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sábado, 1 de agosto de 2026

António Maria Lisboa - a nossa vinheta

«O Surreal é do Poeta de todos os tempos, de todos os grandes poetas.» 

António Maria Lisboa carta a Mário Cesariny, reproduzida em Poesia
org. de Mário Cesariny, Assírio & Alvim, 2022. 
 (A edição inclui um conjunto de cartas de António Maria Lisboa dirigidas a Mário Cesariny.)

https://www.assirio.pt/produtos/ficha/poesia/25877717
(António Maria Lisboa fotografado por Artur Cruzeiro Seixas, nos anos 50)

IN MEMORIAM

António Maria Lisboa foi uma das figuras marcantes do surrealismo português. Nasceu em Lisboa a 1 de agosto de 1928, integrou, no final da década de 1940, o grupo de jovens escritores que procurava renovar profundamente a literatura portuguesa. Para António Maria Lisboa, a poesia era uma forma de liberdade. Tal como os surrealistas, acreditava que a criação artística devia romper com as regras e revelar a dimensão mais profunda do ser humano. No entanto, recusava limitar a poesia a um movimento ou a uma escola. Defendia que o «surreal» pertence a todos os grandes poetas, independentemente da época em que viveram, porque nasce da liberdade criadora e da capacidade de ultrapassar os limites da realidade. Apesar de ter vivido apenas 25 anos (m.1953), deixou uma obra original que continua a despertar o interesse de leitores e estudiosos.

Conjugação

Para o A. Cruzeiro Seixas

A construção dos poemas é uma vela aberta ao meio
e coberta de bolor
é a suspensão momentânea dum arrepio num dente
fino
Como Uma Agulha

A construção dos poemas
A CONS
TRU
ÇÃO DOS
POEMAS

é como matar muitas pulgas com unhas de oiro azul
é como amar formigas brancas obsessivamente junto
ao peito
olhar uma paisagem em frente e ver um abismo
ver o abismo e sentir uma pedrada nas costas
sentir a pedrada e imaginar-se sem pensar de repente

NUM TÚMULO EXAUSTIVO.

António Maria Lisboa, in "Ossóptico e Outros Poemas",
 https://www.citador.pt/poemas/conjugacao-antonio-maria-lisboa


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