Prosimetron

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domingo, 9 de agosto de 2026

Leituras no Metro - 2998

Lisboa: Fundação Francisco Manuel dos Santos, 2026.

Este livro está bem estruturado, começando com uma história da etnia cigana e como eles se instalaram em Portugal, há muitos séculos. 
D. Manuel I, um especialista em expulsões para agradar aos seus sogros «católicos», ditou uma ordem de expulsão e não entrada de ciganos,«grandes ladrões e feiticeiros», em 1510. Daí para a frente as ordens de expulsão, trabalhos forçados, prisão ou deportação não mais pararam.
A criação do Rendimento Mínimo Garantido começou a proporcionar alguma integração dos portugueses de etnia cigana, dado que para o receber era obrigatório que os miúdos frequentassem a escola.  Isso está comprovado por estudos realizados e é afirmado por muitas pessoas entrevistadas para o livro, que se lê muito bem. Aprendi muitas coisas.

2 comentários:

Fernando FIRMINO disse...

Também não me restam dúvidas sobre a utilidade do livrinho de Ana PEREIRA, "Ciganos Portugueses, Cinco Séculos de Resistência" (ed. Fundação F. Santos, 2026), cujas páginas ainda não tive oportunidade de percorrer.

Pelo grande interesse de que se reveste esta problemática - que choca com os preconceitos ancestrais de um sector (bem definido) do eleitorado e a influência dos neofascistas lusitanos, os quais visam imbecilizar (e, sobretudo, instrumentalizar) as massas! -, tenho à minha frente o precioso opúsculo, cujo título é "Ciganos em Portugal, A Excepção e a Regra" [coord. de JOÃO MÁRIO Mascarenhas, ed. CML (Biblioteca-Museu República e Resistência),1999].

É curioso notar que o referido trabalho inicia a "Cronologia" (págs. 11-17) com uma significativa menção à "primeira referência documental [de 1510] à presença de ciganos, num poema de Luís da Silveira, incluída no 'Cancioneiro Geral', de Garcia de Resende, [que] refere um 'engano' praticado por um cigano"; e termina o capítulo com a "notícia" respeitante ao memorável "I Encontro Nacional de Ciganos", realizado em 1997 em Santarém, sob a égide (organizativa) do "Alto-Comissário para a Imigração e [as] Minorias Étnicas", "com vista ao debate público dos problemas da comunidade cigana, com a participação de especialistas, técnicos e membros da comunidade provenientes de diversas regiões do País"...

P.S./1: Gosto muito, confesso, do legado literário - fundamental - de Jorge AMADO (10.8.1912 - 6.8.2001). A "efeméride" dos 25 anos da sua morte levou-me a sintonizar a penúltima edição (emitida ontem, sábado) do programa radiofónico de Germano CAMPOS, "Café Plaza" (Antena 2), no qual não faltaram canções que com o celebrado Autor d' "Os Subterrâneos da Liberdade" se relacionam (foi agradável ouvir de novo, por ex., a comovente "Modinha para Gabriela", na voz de GAL Costa); e, ainda, a reler um dos próprio volumes de Zélia GATTAI (2.7.1916 - 17.5.2008), "Jardim de Inverno" [Ed. Record, 1988], onde, entre outros curiosíssimos "episódios" da Vida do Casal, nos "anos do exílio", a memorialista descreve o essencial da "cerimónia solene da entrega" - a JORGE Amado - do Prémio Internacional ESTALINE da Paz, em Moscovo, "no grande salão da Academia de Ciências da União Soviética". ("Aconteceu, exactamente, o que prevíamos: os 25.000 dólares do Prémio iriam para o Partido.")

P.S./2: Ainda a propósito de algumas das magnas questões - para as quais, hoje, lamentavelmente, os "media" dominantes não estão sensibilizados! -, como "A Singular Corrida ao 'Ouro Negro' [Volfrâmio] no Concelho de Arouca", durante a II Guerra Mundial, é, ainda assim, de aplaudir a elevada qualidade documental do último programa televisivo de Paula PINHEIRO, "Visita Guiada" (transmitido este sábado, pelas 20h45, na RTP 2), pois teve como convidado João Paulo AVELÃS NUNES, distinto investigador nesta área da História Contemporânea.

Votos de excelente semana para todo(a)s!

MR disse...

Devo ter esse livrinho publ. pela BMRR, mas onde?
Cresci a ler Jorge Amado. Acho que isso faria bem, do ponto de vista humano a toda a gente, a toda a gente, incluindo muitos brasileiros para não dizerem tantos disparates sobre a escravatura.
Li e gosto dos livros de memória de Zélia Gattai.
Bom dia!