -, não faz mal, mesmo assim, transcrever parcialmente, por curiosidade (interdisciplinar), o último parágrafo (pág. 96) de um pequeno e (sobretudo) interessante volume, de Aurora BBALLESTEROS e Joaquín SENDRÁ (docentes de Geografia Humana), "El Espacio Subjetivo de la Ciudad de Segovia" [Madrid, Editorial Universidad Complutense, 1989]:
"(...) Segovia ha sido recientemente considerada como una ciudad Patrimonio de la Humanidad, por lo que su paisage histórico se considera digno de ser conservado para las generaciones futuras. Sin embargo, (...) la ciudad histórica y, en especial, el casco amurallado no remodelado, no gozan de las preferenciad de los Segovianos que lo han abandonado o que ya no han nacido en el. (...) Su actual población está muy envejecida, su supervivencia como un espacio habitado, dinámico, puede estar amenazada si no se crean los elementos necesarios para un cambio en su imagen apreciativa, via rehabilitación de las viviendas existentes, creación de servicios y, en suma, de cuantos elementos puedan cambiar su valoración social y, por tanto, incidir en la transformación de las preferencias residenciales de los Segovianos. La opción entre una CIUDAD histórica MUSEO [caracteres maiúsculos de F.F.] y centro de servicios o un espacio vivido y habitado tiene que ser urgentemente tomada por los Segovianos."
Muito GRATO pela (paciente) atenção e Boa Noite!
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